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Dino Sani foi um jogador extraordinário. Parecia dispor de uma régua de precisão, tal a perfeição com que servia seus companheiros.

Em sua passagem pelo futebol italiano, os torcedores do Milan assim o descreviam: “Un bisturi per il Milan” (um bisturi para o Milan).

Nascido em 23 de maio de 1932, o paulistano Dino Sani iniciou sua carreira aos 13 anos de idade, nos quadros amadores da Sociedade Esportiva Palmeiras em 1945.

Depois de passar por várias categorias, Dino Sani foi aproveitado no quadro de Aspirantes em 1949, sempre como meio armador.

Em 1950 foi lançado no elenco principal pelo técnico Jim Lopes e fez parte do elenco campeão paulista. No ano seguinte, Dino Sani foi emprestado ao Esporte Clube XV de Novembro de Jaú.

Dino Sani “Un bisturi per il Milan”. Crédito: magliarossonera.it.

Um abraço entre Chinesinho e Dino Sani antes da partida amistosa entre Palmeiras e Milan no Pacaembu. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 210.

Na temporada de 1951, o “Galo da Comarca” formou um dos maiores times de sua história e conquistou o título da Segunda Divisão.

Além de Dino Sani, o XV de Jaú contava com Gino Orlando, Gengo, Américo Murolo e Pinga II, irmão do famoso Pinga que fez sucesso na Portuguesa de Desportos, Vasco da Gama e Seleção Brasileira.

Sem perspectivas de aproveitamento em seu retorno ao Palmeiras, Dino Sani decidiu firmar compromisso com o Comercial Futebol Clube da capital.

Jogando pelo Palmeiras foram apenas 15 partidas disputadas com 6 vitórias, 6 empates, 3 derrotas e 5 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

No Comercial Dino Sani permaneceu até 1954, ano em que foi contratado pelo São Paulo Futebol Clube. 

Crédito: topicos.estadao.com.br.

Zagallo, Dino Sani e Paulinho Valentim no Maracanã. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

No São Paulo, Dino Sani atuava inicialmente como meia armador, tanto pela direita como também pelo lado esquerdo. Algum tempo depois, o técnico Bela Guttmann o adaptou na posição de médio volante.

Em trecho publicado no livro “Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro”, de Maurício Noriega, Dino Sani falou da influência do técnico Bela Guttmann em seu aperfeiçoamento profissional:

– O Bela Guttmann não foi bem recebido pela imprensa paulista. Diziam que não ia dar em nada… Era um sujeito calado e que trabalhava muito, além de cuidar pessoalmente da preparação física.

– Competente, o seu Guttmann treinava o time para jogar no ataque com jogadas rápidas e toques de primeira… Uma de suas preocupações era aprimorar os chutes de Canhoteiro.

Com a habilidade adquirida como meia armador, Dino Sani se transformou em um dos volantes mais completos de sua época, o que fez os torcedores esquecerem do lendário Bauer.

Crédito: revista Tricolor número 52.

O São Paulo em 1956. Em pé: Vicente Feola (de agasalho), Riberto, Sarará, Bonelli, Turcão, Alfredo Ramos e Mauro Ramos de Oliveira. Agachados: Maurinho, Lanzoninho, Gino Orlando, Dino Sani e Canhoteiro. Crédito: revista Placar – 50 times do São Paulo.

Sua primeira participação com a camisa canarinho aconteceu em 28 de março de 1957, na derrota de 3×2 para o Uruguai.

Campeão paulista de 1957, Dino Sani foi convocado para o mundial da Suécia em 1958. Foi o titular do escrete na vitória contra a Áustria por 3×0 e no empate sem gols contra a Inglaterra.

Em um recreativo, antes do jogo contra os soviéticos, Dino Sani sofreu uma ruptura muscular na coxa, o que custou seu afastamento definitivo da competição.

O volante continuou no tricolor paulista até o findar de 1960, quando foi negociado com o Club Atlético Boca Juniors da Argentina.

Pelo São Paulo foram 322 partidas com 169 vitórias, 81 empates, 72 derrotas e 108 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Time que empatou com a Inglaterra em 0x0 pela fase de grupos da Copa do Mundo de 1958. Em pé: De Sordi, Dino Sani, Bellini, Nilton Santos, Orlando e Gylmar. Agachados: Mário Américo (massagista), Joel, Didi, Mazzola, Dida e Zagallo. Crédito: revista Manchete.

No Boca Juniors, Dino Sani jogou ao lado de Orlando Peçanha, Maurinho e Paulinho Valentim. Sua próxima parada foi no futebol italiano, quando defendeu as cores da Associazione Calcio Milan.

Foram três temporadas pelo Milan. Conquistou o Scudetto em 1962 e a Copa dos Campeões em 1963. Em razão dos contínuos problemas musculares causados pelo clima, Dino Sani deixou os gramados italianos no final da temporada 1964. 

Aos 32 anos de idade, Dino Sani ainda se sentia bem e pronto para continuar sua carreira no Brasil. Com uma proposta do Sport Club Corinthians Paulista, o volante retornou feliz ao futebol paulista.

Em 16 de novembro de 1965 participou do amistoso entre Arsenal e Seleção Brasileira, que na oportunidade foi representada pelo Corinthians. O quadro inglês venceu por 2×0.

No Parque São Jorge, Dino Sani também foi importante no amadurecimento do jovem Roberto Rivellino. Conquistou do Torneio Rio-São Paulo de 1966, um título dividido com Vasco da Gama, Botafogo e Santos.

Em clássica foto da revista El Gráfico, Dino Sani em sua época no Boca Juniors.

Convocado durante o período de preparação para o mundial de 1966, seu nome não foi relacionado no grupo que embarcou para tentar o “Tri” na Inglaterra.

Pela Seleção Brasileira foram 24 partidas com 15 vitórias, 5 empates, 4 derrotas e 2 gols marcados. Campeão Mundial de 1958, Dino Sani disputou ainda o Sul Americano de 1959 e a Copa Roca de 1960.

Os registros fazem parte do livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Dino Sani encerrou sua carreira no Corinthians em 1968 apresentando bons números.

Foram 116 jogos com 66 vitórias, 21 empates, 29 derrotas e 32 gols marcados. Os registros foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 294 – 2ª quinzena de janeiro de 1966.

Crédito: revista Placar – 27 de agosto de 1971.

A carreira como treinador foi iniciada em 1969, no próprio Parque São Jorge. No comando do Corinthians, Dino Sani foi convidado para dirigir o Brasil na Copa do Mundo de 1970, mas recusou o convite.

Comandando o Internacional, Dino Sani conquistou os campeonatos gaúchos de 1971, 1972 e 1973. Foi nesse período, depois de 9 empates seguidos, que o treinador disparou sua frase mais famosa e discutida:

Em futebol se ganha, se perde e também se empata!

Além do Corinthians e do Internacional, Dino Sani também trabalhou em outras grandes equipes, inclusive fora do Brasil:

– Goiás (GO), Coritiba (PR), Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Grêmio (RS), Palmeiras (SP), Ponte Preta (SP), Boca Juniors (ARG), Peñarol (URU), Yumiuri do Japão e a seleção do Qatar.

Dino Sani como treinador do Internacional. Crédito: revista Placar – 3 de agosto de 1973.

Crédito: revista Placar – 19 de novembro de 1976.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Divino Fonseca, Eugênio Bortolon e Sérgio A. Carvalho), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Veja, revista El Gráfico, revista Tricolor, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, topicos.estadao.com.br, acervo.estadao.com.br, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, ftt-futeboldetodosostempos.com, site do Milton Neves, acmilan.com, magliarossonera.it, saopaulofc.net, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Livro: Os 11 Maiores Técnicos do Futebol Brasileiro – Maurício Noriega – Editora Contexto.

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