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Quando o insistente despertador cobrava por um novo dia, Adãozinho esticava o braço e batia com força no indesejável instrumento.

Não muito longe, os companheiros de clube já estavam cansados de esperar por sua presença. Então, em romaria, caminhavam até a casa de Adãozinho na tentativa de libertar o amigo dos braços do Morfeu.

As linhas acima foram retiradas da revista Esporte Ilustrado, trechos que revelam um pouco da juventude do atacante Adãozinho, que fez muito sucesso no futebol gaúcho e carioca.

Adão Nunes Dornelles nasceu na cidade de Porto Alegre (RS), em 2 de abril de 1925.

Com apenas 1;60 de altura e muita habilidade, o parrudo Adãozinho apareceu para o futebol nas equipes da várzea porto-alegrense no findar dos anos 40.

Tesourinha e Adãozinho. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Seu futebol ganhou o merecido destaque quando defendeu o Paraná Futebol Clube e depois o Diário Oficial Futebol Clube. Descoberto por olheiros, Adãozinho foi encaminhado ao Sport Club Internacional em 1943.

Após um curto período de testes no Estádio dos Eucaliptos, Adãozinho foi integrado ao quadro de Aspirantes.

Os companheiros, calejados pelos constantes atrasos nos treinos, o chamavam de “soneca”, principalmente depois que o “causo” das romarias para acordá-lo em casa já não era mais segredo para ninguém.

Apesar de baixinho e relativamente gordinho, Adãozinho era um mestre na arte de proteger a bola.

Crédito: revista Placar.

Pela Seleção Brasileira, Adãozinho participou do elenco que disputou o mundial de 1950. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Adãozinho também era possuidor de uma arrancada que calava os incrédulos, quase sempre iludidos pela baixa estatura e pela barriguinha proeminente do atacante.

Sem muita demora, Adãozinho foi aproveitado no quadro principal e fez parte do time que ficou conhecido como “Rolo Compressor”. Seus primeiros títulos foram os estaduais de 1944 e 1945.

Especialmente nos “Grenais”, o desempenho de Adãozinho era respeitável. Em 30 partidas venceu 19, empatou 7 e perdeu apenas 4; deixando um total de 16 bolas nas malhas gremistas.

Com o sucesso obtido em sua participação no selecionado gaúcho, Adãozinho recebeu suas primeiras convocações para o escrete nacional em 1947. Em seguida foi relacionado para os compromissos da Copa Rio Branco em 1948.

Crédito: revista Esporte Ilustrado.

A transferência milionária de Adãozinho para o Flamengo agitou o futebol carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Ausente do elenco que venceu o campeonato Sul-Americano de 1949, Adãozinho foi convocado pelo técnico Flávio Costa para o mundial de 1950, embora não tenha disputado nenhum compromisso na competição.

Pela Seleção Brasileira Adãozinho disputou somente 3 partidas. Foram 2 confrontos contra o Uruguai em 1947 e 1948 e 1 amistoso contra a Seleção Paulista de Novos em 1950.

Adãozinho raramente comentava algo sobre o que viveu nos bastidores agitados da Copa do Mundo de 1950.

Como não eram permitidas substituições durante os jogos de Copa do Mundo, Adãozinho foi um mero expectador dos acontecimentos que culminaram no desastre do “Maracanazo”.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 668 – 25 de janeiro de 1951.

Adãozinho comemora seu gol em partida contra o Canto do Rio no Maracanã. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 755.

Titular indiscutível no Internacional, Adãozinho ainda faturou os títulos gaúchos de 1947, 1948 e 1950 antes de surgir o forte interesse do Clube de Regatas do Flamengo.

Carregando o status de um dos maiores nomes do futebol gaúcho e vice campeão mundial de 1950, Adãozinho chegou ao ambiente da Gávea no mês de janeiro de 1951.

A transferência, considerada milionária, sacudiu verbetes e manchetes dos principais jornais e revistas esportivas da época.

Sua primeira participação aconteceu no dia 17 de fevereiro no estádio do Maracanã. O Flamengo venceu a Portuguesa de Desportos por 5×2, confronto válido pelo Torneio Rio-São Paulo de 1951.

Com facilidade para virar o corpo e disparar arremates certeiros, Adãozinho foi descrito pelo jornalista e compositor Ary Barroso como um “Atacante Satânico”.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 649 – 1951.

Com o passar do tempo, os atrasos nos treinos e o baixo rendimento foram determinantes para o desencanto dos dirigentes.

Antes mesmo da conquista do título estadual de 1953, Adãozinho foi negociado com o Esporte Clube XV de Novembro de Jaú (SP).

Adãozinho vestiu o uniforme do Flamengo em 96 oportunidades com 53 vitórias, 24 empates, 19 derrotas e 45 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Adãozinho encerrou sua carreira no XV de Jaú. Passou os últimos anos de vida na cidade de Garça, interior de São Paulo, onde faleceu em agosto de 1991.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 644 – 16 de junho de 1951.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Marcelo Rezende), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Correio da Manhã, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, internacional.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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