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Na segunda feira de 11 de fevereiro de 1924 José Lázaro Robles nasceu no tradicional bairro da Mooca, Zona Leste da capital paulista. 

Naquele tempo a Mooca era um reduto fabril da cidade de São Paulo, tradicionalmente marcado pela presença de imigrantes que buscavam trabalho e, aos finais de semana, respiravam futebol nos inúmeros campos amadores da região.

“O Garoto”, como o Juventus era carinhosamente apelidado pelo jornalista Tomáz Mazzoni era uma das principais “portas de entrada” para os rapazes que buscavam algo mais substancial no cenário da bola.

No despertar dos anos quarenta a família Robles era um verdadeiro sinônimo de craques, tanto que Arnaldo Robles, o irmão mais velho, apelidado de “Pinga Fogo”, rapidamente se firmou no juvenil da Associação Portuguesa de Desportos.

Pinga começou sua carreira no Juventus.

E não custou muito para que Arnaldo Robles fosse aproveitado na equipe principal da Lusa.

Com moral elevada dentro do clube, Arnaldo levou para a Portuguesa seu irmão três anos mais novo, José Lázaro, na época um dos destaques do time do Juventus.

Os companheiros, que já tinham se acostumado a chamar Arnaldo como “Pinga”, se viram em maus lençóis quando tiveram que conviver com um outro Pinga.

Além do excelente futebol, os irmãos também eram muito parecidos fisicamente, diferenciados basicamente pela estatura.

Pinga, o José Lázaro Robles. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Pinga II e Pinga I. Os irmãos Pinga quando jogavam na Portuguesa de Desportos em 1947. Eles faziam sucesso no ataque da Lusa! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 484 – 17 de julho de 1947.

Com passar do tempo José Lázaro passou a ser chamado de “Pinga I” enquanto Arnaldo, deixou de ser chamado de “Pinga Fogo” para ser apelidado de “Pinga II”.

Com a transferência de Pinga II para o time da Rua Javari os irmãos Robles acabaram se enfrentando em 1944, quando o time da Mooca levou a melhor sobre a Lusa vencendo pelo placar de 2×0.

Pinga I ficou tão transtornado com aquela derrota que nem apareceu para jantar em casa. Só voltou bem tarde, depois que se certificou que todos já estavam na cama.

A rivalidade entre os dois acabou alguns anos depois, quando Arnaldo Robles voltou para a Portuguesa e finalmente os irmãos Robles puderam jogar juntos.

Os irmãos Pinga II e Pinga I. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1342 – 07 de junho de 1947.

Com o passar do tempo José Lázaro (Pinga I) acabou perdendo o numerador que inicialmente o distinguia de seu irmão Arnaldo (Pinga II).

Ao lado de Julinho Botelho, Renato, Nininho e Simão, Pinga fez parte de uma das linhas de ataque mais famosas do início dos anos cinquenta.

Meia esquerda de arrancadas fulminantes e possuidor de um chute quase sempre inapelável com seu pé esquerdo, Pinga rapidamente chegou ao selecionado paulista.

Sua primeira convocação para o escrete nacional aconteceu em 1949. No entanto, seu nome não foi relacionado para o mundial de 1950, temporada em que foi o artilheiro do campeonato paulista com 22 tentos.

Figurinha carimbada de Pinga na Portuguesa. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Mesmo com a relevante conquista da “Fita Azul” de 1951, o ano de ouro de sua carreira foi mesmo 1952.

Pinga foi campeão e artilheiro do Torneio Rio-São Paulo pela Portuguesa, campeão brasileiro pela seleção paulista e, principalmente, campeão Pan-Americano no Chile.

Foi o primeiro título do Brasil no exterior, uma espécie de redenção do futebol brasileiro depois do desastre de 1950. Naquela campanha vitoriosa destacamos o importante papel de Pinga.

Com o passe bastante valorizado, os diretores da Lusa sabiam que não tinham como segurar Pinga em seu elenco por muito tempo. 

Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva número 80.

Seleção Brasileira em 1954. Em pé: Djalma Santos, Brandãozinho, Castilho, Nilton Santos, Pinheiro e Bauer. Agachados: Massagista Mário Américo, Julinho Botelho, Didi, Baltazar, Pinga e Rodrigues Tatu. Crédito: soccernostalgia.blogspot.com.br.

O Vasco da Gama não perdeu tempo e se antecipou ao interesse de alguns clubes da capital paulista levando o meia esquerda para São Januário em 1953, na mais cara transação do futebol brasileiro registrada até aquela data.

Pinga se despediu da camisa Rubro-Verde como o maior artilheiro da história do clube, marcando 202 gols em 270 jogos entre os anos de 1944 e 1953. Uma excelente média de 0,75 gol por partida.

Pinga retribuiu o alto investimento do clube da “Colina” com excelentes participações na conquista do Torneio Octogonal Rivadavia Correia Meyer, disputado nas cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Pinga foi o autor de 2 gols na partida final em que o Vasco derrotou o São Paulo por 2×1 no estádio do Maracanã. Em 1954 participou de sua primeira Copa do Mundo disputada na Suíça.

Crédito: revista do Esporte número 130 – Setembro de 1961.

Porém, nossa seleção foi eliminada nas quartas de final pela poderosa seleção da Hungria por 4×2, na partida que ficou conhecida como “A Batalha de Berna”.

Em 1956 Pinga foi campeão estadual e acabou deslocado para a ponta esquerda pelo técnico Martim Francisco. Apesar de contar com 32 anos de idade sua velocidade ainda impressionava.

No ano seguinte, em 1957, Pinga integrou o grupo vascaíno que realizou uma excursão vitoriosa ao continente europeu e conquistou o Troféu Tereza Herrera e o Torneio de Paris.

Em 1958 Pinga foi fundamental no esquema do Vasco nas conquistas do campeonato carioca e do concorrido Torneio Rio São Paulo.

Crédito: revista do Esporte número 165 – Maio de 1962.

Pelo Vasco da Gama Pinga marcou um total de 250 tentos. Em sua época foi o segundo maior artilheiro da história do clube, atrás apenas de Ademir Marques de Menezes.

Permaneceu em São Januário até o ano de 1962. Retornou para São Paulo e novamente acertou com o Juventus, clube que defendeu até 1964 quando encerrou sua carreira.

De glórias, momentos marcantes e conquistas, Pinga não guardou nada. Magoado com o futebol distribuiu todo seu acervo particular junto aos amigos e simpatizantes. (medalhas, faixas, camisas).

Pinga é pai do ex-ponta-esquerda Ziza, que também passou com destaque pelo Juventus (SP), Guarani de Campinas (SP), Botafogo (RJ) e o Atlético Mineiro. 

José Lázaro Robles faleceu no dia 8 de maio de 1996 na cidade de São Paulo (SP).

Pinga retornou ao Juventus para encerrar sua carreira em 1964. Crédito: revista do Esporte número 254.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Dagomir Marquezi), revista Manchete Esportiva, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro, jornal A Gazeta Esportiva, site do Milton Neves, esporte.uol.com.br, folha.uol.com.br, lancenet.com.br, soccernostalgia.blogspot.com.br, osgigantesdacolina.blogspot.com.br, sovascodagama.blogspot.com.br, placar.abril.com.br, sitedalusa.com, associacaoportuguesadesportos.blogspot.com.br, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, memoriafutebol.com.br.

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