Tags

, , ,

Ele não aceitou ser colocado de lado pelo Técnico Flávio Costa durante os preparativos para o mundial de 1950.

Também não aceitou ser tratado como um velho pelos cartolas do Fluminense em uma renovação contratual.

Falamos hoje de Píndaro Possidente Marconi, nascido na cidade de Santo Antônio de Pádua (RJ), em 12 de março de 1925.

Píndaro iniciou sua trajetória jogando pelo infantil do Paduano Esporte Clube em 1939, sempre ocupando posições no sistema defensivo e na meia-cancha.

Os inseparáveis Píndaro, Castilho e Pinheiro. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Píndaro, Castilho e Pinheiro. Crédito: revista O Globo Sportivo número 672.

Em meados de 1945, contando com 20 anos de idade, o lateral direito Píndaro chegou ao Fluminense Football Club.

Jogador de personalidade forte, o rapazola de Santo Antônio de Pádua não demorou muito tempo para se firmar como titular e capitão do time em 1948.

Com 1;72 de altura e possuidor de uma técnica apurada, Píndaro não pensava duas vezes quando era necessário jogar duro, mas sempre com muita lealdade!

Tanto que, por nunca ter sido expulso em sua brilhante carreira, recebeu o significativo prêmio Belfort Duarte, um importante reconhecimento oferecido aos jogadores que mantinham uma conduta disciplinar exemplar dentro dos gramados.

Píndaro, Castilho e Pinheiro. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 745 – 17 de julho de 1952.

Píndaro formou ao lado de Castilho e Pinheiro um dos chamados “Trio Final” mais eficiente e famoso do nosso futebol, que também ficou conhecido como “Santíssima Trindade”.

No esquema do técnico Zezé Moreira, o Fluminense fazia uma marcação por zona, o que deixava o adversário com o domínio de bola até a entrada da grande área.

Ali, na entrada da grande área, é que o negócio engrossava! O trio Castilho, Píndaro e Pinheiro não deixava passar nem pensamento.

Lembrado nas convocações da Seleção Brasileira durante o período de preparação para o mundial de 1950, Píndaro não esperava que sua permanência no escrete fosse tão breve.

Píndaro e Weber do Madureira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 764 – 27 de novembro de 1952.

A Seleção Brasileira estava hospedada na Casa dos Arcos, de propriedade do empresário Drault Ernanny, que ficava no então afastado bairro do Joá, Zona Sul do Rio, ao pé da Pedra da Gávea.

Oposto ao ambiente sossegado de Joá, Píndaro e o técnico Flávio Costa entraram em rota de colisão. O mal estar aconteceu em razão da escalação de Nilton Santos para uma série de partidas amistosas, realizadas em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Píndaro não tolerou a desconfiança demonstrada pelo treinador, que preferiu escalar um lateral esquerdo de ofício em sua posição.

Ofendido, Píndaro pediu dispensa do escrete meses antes do início da Copa do Mundo, o que causou um terrível embaraço no planos da então CBD (Confederação Brasileira de Desportos, antecessora da atual CBF).

Partindo da esquerda; Castilho, Píndaro, Didi e Pinheiro. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

Em pé, partindo da esquerda: Píndaro, Castilho, Pinheiro, Carlyle, Telê Santana e Orlando Pingo de Ouro. Crédito: Livro Fluminense Campeão do Mundo 1952 – Eduardo Coelho – Editora Maquinária.

Mas o troco perfeito para o descrédito do técnico Flávio Costa em seu futebol, aconteceu ainda no começo da década de cinquenta.

Enquanto Flávio Costa ainda amargava o desgosto pela derrota frente ao Uruguai na Copa do Mundo, o capitão Píndaro foi campeão carioca de 1951 e campeão da segunda edição Copa Rio em 1952.

Em 1956, contando com 31 anos de idade, o lateral direito estava negociando mais um contrato nas Laranjeiras. Quando a proposta de renovação foi entregue pela diretoria, Píndaro simplesmente não acreditava no que estava escrito.

Depois de 257 partidas de pura dedicação, o Fluminense oferecia um contrato de apenas um ano e com valores irrisórios, apenas metade do salário que normalmente recebia.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Dessa forma, sem dizer mais nada, Píndaro largou o papel em cima da mesa e não voltou mais ao clube.

Abandonou o futebol profissional e só voltou ao mundo da bola quando foi dirigente das divisões de base do próprio Fluminense.

Algum tempo depois, decidiu abrir uma farmácia, onde trabalhou por um tempo considerável de sua vida.

Depois de vários de internação, Píndaro faleceu no Hospital Evangélico, Zona Norte do Rio de Janeiro, no dia 7 de agosto de 2008. O ex-jogador não resistiu e faleceu em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

Crédito: fluminense.com.br.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado, revista Vida do Crack, revista Manchete Esportiva, revista do Fluminense, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, fluminense.com.br, acervoffc.blogspot.com.br, Livro: Fluminense Campeão do Mundo 1952 – Eduardo Coelho – Editora Maquinária, Livro: 20 jogos eternos do Fluminense – Roberto Sander – Editora Maquinária, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios