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Na Rua Santa Elvira, no Parque São Jorge, Servílio cuidava do negócio que inaugurou em 1969, o Bar & Lanches Dog Zingara. Entre um lanche e outro, os fregueses não o deixavam esquecer de seu passado nos gramados.

Filho do famoso atacante Servílio de Jesus, que fez sucesso no Corinthians nos anos 40 e que também ficou conhecido como “Bailarino“, Servílio de Jesus Filho nasceu em 15 de outubro de 1939, na capital paulista.

Servílio iniciou sua carreira na Associação Portuguesa de Desportos em 1955. 

Antes de chegar aos quadros amadores da Portuguesa de Desportos, o jovem Servílio foi treinar no Corinthians, mas o técnico José Castelli, o famoso Rato, não o aproveitou.

Depois de algum tempo, seu pai o levou para jogar em um time chamado Veterano Paulista, uma equipe formada por ex-jogadores.

Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Crédito: revista do Esporte número 150 – Janeiro de 1962.

Em uma partida do Veterano Paulista contra o juvenil da Portuguesa de Desportos, Servílio foi observado pelo técnico Noronha, que prontamente o encaminhou para testes na Lusa.

Em 1957 foi cedido por empréstimo para a ADA (Associação Desportiva Araraquara), onde foi profissionalizado. Voltou para a Lusa em 1958 e permaneceu por mais cinco temporadas.

Servílio era um atacante técnico, que aproveitava de sua boa estatura para marcar muitos gols de cabeça. Seus movimentos elegantes e toques inteligentes, não o poupavam das críticas por sua notável lentidão.

Seu primeiro gol pela Portuguesa foi marcado na derrota de 2×1 para o América do Rio de Janeiro, compromisso realizado em 1º de março de 1958 pelo Torneio Rio-São Paulo.

No campeonato paulista, o primeiro gol aconteceu em 31 de agosto de 1958, no empate em 2×2 contra o Taubaté.

Crédito: revista do Esporte número 195 – 1 de dezembro de 1962.

Em 1959 Servílio foi vice-artilheiro do campeonato paulista com 34 gols, sendo superado apenas por Pelé, que marcou 44 vezes.

Nesse mesmo ano, o atacante da Portuguesa de Desportos conseguiu marcar 15 gols em 3 partidas, uma incrível média de 5 gols por jogo!

A temporada de 1960 foi muito proveitosa. O quadro rubro-verde ficou com o vice-campeonato estadual. Além desse feito, Servílio também foi o artilheiro do selecionado paulista que disputou o tradicional campeonato brasileiro de seleções.

Seu gol mais importante no campeonato brasileiro de seleções foi marcado na vitória contra o selecionado carioca por 2×1, no Maracanã.

Enquanto jogou pela Portuguesa, Servílio fez duas partidas pela Seleção Brasileira. Na Copa Roca de 1960 participou da vitória sobre a Argentina por 4×1, em Buenos Aires, quando inclusive marcou o gol da vitória na prorrogação.

Forte ataque do selecionado paulista. Partindo da esquerda; Julinho Botelho, Pelé, Servílio, Chinesinho e Pepe. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Crédito: revista do Esporte número 217 – 4 de maio de 1963.

Em 1961 excursionou com a Portuguesa de Desportos pela Bolívia, em uma campanha invicta com 9 gols marcados. Na vitória de 4×0 sobre o Always Sport, Servílio foi o autor de 3 gols.

Em 20 de fevereiro de 1963, seu passe foi negociado com a Sociedade Esportiva Palmeiras pela quantia de 20 milhões de cruzeiros. No time esmeraldino, o atacante continuou em sua perseguição pessoal pela artilharia.

Na temporada de 1963, Servílio marcou 21 gols, um a menos que Pelé, quando finalmente conseguiu seu primeiro título estadual, o que impediu o quarto título seguido do time da Vila Belmiro.

Em 1965 participou da campanha da conquista do Torneio Rio-São Paulo. No ano seguinte faturou novamente o campeonato paulista, ao quebrar mais uma vez o roteiro de conquistas do Santos.

Ainda em 1966, seu nome esteve presente na enorme lista de jogadores convocados no período de preparação para o mundial da Inglaterra em 1966. Porém, uma contusão no joelho impediu o seu aproveitamento na Copa do Mundo.

Crédito: revista do Esporte número 217 – 4 de maio de 1963.

Servílio e Tupãzinho. Crédito: revista do Esporte número 323 – 1965.

Na Seleção Brasileira Servílio participou ao todo de 10 compromissos. Foram 8 vitórias, 1 empate, 1 derrota e 6 gols marcados. Os números foram publicados no livro “Seleção Brasileira-90 anos”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Pelo Palmeiras, Servílio realizou 289 partidas com 182 vitórias, 59 empates, 48 derrotas e 140 gols marcados. Os dados fazem parte do Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Além do campeonato paulista e do Torneio Rio-São Paulo, Servílio faturou também os títulos da Torneio Roberto Gomes Pedrosa e da Taça Brasil, ambos em 1967.

A última competição importante de Servílio no Palmeiras foi na Taça Libertadores da América em 1968, quando o alviverde ficou com o vice-campeonato.

Com o fim do ciclo no Palmeiras, Servílio foi transferido para o Sport Club Corinthians Paulista em 1969. Porém, nem de longe lembrava o centroavante “matador” dos tempos da Academia do Palmeiras.

Ditão e Servílio em mais um “Derby” no Pacaembu. Crédito: revista do Esporte número 422 – Abril de 1967.

A recepção no Corinthians foi muito boa, mas a falta de títulos pesou demais em seu rendimento. Ao longo de sua permanência no Parque São Jorge, Servílio quase sempre foi utilizado como uma boa opção no segundo tempo.

Apesar da grande esperança da Fiel Torcida, seus números foram apenas modestos. Foram 36 jogos com 17 vitórias, 7 empates, 12 derrotas e 3 gols marcados. Os dados fazem parte do Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Em 1971 Servílio foi para o México. Ao final do contrato com o Atlas, o atacante voltou ao Brasil para jogar no Paulista de Jundiaí e no Nacional da Rua Comendador de Souza.

Em 1973 optou por mais uma experiência fora do Brasil, no Valência da Venezuela, onde permaneceu por apenas um mês.

Servílio ainda continuou no futebol e treinou o XV de Piracicaba, o Aliança de São Bernardo e o ABC de Natal. O artilheiro faleceu no dia 7 de junho de 2005 na cidade de São Paulo.

Maio de 1968 no Pacaembu. O gol anulado de Servílio na vitória do Palmeiras por 3×1 sobre o Estudiantes da Argentina, partida válida pela Libertadores da América. Crédito: revista El Gráfico.

Servílio é apresentado no Corinthians. Crédito: gazetaesportiva.net.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista El Gráfico, Jornal A Gazeta Esportiva, associacaoportuguesadesportos.blogspot.com.br, camisa12.esp.br. (por Ariovaldo Izac), campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, museudosesportes.blogspot.com.br, palmeiras.com.br, sitedalusa.com, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians- Celso Dario Unzelte, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Livro: Seleção Brasileira-90 anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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