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Ao longo dos tempos, o Corinthians sempre manifestou interesse em contar com grandes valores da Portuguesa de Desportos.

E algumas investidas do alvinegro ficaram marcadas por negociações polêmicas e carregadas de acusações. Basta lembrar das “quedas de braço” pelos direitos de Zé Maria e Basílio. E como veremos, com o habilidoso meio-campista Nair não foi diferente!

Nair José da Silva nasceu no município de Itaperuna (RJ), em 20 de maio de 1937. Sua trajetória pelos gramados foi iniciada em 1956, no Madureira Esporte Clube (RJ).

Sempre como meia-armador, Nair despertou o interesse do Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto (SP), para onde foi transferido por empréstimo em 1962.

Sem esquentar muito tempo em Ribeirão Preto, Nair foi contratado em definitivo pela Associação Portuguesa de Desportos em 1963.

O jovem Nair recebe cuidados do departamento médico do Madureira. Crédito: revista do Esporte número 44 – 9 de janeiro de 1960.

Linha de ataque da Portuguesa de Desportos. Em pé: Ivair, Henrique e Nair. Agachados: Neivaldo e Nílson. Crédito: revista do Esporte número 297 – Novembro de 1964.

Na temporada seguinte, a Lusa realizou uma ótima campanha no campeonato paulista, quando inclusive chegou em condições de disputar o título com Palmeiras e Santos.

Na última rodada, em 13 de dezembro de 1964, Santos e Portuguesa de Desportos travaram um duelo muito disputado na Vila Belmiro.

Com 2 pontos de vantagem, o Santos jogava por um empate para conquistar o campeonato; uma situação bem diferente da Portuguesa, que dependia de uma vitória para provocar uma partida extra com o mesmo Santos.

Mas o quadro praiano venceu por 3×2 e faturou o título. Revoltados, os jogadores da Portuguesa reclamaram muito da arbitragem de Armando Marques, que teria ignorado uma penalidade do lateral-direito Ismael em cima de Ivair.

Na tábua final de classificação, a Portuguesa de Desportos ficou na terceira colocação do campeonato com 40 pontos ganhos, 1 ponto atrás do Palmeiras, o vice-campeão.

Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Partindo da esquerda; Nair, Felix e Jair Marinho. Crédito: revista do Esporte número 316.

Além de servir o selecionado paulista, o futebol refinado de Nair também foi lembrado na Seleção Brasileira em 1965, na época com o comando de Aymoré Moreira.

No findar de 1965, Nair entrou na mira do Sport Club Corinthians Paulista, que naquele momento também tinha interesse no zagueiro Ditão.

Mas o presidente da Portuguesa, José Bizarro da Nave, logo tratou de endurecer o negócio. A pendenga foi arrastada por vários meses, até que o Corinthians levou Ditão e Nair de uma só vez!

Indignado, José Bizarro da Nave acusou o Corinthians de aliciamento e ainda ameaçou elaborar uma denúncia formal na Federação Paulista de Futebol e na CBD (entidade antecessora da atual CBF).

Contudo, os desentendimentos foram superados por uma mala recheada de dinheiro. De certa forma, essa foi uma maneira conveniente do dirigente lusitano recuperar o dinheiro antes emprestado ao clube.

Linha de ataque da Portuguesa de Desportos no gramado do Maracanã. Em pé: Dida, Henrique e Nair. Agachados: Almir e Neivaldo. Crédito: revista do Esporte número 364 – 26 de fevereiro de 1966.

No Corinthians, Nair viveu altos e baixos, até em sua apresentação no Parque São Jorge, um tanto ofuscada pela chegada do astro Garrincha!

Tudo estava pronto para recepcionar Ditão, Garrincha e Nair em sua primeira participação com a camisa do Corinthians. Não se falava em outra coisa na cidade e a imprensa aproveitou como nunca o clima festivo do jogo.

