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O lendário goleiro Poy foi um dos profissionais mais dedicados da história do São Paulo Futebol Clube. É sempre lembrado como um verdadeiro símbolo da meta tricolor!

O argentino José Poy nasceu na cidade de Rosário, em 16 de abril de 1926. 

Filho de pai ferroviário, o menino cresceu com os costumes italianos da família paterna, já que sua mãe era espanhola. Em boa parte da infância morou com seu avô e na adolescência desenvolveu o gosto pelo futebol em equipes amadoras.

Os campeonatos amadores eram organizados por bairros e Poy cuidava de tudo. Foi o único da turma que chegou ao profissionalismo!

No início dos anos 40 foi encaminhado aos times de base do Club Atlético Rosário Central, onde jogava como atacante. Trabalhando na oficina da Fábrica Militar de Armas, Poy também aprendia o ofício de Eletricista.

Crédito: revista Tricolor número 28.

Clássico entre Santos e São Paulo na Vila Belmiro. O goleiro Poy sai corajosamente do gol, enquanto Pelé (direita) espera pelo rebote. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 149.

Com o passar do tempo, Poy foi desenvolvendo o gosto pela posição de goleiro. Em 1944 foi campeão juvenil e no ano seguinte foi promovido ao time principal.

Conforme matéria do jornalista Solange Bibas no Jornal Mundo Esportivo, Poy passou por momentos difíceis na greve que tomou conta do futebol argentino naquele período.

Foram vários meses de paralisação sem receber salário. Longe de esmorecer, o goleiro do Rosário Central suportava tudo, ao mesmo tempo em que levantava o moral daqueles que fraquejavam.

Um dos líderes daquele movimento grevista, para não ficar parado Poy aceitou trabalhar em um pequena oficina metalúrgica.

Tão logo a greve acabou, Poy continuou sua caminhada no Rosário Central. Todavia, o relacionamento entre jogadores e dirigentes continuou abalado.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Até que um dia Poy encontrou com Antonio Sastre pelas ruas de Buenos Aires. Entre tantos assuntos, os dois falaram dos efeitos da greve e também sobre o momento de Sastre no futebol brasileiro.

Coincidentemente, em dezembro de 1946, o Rosário Central disputou um amistoso contra o São Paulo no Estádio Municipal do Pacaembu.

Naquela oportunidade, Poy foi o principal responsável pelo empate em 2×2. Mesmo com apenas 19 anos de idade, o jovem goleiro argentino demonstrou muita segurança diante das investidas do quadro paulistano.

Poy permaneceu nas fileiras do Rosário Central até 1948, quando o interesse do São Paulo ganhou força. A boa impressão deixada no amistoso de 1946 foi decisiva para o fechamento do negócio.

Mas sua adaptação não foi um processo tão simples e exigiu muita dedicação. O primeiro endereço na capital paulista foi em um hotel na Rua Coronel Xavier de Toledo, próximo ao Teatro Municipal.

Campeões de 1957. Poy, Zizinho e o técnico Bela Guttmann. Crédito: blogdonorusca.blogspot.com.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Alguns meses depois arrumou um apartamento no bairro de Santana, o que facilitou um pouco seu deslocamento ao São Paulo, que na época ficava no bairro do Canindé.

Poy passou quase todo o ano de 1949 na suplência do titular Mário. Mesmo assim, seu nome figura no elenco bicampeão paulista de 1949.

As primeiras aparições no time principal aconteceram ainda em 1949. Corajoso e arrojado, Poy não pensava duas vezes para lançar o corpo nas divididas.

Confiante, Poy raramente oferecia rebotes ou espalmava bolas chutadas pelo alto. Fazia “pontes” e descia elegantemente com a bola colada junto ao corpo.

O primeiro título com participação efetiva foi o campeonato paulista de 1953. Sondado para se naturalizar e disputar o mundial de 1954 pelo Brasil, Poy recusou o convite.

Partindo da esquerda; Mauro Ramos de Oliveira, Poy e Zizinho no gramado do Pacaembu. Crédito: revista Manchete Esportiva número 104.

Na mesma época, o São Paulo deu início ao projeto de construção do Estádio do Morumbi, um contexto que transformou para sempre a relação do goleiro com o clube.

Com o passar dos anos, Poy fazia propaganda do projeto, ao mesmo tempo em que vendia cadeiras cativas.

Foi o jogador mais envolvido na causa e não media sacrifícios para vender os carnês, mesmo ouvindo que o São Paulo não seria capaz  de tocar em frente uma obra daquele porte.

Campeão paulista de 1957, Poy sempre lembrou do grande time comandado pelo técnico Bela Guttmann, um exemplo determinante em seu futuro como treinador.

Com o desafio do Morumbi parcialmente concluído, Poy participou das festividades de inauguração, em outubro de 1960.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 148 – 20 de setembro de 1958.

Como goleiro do São Paulo, o argentino disputou 515 partidas com 291 vitórias, 107 empates e 117 derrotas. *Algumas fontes creditam 565 participações com a camisa do São Paulo.

Após encerrar a carreira como jogador em abril de 1962, Poy trabalhou como treinador do São Paulo em diversos períodos entre os anos de 1963 e 1984.

Disciplinador e considerado como um verdadeiro “sargentão”, Poy conquistou o título paulista de 1975, o vice-campeonato brasileiro de 1971 e 1973, o vice-campeonato da Taça Libertadores de 1974 e o vice-campeonato paulista de 1982.

No comando do tricolor foram 421 jogos com 211 vitórias, 130 empates e 80 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

Crédito: revista do Esporte número 330 – 3 de julho de 1965.

Crédito: revista Placar – 30 de julho de 1982.

Poy também foi o responsável pelo lançamento de vários talentos, entre eles o artilheiro Serginho Chulapa e Muricy Ramalho.

Também orientou outras equipes, como o Santa Cruz (PE), Atlético Paranaense (PR), Internacional de Limeira (SP), Portuguesa de Desportos (SP), Santo André (SP) e XV de Jaú (SP).

Trabalhou até os últimos anos de sua vida e mesmo em uma cadeira de rodas, Poy fazia questão de comandar o Esporte Clube XV de Novembro de Jaú.

José Poy faleceu no dia 8 de fevereiro de 1996 na cidade de São Paulo. Foram 38 dos seus 69 anos de vida dedicados ao São Paulo Futebol Clube.

Crédito: revista Placar – 13 de abril de 1984.

Poy nas cadeiras em que tanto acreditou. Do primeiro lote de 12.000 unidades, o goleiro vendeu 8.000. Crédito: revista Placar – Abril de 1993.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Emanuel Mattos, José Maria de Aquino, Mário Serapicos, Maurício Cardoso e Sérgio Martins), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista El Gráfico, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, Jornal Mundo Esportivo (por Alcides da Silva e Solange Bibas), Jornal Última Hora, blogdonorusca.blogspot.com, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, museudapessoa.net, museudosesportes.blogspot.com.br, saopaulofc.net, spfcpedia.blogspot.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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