Tags

, , ,

imagem14

Dorval foi outro craque que, caprichosamente, foi pinçado pelo destino para integrar aquela verdadeira máquina santista que encantou o mundo nos anos sessenta.

Nascido na cidade de Porto Alegre, no dia 26 de fevereiro de 1935, seu nome completo é Dorval Rodrigues. 

Apareceu para o futebol jogando pelo juvenil do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, no início dos anos cinquenta.

Pouco tempo depois, recebeu um convite de um treinador chamado Ênio (ex goleiro do próprio Grêmio), para disputar o campeonato gaúcho pelo Grêmio Esportivo Força e Luz (o mesmo time que também revelou Airton Pavilhão).

Dorval em São Paulo: Inicialmente um craque sem destino... Crédito: revista Placar.

Dorval em São Paulo: Inicialmente um craque sem destino… Crédito: revista Placar.

Pelé e Dorval. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Pelé e Dorval. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Dorval obteve destaque rapidamente e na temporada seguinte foi convocado para o grupo que se preparava para disputar o Pan-Americano da cidade do México em 1956.

Todavia, seu nome não foi relacionado na lista oficial de jogadores que embarcou para disputar o torneio.

Naquele tempo, o futebol gaúcho costumava ser um verdadeiro celeiro para os times do eixo Rio-São Paulo.

Dessa forma, o empresário Arnaldo Figueiredo convidou Dorval para seguir viagem até São Paulo. O objetivo era oferecer o seu passe junto aos grandes clubes do sudeste.

Dorval na Vila Belmiro.

Dorval na Vila Belmiro.

Crédito: revista do Esporte número 340.

Crédito: revista do Esporte número 340.

Primeiramente, Dorval foi oferecido ao Corinthians, mas em razão do aproveitamento do ponta direita Bataglia, formado no próprio Parque São Jorge, o negócio não deu certo.

Em seguida, o Flamengo foi consultado e também não necessitava de jogadores para aquela posição.

Em mais uma tentativa, o insistente empresário decidiu telefonar para o Santos, que também não precisava, mas, mesmo assim, solicitou que o jogador fosse até o clube para fazer um teste.

Na época, o lendário técnico Lula gostou muito do que viu e pediu imediatamente sua contratação junto aos cartolas do “Peixe”.

O inesquecível ataque do Santos retratado em foto da revista Manchete Esportiva: Partindo da esquerda vemos Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pépe.

O inesquecível ataque do Santos retratado em foto da revista Manchete Esportiva: Partindo da esquerda vemos Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pépe.

Crédito: revista do Esporte número 113 - Maio de 1961.

Crédito: revista do Esporte número 113 – Maio de 1961.

Nos primeiros treinos que fez, no mês de abril de 1956, o ponteiro conseguiu entrosar rapidamente com o estilo de jogo praticado pelo time santista na época.

Sua primeira partida aconteceu no dia 20 de maio de 1956, no amistoso realizado no estádio Mário Alves de Mendonça, em São José do Rio Preto, com vitória pelo placar de 3×1 diante do América local.

No início do ano de 1957, Dorval foi emprestado ao Clube Atlético Juventus por um curto período de três meses.

Retornou posteriormente ao Santos para cumprir seu destino de sucesso, apesar do interesse de alguns clubes que, curiosamente, naquele momento, precisavam “urgentemente” de um ponta direita.

Crédito: revista do Esporte número 167.

Crédito: revista do Esporte número 167.

Imagem3

Com muita velocidade, bons cruzamentos e chutes fortes disparados em diagonal, Dorval formou o “Ataque dos Sonhos” ao lado de Mengálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, fazendo com que seu futebol fosse lembrado nos selecionados paulista e nacional em diversas oportunidades.

Foram várias conquistas jogando pelo Santos:

– Campeonato paulista 1958, 1960, 1961, 1964 e 1965, Torneio Rio-São Paulo 1963, 1964 e 1966, Taça Libertadores da América e o Mundial interclubes 1962 e 1963, além de vários torneios nacionais e internacionais.

Grande parte dos gols, principalmente de cabeça, marcados pela dupla Pelé e Coutinho, nasceram dos levantamentos de Dorval, que tinha como uma de suas características os cruzamentos de linha de fundo.

Para quem acha que o futebol naquele tempo era mais fácil e que os árbitros de hoje é que são ruins, Dorval mostra sua canela ferida.

Para quem acha que o futebol naquele tempo era mais fácil e que os árbitros de hoje é que são ruins, Dorval mostra sua canela ferida.

Crédito: reprodução de capa da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Crédito: reprodução de capa da revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

O último compromisso de Dorval jogando pelo Santos aconteceu em 23 de abril de 1967, na vitória pelo placar de 3×0 diante do Bangu no Pacaembu, partida válida pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

Em 1964, Dorval foi negociado com o Racing da Argentina. Como o clube argentino não quitou seu passe, Dorval acabou retornando ao Santos em 1965, lá permanecendo até o ano de 1967.

Transferido para o Palmeiras, quando já contava com 32 anos de idade, Dorval realizou 20 partidas pelo alviverde, obtendo 12 vitórias, 4 empates, 4 derrotas e nenhum gol anotado.

Imagem4

Partindo da esquerda vemos Dorval, Olavo (no centro, ao fundo) e o goleiro Gylmar. O que parece uma briga não passa de alguns momentos de descontração em treino realizado na Vila Belmiro. Crédito: revista do esporte número 263 – Março de 1964.

Partindo da esquerda vemos Dorval, Olavo (no centro, ao fundo) e o goleiro Gylmar. O que parece uma briga não passa de alguns momentos de descontração em treino realizado na Vila Belmiro. Crédito: revista do esporte número 263 – Março de 1964.

Em 1968, Dorval foi defender o Clube Atlético Paranaense, onde conquistou o campeonato estadual de 1970.

Deixou o Atlético em 1971 e seguiu para o Valência da Venezuela, encerrando depois sua carreira no Saad E.C de São Caetano do Sul em 1973.

Macalé, como também era conhecido, foi o melhor ponta-direita da história do time praiano. Com 612 partidas e 198 gols, Dorval é o 6º maior artilheiro e o 5º jogador que mais atuou pelo Santos.

Conforme publicado no site do Milton Neves, em 2014 Dorval foi morar na casa de um amigo na cidade de Santos em razão de dificuldades financeiras. Nesse mesmo ano, o Santos ofertou um contrato simbólico e vitalício ao ex-jogador.

Dorval no Palmeiras ao lado do centroavante Servílio.

Dorval no Palmeiras ao lado do centroavante Servílio.

O Atlético Paranaense na Taça de Prata de 1970. Em pé: Hidalgo, Zico, Júlio, Hermes, Alfredo e Vanderlei. Agachados: Dorval, Sicupira, Sérgio Lopes, Toninho e Nílson. Crédito: site do Milton Neves.

O Atlético Paranaense na Taça de Prata de 1970. Em pé: Hidalgo, Zico, Júlio, Hermes, Alfredo e Vanderlei. Agachados: Dorval, Sicupira, Sérgio Lopes, Toninho e Nílson. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, ftt-futeboldetodosostempos.com (Maurício Sabará), cacellain.com.br, dnasantastico.com, acervosantosfc.blogspot.com.br, santosfc.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Breno Menezes e Gustavo Grohmann), Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, Gazeta Esportiva.

Anúncios