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Leônidas da Silva nasceu em São Cristóvão, Zona Norte do Rio de Janeiro, em 6 de setembro de 1913. Ainda criança ficou órfão de pai e foi adotado pela família onde sua mãe trabalhava como empregada doméstica. 

Aos 14 anos de idade Leônidas conseguiu seu primeiro trabalho como ajudante de manutenção na Light, companhia fornecedora de energia elétrica do Rio de Janeiro, iniciando, quase que ao mesmo tempo, sua história futebolística.

Fascinado pelas peladas na ponte dos marinheiros, Leônidas foi descoberto por olheiros do Havanesa, um clube que não era filiado na liga carioca.

Em seguida, passou pelo infantil do São Cristóvão de Futebol e Regatas até que Gentil Cardoso o encaminhou ao Sírio Libanês em 1930, onde assinou seu primeiro compromisso formal, ainda sem o aval profissional.

Leônidas e sua mãe Maria da Silva. Crédito: revista Placar.

Leônidas também jogava basquete e praticava natação. Crédito: revista Placar.

Meses depois foi seduzido para jogar pelo Bonsucesso Futebol Clube pela quantia de 400.000 mil Réis e mais alguns “mimos”: Dois ternos e dois pares de sapatos da sofisticada loja do Claudionor.

Foi o romântico período que marcou o fim do amadorismo e o surgimento do profissionalismo no futebol brasileiro. Em sua época no Bonsucesso, Leônidas também jogava basquete e praticava natação.

Baixinho, 1;65 de altura, sua habilidade e poder de improvisação não conheciam limites. O toque refinado derrubava zagueiros apenas com fintas de corpo.

Em 1931 Leônidas já fazia parte do selecionado carioca. No ano seguinte jogou pela primeira vez na Seleção Brasileira durante os compromissos da Copa Rio Branco frente ao vaidoso selecionado do Uruguai, campeão mundial de 1930.

Leônidas voltou ao Rio com seu elegante terno “palha-seda”.

Graças ao futebol apresentado nesse torneio, os uruguaios do Club Atlético Penãrol não perderam tempo e levaram Leônidas para brilhar nos gramados da república celeste oriental.

Depois da rápida aventura no Uruguai, Leônidas voltou ao Rio de Janeiro com seu elegante terno “palha-seda” e sapatos brancos. Foi campeão carioca pelo Club de Regatas Vasco da Gama e partiu para disputar o mundial de 1934.

De volta ao Brasil, Leônidas acertou suas bases financeiras com o Botafogo de Futebol e Regatas e novamente faturou o certame carioca.

No entanto, uma manobra da cartolagem o levou para o Clube de Regatas do Flamengo. Tantas transferências em tão pouco tempo o causaram mais dissabores do que propriamente dinheiro no bolso.

Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo.

Sua imagem foi envolvida por uma carapaça de mercenário pelos torcedores, que aplaudiram sua prisão por oito meses em razão da falsificação do próprio certificado militar.

Refeito do castigo, Leônidas explodiu em seu talento jogando no Rubro-Negro. Chamado de “Homem Borracha” pelas jogadas de efeito e principalmente pelas bicicletas que aplicava de maneira quase suicida, Leônidas foi campeão do Torneio Aberto de 1936.

Convocado para a Copa do Mundo de 1938, Leônidas se tornou uma legenda do futebol brasileiro nos gramados da França.

Artilheiro da copa, uma distensão foi responsável por sua ausência na partida contra os italianos, o que foi fatal em nossa eliminação no mundial.

Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 586.

Em 1939 foi campeão carioca pelo Flamengo, clube que só deixaria dois anos depois por conta de desentendimentos com os diretores do clube.

Pelo Flamengo Leônidas atuou em 179 jogos com 113 vitórias, 30 empates, 36 derrotas e 150 gols marcados. Os números fazem parte do Almanaque do Flamengo, de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Sem saber ao certo qual seria o seu destino, Leônidas ouvia atentamente notícias que envolviam seu nome junto ao futebol paulista em março de 1942.

Anunciado pela imprensa como novo reforço do São Paulo Futebol Clube desde o dia 1º de abril, Leônidas estava sem jogar e fora de forma. Muitos acreditavam que ele estava acabado para o futebol.