Em 2 de março de 1966, o Jornal A Gazeta Esportiva estampou em sua primeira página “Vocês verão como é: Ditão, Nair e Mané”. Mas o Vasco da Gama estragou tudo e venceu o jogo por 3×0; com 2 gols de Célio e 1 de Maranhão:

2 de março de 1966 – Torneio Rio-São Paulo – Corinthians 0x3 Vasco da Gama – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Eunápio de Queiróz – Gols: Maranhão aos 23′ e Célio aos 37′ e 80‘.

Corinthians: Heitor; Jair Marinho, Ditão, Galhardo e Édson; Dino Sani e Nair (Rivelino); Garrincha, Flávio, Tales (Nei) e Gílson Porto. Técnico: Oswaldo Brandão. Vasco da Gama: Amauri; Joel, Brito, Fontana e Oldair; Maranhão e Danilo Menezes; Luisinho (Zezinho), Célio, Lorico e Tião. Técnico: Zezé Moreira.

A chegada de Ditão e Nair no Corinthians. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada.

Crédito: revista Futebol e Outros Esportes.

Campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1966, Nair quase colocou um ponto final no tabu sem vitórias contra o Santos pelo campeonato paulista. No sábado chuvoso de 17 de dezembro de 1966, Corinthians e Santos empataram em 1×1 no Pacaembu.

Aos 42 minutos da etapa complementar, Armando Marques marcou uma penalidade contra o Santos. Mas o Pacaembu tremeu quando o goleiro Cláudio defendeu o pênalti cobrado por Nair!

Com o empate no placar, o tabu ficou de pé, para desespero da Fiel Torcida:

17 de dezembro de 1966 – Campeonato paulista segundo turno – Corinthians 1×1 Santos – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Armando Marques – Gols: Flávio aos 36’ do primeiro tempo e Zito aos 30’ do segundo tempo.

Corinthians: Marcial; Jair Marinho, Ditão, Clóvis e Maciel; Nair e Rivellino; Bataglia, Flávio, Tales e Gilson Porto. Técnico: Zezé Moreira. Santos: Cláudio; Modesto, Mauro, Orlando e Geraldino; Zito e Joel; Dorval, Toninho, Lima e Abel. Técnico: Lula.

Crédito: revista do Esporte número 370 – 9 de abril de 1966.

Nair entre o goleiro Marcial e Bataglia. Crédito: revista do Esporte número 370 – 9 de abril de 1966.

Nair deixou o Parque São Jorge no findar de 1968, ao ser negociado com o Clube Atlético Paranaense (PR).

Foram 90 partidas com 53 vitórias, 19 empates, 18 derrotas e 14 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte.

Nair chegou em Curitiba para fazer parte do grande time montado para disputar o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Como companheiros no Atlético Paranaense, Nair jogou ao lado de Djalma Santos, Bellini e do ponteiro-direito Gildo.

Veterano e jogando mais recuado, Nair foi campeão paranaense de 1970. No ano seguinte encerrou a carreira e finalmente realizou o desejo de voltar aos encantos da “Cidade Maravilhosa”. 

Nair José da Silva faleceu em 22 de agosto de 2018, no Rio de Janeiro (RJ).

Nair e Roberto Rivellino. Crédito: revista do Esporte número 390 – 27 de agosto de 1966.

Formação do Atlético Paranaense. Em pé: Djalma Santos, Bellini, Charrão, Célio, Nair e Nilo. Agachados: Gildo, Zé Roberto, Madureira, Paulista e Nilson Bocão. Crédito: revista do Esporte.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hélio Teixeira, Michel Laurence e Narciso James), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista Futebol e Outros Esportes, revista Manchete Esportiva, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervosantosfc.com (por Gabriel Santana), campeoesdofutebol.com.br, corinthians.com.br, gazeta esportiva.net, globoesporte.globo.com, memoriasdoesporte.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, portuguesa.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net.