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Ele mostrou ao mundo como se deve erguer uma Copa do Mundo. Sua imagem, erguendo o troféu Jules Rimet, permanece imortalizada em frente ao portão principal do estádio do Maracanã.

Tardes de Pacaembu retrata em sua página de hoje, algumas linhas da carreira de Hideraldo Luís Bellini, nascido no dia 7 de junho de 1930 em Itapira (SP).

Bellini foi o décimo primeiro dos doze filhos do imigrante italiano Hermínio Bellini, um homem de músculos e temperamento forte que criou sua família trabalhando como carroceiro.

Ainda adolescente, o jovem Bellini iniciou sua notável jornada como zagueiro da Sociedade Esportiva Itapirense em 1946.

Bellini, em destaque, na Esportiva Sanjoanense. Crédito: cacellain.com.br.

Bellini, em destaque, na Esportiva Sanjoanense. Crédito: cacellain.com.br.

Crédito: revista do Esporte número 137 – Outubro de 1961.

Crédito: revista do Esporte número 137 – Outubro de 1961.

Pouco depois, em 1949, foi descoberto pelo olheiro Mauro Xavier da Silva, que o levou para jogar pela Sociedade Esportiva Sanjoanense, que contava em suas fileiras com um tal de Mauro Ramos de Oliveira.

Mauro, que também ainda não era famoso, integrava o time que bravamente representava o futebol da cidade de São João da Boa Vista no campeonato paulista da segunda divisão.

Bellini era dono de um estilo de jogo sério e dotado de muita voluntariedade, tanta voluntariedade que, ora ou outra, seu ímpeto o fazia chegar duro demais em algumas jogadas.

No findar de 1951, o Club de Regatas Vasco da Gama se antecipou aos clubes paulistas, oficializando assim seu interesse pelos direitos federativos de Bellini.

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Crédito: revista do Esporte número 110.

Crédito: revista do Esporte número 110.

O negócio foi fechado somente no mês de fevereiro de 1952, quando o jogador foi apresentado nas dependências do clube da “Colina”.

Os torcedores do Vasco logo se assustaram com o jeitão caipira daquele garoto que ousava encontrar um lugar no time que tinha nomes consagrados como Danilo, Augusto, Ademir Menezes, Eli do Amparo e o goleiro Barbosa.

Cyro Aranha, que tinha acabado de assumir o gabinete da presidência do clube cruzmaltino no final de 1951, mostrava claramente sua indignação com o quadro diretivo anterior.

Afinal, quem tinha contratado aquele desconhecido “becão”, ainda um tanto desengonçado e que dava seus chutões sem pensar duas vezes?

Crédito: revista O Cruzeiro - Setembro de 1958.

Crédito: revista O Cruzeiro – Setembro de 1958.

Nas conversas reservadas com o técnico Flávio Costa, Cyro Aranha foi enfático:

– O Senhor me avise quando for escalar esse novato para que eu tenha tempo de não ir até São Januário!

Em pouco tempo, Flávio Costa foi percebendo muitas qualidades em Bellini. Aos poucos, entregou ao moço grandalhão de Itapira sua total confiança e o escalou entre os titulares.

Morando na própria concentração de São Januário, Bellini dormia e acordava cedo. Treinava duro e ouvia atentamente os conselhos do técnico vice campeão do mundo de 1950:

– Continue rebatendo todas… Se necessário bata na bola de bico mesmo… O último craque em sua posição foi o Domingos da Guia!

Crédito: revista do Esporte número 9 – 9 de maio de 1959.

Crédito: revista do Esporte número 9 – 9 de maio de 1959.

Naqueles tempos, imperavam os valentes e não existia lugar para os zagueiros considerados clássicos.

Tanto os atacantes quanto os defensores, davam de bico na bola, entrando nas divididas para rachar e, embora apenas os zagueiros levassem a fama de cruéis, era comum que terminassem os jogos com suas pernas tão rasgadas e marcadas quanto os atacantes.

É bom saber que Bellini nunca quebrou ninguém. Ao contrário, ele é que, em seus tempos de Vasco, teve o *malar afundado e um menisco rompido. *Malar: Também conhecido como “Osso da Bochecha”, ou forma conhecida como “maçãs” do rosto.

“Na defesa, Bellini chutava até a bola“ – Nelson Rodrigues.

Bellini só não ia regularmente para o estaleiro por sua excepcional condição atlética. Seu apelido, tanto no Vasco quanto na seleção, era “Boi”, um sinônimo de força, trabalho e resistência.

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Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 194 – 1961.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 194 – 1961.

Não demorou para o incrédulo Cyro Aranha perceber que estava muito enganado. Durante sua permanência no Vasco, Bellini conquistou três títulos estaduais em 1952, 1956 e 1958.

