Tags

, , , ,

Que curioso futebol tinha Vavá! 

Capaz de passar despercebido em boa parte do jogo, Vavá era um jogador imprevisível e dotado de uma rara capacidade de finalização, ora com suas peitadas, ora com pitadas de raro talento e inteligência. 

Edvaldo Izídio Neto, o popular artilheiro Vavá, que encantou os torcedores no Sport Recife, Vasco da Gama, Atlético de Madrid e Palmeiras, nasceu em Recife (PE), no dia 12 de novembro de 1934.

Começou sua carreira em 1948 como meia de armação nas categorias amadoras do Sport Club do Recife. Em 1949 faturou seu primeiro título na categoria juvenil.

Sua técnica, contestada por alguns críticos, era compensada com muita coragem e oportunismo. Características que lhe renderam mais tarde o apelido de “Peito de Aço”.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 926 – 5 de janeiro de 1956.

As contusões, relativamente freqüentes no início da carreira, não o impediam de continuar enfiando o pé com vontade nas bolas divididas.

Em meados de 1950 foi aproveitado pela primeira vez como centroavante, posição onde foi prontamente reconhecido pelo inegável faro de gol. Suas valentes e destemidas arrancadas o levaram ao Club de Regatas Vasco da Gama em 1952.

Pouco depois de sua chegada em São Januário, o técnico Gentil Cardoso o efetivou na posição de centroavante. Todavia, algumas fontes creditam essa alteração ao técnico Flávio Costa.

No mesmo ano, Vavá foi convocado para o selecionado olímpico nos jogos em Helsinque na Finlândia. Foram 3 participações com 2 vitórias, 1 derrota e 1 gol marcado.

Crédito: reprodução revista Manchete Esportiva número 18.

Com pouco tempo de clube, Vavá participou da partida decisiva do campeonato carioca de 1952. O confronto contra o Bangu foi realizado somente em 18 de janeiro de 1953.

O técnico Gentil Cardoso tinha dificuldades para escalar o time em razão de contusão de alguns titulares. Assim, Vavá foi escalado e marcou o gol do título na vitória por 2×1.

Abaixo, os registros da partida decisiva do campeonato carioca de 1952:

Domingo, 18 de janeiro de 1953 – Campeonato carioca – Vasco da Gama 2×1 Bangu – Estádio do Maracanã – Árbitro: Alberto da Gama Malcher – Gols: Ipojucan aos 27’ e Zizinho aos 43’ do primeiro tempo; depois Vavá aos 4′ do segundo tempo. 

Vasco da Gama: Barbosa, Augusto e Haroldo; Eli, Danilo e Jorge; Sabará, Vavá, Ademir, Ipojucan e Chico. Técnico: Gentil Cardoso. Bangu: Fernando, Rafagnelli e Tórbis; Djalma, Lito e Pinguela; Moacir Bueno, Décio Esteves, Zizinho, Menezes e Nívio. Técnico: Ondino Vieira. 

Crédito: revista Manchete Esportiva número 78 – 18 de maio de 1957.

Vavá, camisa 20, comemora o gol de empate do Brasil contra a Suécia. Partida final da Copa do Mundo de 1958. Crédito: gazetaesportiva.net.

Naqueles tempos, o ataque titular do Vasco da Gama era formado por Edmur, Ipojucan, Ademir, Maneca e Chico. Mas não demorou para Vavá encontrar seu lugar ao lado de Ademir Menezes. Foram 191 gols marcados enquanto jogou pelo Vasco.

Os gols de Vavá foram determinantes na conquista do título carioca em 1956. Faturou também o Torneio Rio-São Paulo de 1958, além de importantes competições internacionais contra os principais times do mundo.

Na primeira edição do Torneio de Paris, disputado em 1957 na França, o quadro Cruzmaltino derrotou o Real Madrid na decisão do Torneio de Paris por 4×3.

