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William Kepler Santa Rosa, nome imponente de nobre inglês que ficou conhecido no mundo da bola apenas como Esquerdinha, nasceu no dia primeiro de março de 1924, em Belém do Pará.

Com o falecimento de seu pai, ocorrido em 1926, o recém-nascido William embarcou junto com sua mãe para morar na então capital federal, o Rio de Janeiro.

E por ter esse nome tipicamente inglês, Esquerdinha sempre teve vontade de aprender o idioma. Enfiou isso na cabeça e foi em frente. Quando deixou Belém já falava e escrevia com relativa facilidade.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 - 1952.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 673 – 1952.

Esquerdinha (marcado com X) no time infantil do Madureira. Em pé: Tenente Alfredo, Durval, Andorinha, Chalé, Cicinho, Santa Maria, Fiscal e o massagista Mário Américo. Agachados: Zéca, Vavá, Valdir, Jorginho e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Esquerdinha (marcado com X) no time infantil do Madureira. Em pé: Tenente Alfredo, Durval, Andorinha, Chalé, Cicinho, Santa Maria, Fiscal e o massagista Mário Américo. Agachados: Zéca, Vavá, Valdir, Jorginho e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Os primeiros registros de seu aparecimento para o futebol remonta ao tempo em que era aluno do Colégio Visconde de Mauá, compondo o time que se sagrou campeão do torneio escolar disputado entre várias entidades educadoras. 

Na mesma época, em meados de 1941, o ponteiro esquerdo iniciou sua trajetória jogando pelos quadros do infantil do Madureira, passando depois pelas demais categorias até chegar rapidamente ao time principal, na primeira metade dos anos quarenta.

Profissionalizado em 1946, seu passe foi negociado com o Olaria Atlético Clube em 18 de fevereiro de 1948.

Crédito: revista Manchete número 65 – 18 de julho de 1953.

Crédito: revista Manchete número 65 – 18 de julho de 1953.

Rubens e Esquerdinha no Pacaembu. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Rubens e Esquerdinha no Pacaembu. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo. Memória Pública – Jornal Última Hora.

Jogando pelo time “Alvi-Anil” da Rua Bariri, Esquerdinha ganhou um considerável destaque até ser contratado pelo Flamengo, ainda no ano de 1948.

Em 1949, Vevé ainda era o titular da ponta esquerda do Flamengo e dessa forma, Esquerdinha foi cedido novamente ao mesmo Olaria, por empréstimo, para disputar o campeonato carioca.

Esquerdinha se sentia bem no Olaria. Era um dos grandes articuladores daquele time que deu tanto trabalho diante dos grandes esquadrões do futebol carioca.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 653.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 653.

Depois de pouco mais de uma temporada, Esquerdinha deixou o Olaria e retornou definitivamente para o gramado da Gávea em 1951, quando conquistou seu primeiro título, o Torneio Início, fato que se repetiu no ano de 1952.

Com apenas 1;61 de altura e 58 quilos, o franzino e habilidoso Esquerdinha raramente visitava o departamento médico. Com um aproveitamento acima da média, era um dos líderes daquele grupo.

Dono de um chute forte com sua perna canhota, Esquerdinha costumava apoiar com eficiência o setor de meia cancha, tanto na articulação das jogadas como na marcação, papel também exercido por Zagallo, seu sucessor, algum tempo depois.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Manchete.

Crédito: revista Manchete.

Em 1953, depois da chegada do lendário técnico paraguaio Fleitas Solich, o ponteiro efetivou-se como o capitão do quadro Rubro-Negro.

Conquistou vários torneios nacionais e internacionais, além do importante tri-campeonato carioca de 1953/54/55. Também teve significativa participação nas excursões invictas do Flamengo pela Guatemala e pelo continente europeu.

Durante essa excursão, Esquerdinha encantou os suecos pela sua dedicação e consciência tática, sendo homenageado carinhosamente com flores pelos torcedores locais.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 645 – 1951.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 645 – 1951.

O domínio da língua inglesa trouxe facilidades, inclusive para o próprio Flamengo.

Nas excursões, Esquerdinha era o tradutor do time carioca junto aos homens da arbitragem, o que sem dúvida facilitava o time na adaptação das diferenças de estilo de arbitragem praticadas no Brasil e na Europa.

Ao todo, foram 277 partidas disputadas pelo Flamengo, balançando o barbante dos adversários em 110 oportunidades, o que o torna um dos maiores artilheiros da história do clube.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 681.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 681.

Esquerdinha permaneceu jogando pelo Flamengo até o final do ano de 1955, quando deixou os gramados e ensaiou sua carreira de treinador pela Sociedade Esportiva Machadense.

A carreira como técnico não decolou. Talvez, Esquerdinha queria mesmo era continuar ligado ao mundo da bola.

Sempre lembrado pela coletividade Rubro-Negra, Esquerdinha faleceu aos 90 anos de idade, no dia 4 de setembro de 2014, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Partindo da esquerda: Joel, Rubens, Adãozinho, Benitez e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 755 - 25 de setembro de 1952.

Partindo da esquerda: Joel, Rubens, Adãozinho, Benitez e Esquerdinha. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 755 – 25 de setembro de 1952.

Crédito: revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro.

Crédito: revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Manchete (edição especial do Flamengo), revista Esporte Ilustrado (por Charles Guimarães), revista O Globo Sportivo, revista O Cruzeiro – encarte ídolos do futebol brasileiro, flamengo.com.br, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, sosumulas.blogspot.com.br, flanews.com.br, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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