Crédito: revista O Globo Sportivo.

Acusado novamente de mercenário, agora pelos torcedores do Flamengo, o craque foi contratado pela equipe paulista. Foram 80 contos de Réis pelo passe do jogador e mais outros 200 contos de luvas.

Assim, Leônidas embarcou para São Paulo acompanhado pelo inseparável amigo, o cantor Silvio Caldas.

Enquanto isso, na terra da garoa, um clima misturado de expectativas e críticas esperavam pela chegada do centroavante, que foi chamado pelos torcedores adversários de “Bonde de 200 contos”.

Quando o “cavalo de ferro” se aproximou da Estação do Norte, no bairro do Brás, um imenso mar de chapéus acizentados e braços erguidos recortaram aquela tarde noite de sexta feira, em 10 de abril de 1942.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.

Em 1942 cerca de 10 mil pessoas carregam Leônidas da Silva da Estação da Luz até a sede do São Paulo, na Rua Dom José Gaspar. Crédito: revista Placar.

Aquela multidão de aproximadamente 10 mil pessoas queria a qualquer preço erguer seu troféu humano e levá-lo nos ombros, em passeata, até a sede do São Paulo, na Rua Dom José de Barros.

Naqueles tempos do rádio, apenas o presidente Getúlio Vargas e o cantor Orlando Silva contavam com tanto prestígio. Leônidas já era uma celebridade e até relógios eram confeccionados com seu nome.

Uma companhia de tabacos lançou os “Cigarros Leônidas” pagando ao craque pelo uso comercial de seu nome a quantia de 10 contos.

Por bem menos, 3 contos, a Lacta adquiriu a marca “Diamante Negro”, criada depois que o jornalista francês Raymond Thourmagen celebrizou o jogador durante o mundial de 1938.

Leônidas em partida contra o C.A Ypiranga no Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

Leônidas em partida contra o Jabaquara no Pacaembu. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva 1137 – 18 de junho de 1945.

O campeonato paulista já estava em andamento e a comissão técnica do São Paulo preferiu adiar sua estreia até que o mesmo reunisse condições atléticas de entrar em campo.

E isso ocorreu somente em 24 de maio de 1942, justamente em um clássico Majestoso. São Paulo e Corinthians empataram em 3×3 no estádio do Pacaembu para 70.000 pessoas.

Com Leônidas no time, o tricolor ganhou o respeito de que precisava para se firmar entre os maiores clubes paulistas.

Leônidas ofereceu sua importante contribuição na conquista do campeonato de 1943 e também nas marcantes campanhas de dois bicampeonatos em 1945 e 1946 e depois, em 1948 e 1949.

Leônidas e Graham Bell da Portuguesa Santista. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1140.

Jogando pelo São Paulo, o Diamante Negro atuou em 210 partidas com 136 vitórias, 36 empates, 38 derrotas e 142 gols marcados. Os dados fazem parte do Almanaque do São Paulo de autoria de Alexandre da Costa.

Leônidas deixou oficialmente dos gramados no dia 4 de janeiro de 1950, em uma partida válida pelo Torneio Rio–São Paulo, quando o seu tricolor derrubou o Botafogo pelo placar de 5×4.

A bicicleta, propriamente dita, foi registrada pela última vez dois anos antes, em novembro de 1948, na goleada aplicada diante do Juventus no estádio do Pacaembu.

Em seguida Leônidas iniciou sua carreira de treinador no próprio São Paulo. Posteriormente, continuou ligado ao futebol como comentarista de rádio e televisão durante quase vinte anos.

Leônidas da Silva faleceu no dia 24 de janeiro de 2004 em São Paulo. O atacante sofria do mal de Alzheimer.

Crédito: revista O Globo Sportivo.

A bicicleta imortalizada de Leônidas contra o Juventus no Pacaembu. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Celso Kinjô e Marcos Rey), revista Esporte Ilustrado, revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, revista O Cruzeiro, museudosesportes.blogspot.com, oglobo.globo.com, globoesporte.globo.com, literaturanaarquibancada.com, flamengo.com.br, saopaulofc.net, Jornal A Gazeta Esportiva, Livro: Diamante Negro – Biografia de Leônidas da Silva – André Ribeiro – CIA DOS LIVROS, Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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