O Real Madrid da época foi considerado um dos melhores times do mundo, contando inclusive com nomes importantes como Di Stefano e Kopa. No mesmo ano, o Vasco faturou também a Taça Tereza Herrera disputada na Espanha.

Vavá no Atlético de Madrid. Crédito: colchonero.com.

Pelé e Vavá. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Pela Seleção Brasileira principal, sua primeira participação aconteceu em 13 de novembro de 1955 no Maracanã. O Brasil venceu o Paraguai por 3×0, confronto válido pela Taça Oswaldo Cruz.

Convocado pelo técnico Vicente Feola para disputar o mundial da Suécia em 1958, Vavá parecia que não teria muito espaço perto de jogadores de grande prestígio, como Dida, Didi, Joel Martins, Mazzola e Zagallo.

Vavá começou a competição na reserva de José João Altafini, mais conhecido como Mazzola. Contudo; Vavá, Garrincha e Pelé entraram na equipe no decorrer da competição e foram fundamentais para o nosso primeiro título mundial.

Por ser um atacante muito raçudo, Vavá recebeu o apelido de “Leão da Copa”, uma de suas marcas registradas ao longo da carreira.

Com o número 20 nas costas, o “Leão da Copa” marcou 5 gols no mundial de 1958: 2 contra a União Soviética; 1 contra a França e 2 no confronto final diante da Suécia.

Crédito: revista do Esporte número 170 – 1962.

Consagrado e campeão mundial, o Vasco vendeu seu passe para o para o Club Atlético de Madrid, em plena campanha do campeonato carioca de 1958.

No futebol espanhol Vavá disputou quatro temporadas. Com saudades de um bom prato de macarronada, Vavá voltou ao futebol brasileiro em 1961 para jogar pela Sociedade Esportiva Palmeiras.

Ao lado de Julinho Botelho, Chinesinho e ainda Ademir da Guia, que naquele ano chegava ao alviverde, Vavá formou a linha ofensiva da primeira “Academia” do alviverde.

Campeão paulista de 1963, Vavá permaneceu marcando gols pelo Palmeiras até o mês de dezembro de 1964.

Nesse período foram 142 partidas com 90 vitórias, 23 empates, 29 derrotas e 71 gols marcados, uma média de 0,5 gol por partida. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Venditti.

Vavá e Julinho Botelho. Crédito: revista do Esporte número 180 – 18 de agosto de 1962.

Enquanto jogador do Palmeiras, Vavá disputou o mundial de 1962. Na copa vencida no Chile, Vavá marcou 4 gols: 1 diante da Inglaterra, 2 contra o Chile e 1 contra a Checoslováquia.

Pela Seleção Brasileira principal, o atacante realizou um total de 23 jogos com 19 vitórias, 3 empates, 1 derrota e 14 gols marcados. Os números foram publicados no livro “Seleção Brasileira 90 anos”, dos autores Antonio Napoleão e Roberto Assaf.

Em 1965 seu passe foi negociado com o Club de Fútbol América do México. Quatro anos depois voltou novamente ao Brasil e encerrou sua carreira profissional na Portuguesa Carioca.

Em 1969 iniciou sua trajetória como treinador na mesma Portuguesa do Rio. Dirigiu ainda equipes na Arábia Saudita, Espanha, Portugal e México. Foi auxiliar de Telê Santana na Seleção Brasileira entre 1980 e 1982. Em 1981 também comandou o time canarinho no Mundial de Juniores.

Edvaldo Izídio Neto faleceu no dia 19 de janeiro de 2002, no Rio de Janeiro, vitimado por problemas cardíacos.

Crédito: revista do Esporte número 238 – 1963.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Helena Junior, Carlos Maranhão, Dagomir Marquezi e Fausto Neto), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista Sétimo Céu, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, colchonero.com, gazetaesportiva.net, kikedabola.blogspot.com.br, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann), vasco.com.br, Livro: Seleção Brasileira 90 anos – Antonio Napoleão e Roberto Assaf, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Venditti.

Anúncios