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Não importavam os estragos provocados por um profundo corte na cabeça, por uma fratura no nariz ou mesmo na clavícula. Tomires permanecia no gramado de qualquer maneira!

Superação era uma das marcas registradas desse lateral e zagueiro, que defendeu o Flamengo nos primórdios do Maracanã, no início da década de 1950.

O bravo Tomires de Souza Galvão nasceu no município de Barra do Santo Antônio (AL), em 8 de fevereiro de 1928. (*) A revista do Esporte de 18 de novembro de 1954 registrou seu nascimento em Maceió (AL).

Ainda muito jovem, seu primeiro time foi Clube de Regatas Brasil, popularmente conhecido como CRB, em 1944.

Pelo CRB, Tomires formava dupla de zaga com Miguel Rosas. Já naquela época, a fama de jogar duro rendeu apelidos como “Cangaceiro” e “Lampião”.

O América de Recife. Em pé: Tomires, Sevi, Astrogildo, Geraldo, Zé Paulo e Deca. Agachados: Isaias, Hamilton, Macaquinho, Valeriano e Dárcio. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Para Tomires, pouco importava a gravidade de qualquer ferimento. O importante era jogar pelo Flamengo. Crédito: acervo.oglobo.globo.com.

Tomires era implacável nas divididas e raramente perdoava os atacantes que procuravam abusar das provocações.

Algum tempo depois da conquista do bicampeonato alagoano de 1950 e 1951, Tomires foi negociado com o América Futebol Clube de Recife, onde assinou seu primeiro compromisso profissional.

A permanência no América foi curta, mas o suficiente para conquistar o vice-campeonato pernambucano de 1952 e a Taça Benjamim Gonçalves, após uma vitória contra o Náutico Capibaribe, nos Aflitos.

Em maio de 1953, Tomires recebeu um convite para um período de testes na Associação Portuguesa de Desportos (SP), onde não permaneceu por muito tempo!

No findar de 1953 surgiu o interesse do Clube de Regatas do Flamengo (RJ), que acabou levando o lateral-direito para os domínios da Gávea.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 856.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 867 – 18 de novembro de 1954.

Naqueles tempos, o clima era de grande euforia pela conquista do título carioca de 1953. Dedicado, Tomires não demorou para conquistar seu espaço no time de Fleitas Solich.

Ao lado do goleiro Chamorro e do zagueiro Pavão, Tomires fez parte das grandes campanhas que deram ao Flamengo o tricampeonato carioca (1953, 1954 e 1955). Ainda em 1955, Tomires levantou o “caneco” do Torneio Internacional do Rio de Janeiro.

O jogo que marcou Tomires no Flamengo aconteceu na famosa partida decisiva do campeonato carioca de 1955, diante do América.

Sua discutida atuação naquele confronto renderam inúmeras críticas dos jornais, que pouco ofereceram chances de defesa ao beque do Flamengo.

Numa entrada forte, Tomires acidentalmente “quebrou” o meio-campista Alarcon. Como não eram permitidas substituições, o América não teve como impedir o triunfo do Flamengo por 4×1, com 4 gols de Dida.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 885.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 969.

Tomires permaneceu no Flamengo até o início da temporada de 1959, quando foi transferido para o Sport Club do Recife. A saída do rubro-negro carioca foi um tanto tumultuada por desentendimentos contratuais.

Em entrevista publicada na revista do Esporte, o jogador revelou uma grande mágoa do presidente Hilton dos Santos.

Tudo começou quando Tomires sofreu uma séria contusão e permaneceu no departamento médico por um bom tempo. Antes de se machucar, o jogador afirmou que estava tudo acertado para mais uma renovação contratual.

Recuperado, Tomires foi chamado para assinar contrato. No entanto, os valores eram bem inferiores ao que ficou previamente combinado: “Esse presidente aproveitou da contusão para desvalorizar meu passe. Não é um homem de palavra”.

Também sobre o técnico Fleitas Solich, Tomires disparou: “É um bom treinador, isso não se pode negar. Fez o futuro de muitos jogadores, mas também prejudicou a carreira de muita gente”. 

Tomires no Sport Recife. Crédito: revista do Esporte – Material publicado no site cacellain.com.br.

Foto de Armando Filho. Crédito: revista Placar – 20 de julho de 1973.

Entre 1963 e 1964, Tomires jogou pelo Treze Futebol Clube de Campina Grande (PB), equipe onde encerrou a carreira profissional em 1964, aos 36 anos de idade.

Longe da bola, Tomires viveu dias de penúria. Sem o devido preparo para o momento de deixar o futebol, o alagoano correu atrás de qualquer ocupação no Sport Club do Recife.

O presidente Eduardo Cardoso ficou comovido e rapidamente empregou Tomires como administrador do Estádio da Ilha do Retiro.

Pouco depois, atendendo ao apelo do então técnico Mário Jorge Lobo Zagallo, o presidente do Flamengo, Hélio Maurício, também decidiu ajudar Tomires!

O Flamengo pagou a entrada na compra de um táxi, o que garantiu assim um pouco de tranqüilidade aos familiares do ex-jogador.

Tomires na época em que trabalhou como administrador da Ilha do Retiro. Foto de Armando Filho. Crédito: revista Placar – 20 de julho de 1973.

Tomires (esquerda) acompanha o trabalho no gramado da Ilha do Retiro. Foto de Armando Filho. Crédito: revista Placar – 20 de julho de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Albino de Castro Filho, Alfredo Ogawa, Armando Filho, Lenivaldo Aragão, Marcelo Rezende e Teixeira Heizer), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Leunam Leite), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, sportrecife.com.br.

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