E tão enganado estava que Bellini chegou ao escrete nacional com credenciais suficientes para ser o nosso capitão durante o mundial da Suécia em 1958.

No dia em que levantou o troféu Jules Rimet, Bellini contava com 28 anos, completados três semanas antes, no dia 7 de junho, na véspera do primeiro jogo do Brasil na Copa contra o selecionado da Áustria.

Bellini era solteiro e fazia grande sucesso junto ao público feminino. Mas, dizia-se que o capitão tinha uma noiva em Itapira (180 quilômetros de São Paulo), o que jogava um balde d’água no entusiasmo das mocinhas.

Crédito: revista do Esporte número 144 - Dezembro de 1961.

Crédito: revista do Esporte número 144 – Dezembro de 1961.

Quando o Brasil venceu o mundial do Chile, Mauro Ramos de Oliveira, o novo capitão, repetiu o mesmo gesto de Bellini ao levantar a taça.

A imagem de Bellini, levantando o troféu acima da cabeça foi reproduzida em bronze. A estátua, uma homenagem aos “bicampeões do mundo”, foi colocada na entrada principal do estádio do Maracanã.

A peça foi uma iniciativa do empresário carioca Abraão Medina, dono das lojas de eletrodomésticos “O Rei da Voz”.

Pela Seleção Brasileira Bellini atuou também no mundial de 1966. Ao todo, foram 57 partidas disputadas com 42 vitórias, 11 empates e 4 derrotas.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Conforme publicado no livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, dos autores Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf, Editora MAUAD, Bellini levantou os seguintes canecos com o uniforme canarinho:

– Copa Roca (1957 e 1960), Taça Oswaldo Cruz (1958, 1961 e 1962), Copa do Mundo (1958 e 1962), Taça Bernardo O´Higgins (1959) e Taça do Atlântico (1960).

Em 1962 seu passe foi negociado com o São Paulo Futebol Clube. No começo, Bellini estranhou bastante o futebol paulista, muito mais pegado e diferente do estilo cadenciado praticado nos gramados do Rio de janeiro.

Defendendo o time do Morumbi não conquistou nenhum título, já que naquela época o tricolor paulista estava finalizando seu estádio e o departamento de futebol passava por um período de “vacas magras”.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Partindo da esquerda, vemos Benê, Bellini e Silva do Corinthians, em clássico disputado no Morumbi ainda em construção. Crédito: revista do Esporte número 186 - Setembro de 1962.

Partindo da esquerda, vemos Benê, Bellini e Silva do Corinthians, em clássico disputado no Morumbi ainda em construção. Crédito: revista do Esporte número 186 – Setembro de 1962.

Quando o senhor Jofre Cabral e Silva foi eleito presidente do Clube Atlético Paranaense, em 1967, assumiu o compromisso de formar um time capaz de projetar o nome do clube no cenário nacional.

Visionário, Jofre resolveu trazer grandes craques do futebol brasileiro, alguns com passagem até pela Seleção Brasileira.

Assim em 1968, Bellini, que estava um tanto descontente com sua situação financeira dentro do Morumbi, acabou arriscando tudo ao aceitar uma proposta do Atlético Paranaense.

Na época, o Atlético era uma equipe um tanto desconhecida da maioria dos torcedores paulistas. Junto com ele, outro veterano, Djalma Santos, também embarcou no mesmo desafio.

Crédito: revista do Esporte número 292 – 1964.

Crédito: revista do Esporte número 292 – 1964.

Na capital paranaense, Bellini atuou por quase três anos. Em seguida, já com 40 anos de idade, ainda exibia uma grande forma física graças aos hábitos regrados com os compromissos extra-campo.

O capitão atuou no “Furacão” com o mesmo sentido de responsabilidade de quando era um iniciante, exibindo um futebol sério e passando segurança aos companheiros. Depois do título estadual de 1970, decidiu pendurar suas chuteiras.

Continuou no futebol jogando por equipes como o Milionários em partidas de exibição e também no antigo Torneio “Desafio ao Galo”, exibido ao vivo pela TV Record nos anos setenta.

Bellini nos deixou na quinta feira de 20 de março de 2014. Siga em paz capitão. Seu dever foi muito bem cumprido!

Figurinha de Bellini no Atlético Paranaense. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Figurinha de Bellini no Atlético Paranaense. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Esporte Paranaense número 4 - Agosto de 1969.

Crédito: revista Esporte Paranaense número 4 – Agosto de 1969.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão, Hideki Takizawa e Paolino Senra), revista Esporte Ilustrado, revista do Esporte, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Paranaense, revistabrasileiros.com.br (entrevista de Ruy Castro), revista Mundo Ilustrado, gazetaesportiva.net, esporte.uol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, furacao.com, netvasco.com.br, kikedabola.blogspot.com.br, ftt-futeboldetodosostempos.com, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, cacellain.com.br, site do Milton Neves.

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