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Ele mostrou ao mundo como se deve levantar uma Copa do Mundo. Sua imagem, erguendo o troféu Jules Rimet, permanece imortalizada em frente ao portão principal do Estádio do Maracanã.

Tardes de Pacaembu retrata em sua página de hoje algumas linhas da carreira de Hideraldo Luís Bellini, nascido no dia 7 de junho de 1930, em Itapira (SP).

Bellini foi o décimo primeiro dos doze filhos do imigrante italiano Hermínio Bellini, um homem de músculos e temperamento forte, que sustentava a família trabalhando duro como carroceiro pelas ruas.

Ainda adolescente, o jovem Bellini iniciou sua notável jornada como zagueiro em 1946, nas categorias amadoras da Sociedade Esportiva Itapirense.

Bellini, em destaque, na Esportiva Sanjoanense. Crédito: cacellain.com.br.

Crédito: revista O Cruzeiro.

Em 1949 foi descoberto pelo olheiro Mauro Xavier da Silva, que o levou para jogar pela Sociedade Esportiva Sanjoanense, que na época contava em suas fileiras com um tal de Mauro Ramos de Oliveira.

Mauro, que também ainda nem sonhava em ser famoso, fazia parte do time que bravamente representava a cidade no campeonato paulista da Segunda Divisão.

Bellini era dono de um estilo de jogo sério e muita vontade, tanta vontade que seu ímpeto o fazia chegar duro demais em algumas jogadas.

No findar de 1951, o Club de Regatas Vasco da Gama se antecipou aos clubes paulistas e oficializou seu interesse pelos direitos de Bellini.

O negócio foi fechado somente no mês de fevereiro de 1952, quando o jogador foi apresentado nas dependências do clube da “Colina”.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 194 – 1961.

Crédito: revista do Esporte número 110 – 15 de abril de 1961.

Os torcedores do Vasco logo se assustaram com o jeitão caipira do rapaz, que ousava buscar seu lugar em um time de jogadores consagrados; como Ademir Marques de Menezes, Augusto, Danilo Alvim, Eli do Amparo e o goleiro Barbosa.

E Cyro Aranha, recém empossado no gabinete da presidência do clube, não escondia sua indignação com o quadro diretivo anterior.

Afinal, quem tinha contratado aquele desconhecido “becão”, ainda um tanto desengonçado e que dava chutões sem pensar duas vezes?

Nas conversas reservadas com o técnico Flávio Costa, Cyro Aranha foi enfático:

– O Senhor me avise quando for escalar esse novato para que eu tenha tempo de não ir até São Januário!

Com a Taça Jules Rimet, Bellini posa ao lado de Adalgisa Colombo, Miss Brasil 1958. Crédito: revista O Cruzeiro – Edição Especial – Setembro de 1958.

Crédito: reprodução Anuário de Ouro 1959 – revista Manchete Esportiva.

Em pouco tempo, Flávio Costa foi percebendo muitas qualidades em Bellini. Aos poucos entregou ao moço de Itapira sua total confiança e o escalou entre os titulares.

Morando na própria concentração de São Januário, Bellini acordava cedo. Treinava duro e ouvia atentamente os conselhos do técnico vice campeão do mundo de 1950:

– Continue rebatendo todas. Se necessário bata na bola de bico mesmo… O último craque em sua posição foi o Domingos da Guia!

Naqueles tempos, imperavam os valentes e não existia lugar para os zagueiros considerados clássicos.

Todos davam de bico na bola, entrando nas divididas para rachar. Embora somente os zagueiros levassem a fama de “botinudos”, era comum que terminassem os jogos com suas pernas tão marcadas quanto os atacantes.

Crédito: revista do Esporte número 9 – 9 de maio de 1959.

Crédito: revista do Esporte número 137 – Outubro de 1961.

É bom saber que Bellini nunca quebrou ninguém. Ao contrário. Em seus tempos de Vasco, o zagueiro teve o *malar afundado e um menisco rompido. *Malar: Também conhecido como “osso da bochecha”, ou forma conhecida como “maçãs” do rosto.

“Na defesa, Bellini chutava até a bola“ – Nelson Rodrigues.

Bellini só não ia regularmente para o Departamento Médico por sua excepcional condição atlética. Seu apelido, tanto no Vasco quanto na seleção, era “Boi”, um sinônimo de força, trabalho e resistência.

Não demorou para o incrédulo Cyro Aranha perceber que estava muito enganado. Durante sua permanência no Vasco, Bellini conquistou três títulos estaduais em 1952, 1956 e 1958, além do Torneio Rio São Paulo, também em 1958.

E tão enganado estava Cyro Aranha, que Bellini chegou ao escrete nacional com credenciais suficientes para ser o capitão no mundial da Suécia em 1958.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

No dia em que levantou o troféu Jules Rimet, Bellini contava com 28 anos, aniversário completado três semanas antes, no dia 7 de junho, na véspera do primeiro jogo do Brasil contra o selecionado da Áustria.

Bellini era solteiro e fazia grande sucesso junto ao público feminino. Mas, dizia-se que o capitão tinha uma noiva em Itapira, o que representava um balde d’água fria no entusiasmo das mocinhas.

Quando o Brasil venceu o mundial do Chile, Mauro Ramos de Oliveira, o novo capitão, repetiu o mesmo gesto de Bellini ao levantar a taça.

A imagem de Bellini, levantando o troféu acima da cabeça foi reproduzida em bronze. A estátua, uma homenagem aos “bicampeões do mundo”, foi colocada na entrada principal do Estádio do Maracanã.

A peça foi uma iniciativa do empresário carioca Abraão Medina, dono das lojas de eletrodomésticos “O Rei da Voz”. Ainda pela Seleção Brasileira Bellini disputou o mundial de 1966. Ao todo, foram 57 partidas com 42 vitórias, 11 empates e 4 derrotas.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Partindo da esquerda; Benê, Bellini e Silva do Corinthians, em clássico disputado no Morumbi ainda em construção. Crédito: revista do Esporte número 186 – Setembro de 1962.

Conforme publicado no livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Bellini levantou os seguintes canecos com a camisa canarinho:

– Copa Roca (1957 e 1960), Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962), Copa do Mundo (1958 e 1962), Taça Bernardo O´Higgins (1959) e Taça do Atlântico (1960).

Em 1962 seu passe foi negociado com o São Paulo Futebol Clube. No começo, Bellini estranhou bastante o futebol paulista, muito mais pegado e diferente do estilo cadenciado praticado nos gramados do Rio de janeiro.

Defendendo o time do Morumbi, Bellini não conquistou títulos, já que na época o tricolor paulista estava finalizando o estádio e o Departamento de Futebol passava por um período de “vacas magras”.

Quando Jofre Cabral e Silva foi eleito presidente do Clube Atlético Paranaense, o compromisso de formar um time forte foi assumido publicamente. Era preciso projetar o nome do Atlético no cenário nacional.

Crédito: revista do Esporte número 292 – 1964.

Visionário, Jofre Cabral resolveu apostar em grandes craques do futebol brasileiro, alguns com passagem até pela Seleção Brasileira. Assim, em 1968, Bellini aceitou a proposta do time Paranaense.

Na época, o Atlético era uma equipe um tanto desconhecida da maioria dos torcedores paulistas. Junto com Bellini, outro veterano, Djalma Santos, também embarcou no mesmo desafio.

Na capital paranaense, Bellini permaneceu por quase três anos. Em seguida, já com 40 anos de idade, o capitão ainda exibia uma grande forma física graças aos hábitos regrados.

Bellini jogou pelo “Furacão” com o mesmo sentido de responsabilidade de quando era um iniciante. Depois do título estadual de 1970, Bellini decidiu deixar o futebol profissional.

Continuou jogando pelo Milionários em partidas de exibição e também no Torneio “Desafio ao Galo”, programa exibido ao vivo pela TV Record nos anos 70. Bellini faleceu no dia 20 de março de 2014.

Figurinha de Bellini no Atlético Paranaense. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Esporte Paranaense número 4 – Agosto de 1969.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Hideki Takizawa e Paolino Senra), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Esporte Paranaense, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mundo Ilustrado, revista O Cruzeiro, revistabrasileiros.com.br (por Ruy Castro), cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, esporte.uol.com.br, gazetaesportiva.net, kikedabola.blogspot.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, netvasco.com.br, site do Milton Neves, vasco.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, Livro: Seleção Brasileira – 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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