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Aníbal Saraiva Júnior, destacado goleiro que defendeu o Flamengo, Palmeiras e Sporting de Portugal, nasceu na cidade do Rio de Janeiro (RJ), em 20 de agosto de 1932.

Aníbal começou a carreira jogando como centroavante nas categorias amadoras do Olaria Atlético Clube, em meados de 1949.

Sua trajetória debaixo dos “três paus” foi iniciada de forma inesperada e improvisada. Antes de uma partida contra o Vasco da Gama, o Olaria não contava com o titular Itaguaí e muito menos com seu reserva imediato.

Então, o ponteiro direito Canário sugeriu o aproveitamento de Aníbal, que nas peladas e treinamentos costumava jogar como goleiro. Aníbal nunca mais jogou como centroavante e assumiu definitivamente a meta do Olaria.

O Olaria em 1953. Em pé: Renato, Aníbal, Jorge, Dodô, Moacir e jogador não identificado. Agachados: Jarbas, Washington, Gringo, Maxwel e Mário. Crédito: site do Milton Neves.

Crédito: site do Milton Neves.

Suas atuações regulares no campeonato carioca o levaram para o Clube de Regatas do Flamengo, no findar da temporada de 1954.

Foi no time da Gávea que Aníbal viveu uma de suas melhores fases, mesmo que não tenha conseguido se firmar como titular por muito tempo.

Sua primeira partida pelo Flamengo aconteceu em 19 de junho de 1955, diante do Benfica de Portugal, compromisso válido pelo Torneio Charles Miller. O Flamengo venceu por 1×0.

Tricampeão carioca de 1955, Aníbal foi reserva do paraguaio Sinforiano García e do argentino Chamorro. Aos poucos foi ganhando espaço, principalmente quando Garcia e Chamorro deixaram o clube em 1956. 

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 918.

Formação do Flamengo no Maracanã. Em pé: Pavão, Servilío, Aníbal, Tomires, Dequinha e Jordan. Agachados: Joel, Paulinho, Evaristo, Dida e Zagallo. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Conforme registros do Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf, Aníbal atuou em 23 compromissos com 16 vitórias, 2 empates e 5 derrotas.

Ainda em 1956, Aníbal foi transferido para o Santa Cruz Futebol Clube (PE), onde permaneceu até 1958. Foi campeão do “Super-Campeonato” pernambucano de 1957, além de fazer parte do selecionado estadual.

De 1958 até 1960 Aníbal defendeu a Sociedade Esportiva Palmeiras como reserva imediato de Valdir Joaquim de Moraes, participando inclusive na campanha do “Super-Campeonato” paulista de 1959.

Ao todo, foram 67 participações pelo alviverde com 38 vitórias, 13 empates, 16 derrotas e 84 gols sofridos. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Aníbal segura firme no “Fla x Flu” disputado nas Laranjeiras em 1955. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 896.

Seleção Pernambucana. Em pé: Caiçaras, Anibal, Lula, Zequinha, Aldemar e Mirim. Agachados: Traçaia, Soca, Gringo, Rubinho e Géo. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Após o período no Parque Antártica, Aníbal foi negociado com o Sporting Clube de Portugal, equipe que defendeu entre 1960 e 1962. Pelo Sporting, Aníbal conquistou a Taça Cidade de Lisboa e o Troféu Teresa Herrera.

Também pelo Sporting, Aníbal participou das festividades de inauguração do Estádio do Morumbi, em outubro de 1960, quando foi vencido pelo gol histórico do atacante Peixinho, na vitória do São Paulo por 1×0.

2 de outubro de 1960 – Amistoso Internacional – Inauguração do Estádio do Morumbi – São Paulo 1×0 Sporting Clube de Portugal – Arbitragem: Olten Ayres de Abreu – Gol: Peixinho aos 12′ da primeira etapa.

São Paulo: Poy; Ademar, Gildésio, Riberto e Fernando Sátyro; Vitor, Peixinho, Jonas (Paulo Lumumba, depois Cláudio Garcia), Gino Orlando, Gonçalo e Canhoteiro (Roberto Frojuello). Técnico: Flávio Costa. Sporting: Aníbal; Lino, Morato e Hilário; Mendes e Júlio; Hugo, Faustino, Figueiredo (Fernando), Diogo (Geo) e Seminário. Técnico: Alfredo Gonzalez.

Aníbal e Rubens do Vasco conversam antes do jogo no Maracanã. Crédito: Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora.

Valdir Joaquim de Moraes e Aníbal. Crédito: revista do Esporte número 36 – 14 de novembro de 1959.

Voltando ao Brasil, Aníbal acertou suas bases com o Comercial Futebol Clube da cidade de Ribeirão Preto (SP).

Esteve em campo na derrota diante do Santos por 3×1, em 30 de setembro de 1962, confronto válido pela última rodada do primeiro turno daquela temporada.

Nesse dia, Aníbal defendeu um pênalti de Pelé e colocou seu nome nos livros de história. Foi o primeiro goleiro que defendeu um pênalti do “Rei do Futebol”.

Alguns registros creditam o feito para os goleiros Heitor (Corinthians) e Rosan (Ferroviária de Araraquara). A revista Placar, no entanto, apresentou outra versão.

Em março de 1999, a revista publicou que o autor da façanha foi o goleiro Fininho do Jabaquara em 1956. Naquela oportunidade, Pelé participou da final do campeonato juvenil da cidade de Santos.

O goleiro Aníbal, o último partindo da esquerda, no compromisso de inauguração do Estádio do Morumbi. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Aníbal pelo Sporting na partida de inauguração do Estádio do Morumbi. Crédito: saopaulofc.net.

Em 1963 Aníbal trocou Ribeirão Preto por Campinas e assinou com a Associação Atlética Ponte Preta.

Foi Aníbal que sofreu o famoso gol de Samarone no jogo realizado em 7 de março de 1965. Na ocasião, a Ponte perdeu por 1×0 para a Portuguesa Santista no Moisés Lucarelli e deixou de subir para o grupo de elite do futebol paulista.

A carreira como jogador foi encerrada em 1965, ano em que fixou moradia em Ribeirão Preto. Em 2007, após o falecimento de sua esposa, Aníbal morou com sua filha na cidade paulista de Brodowski (SP), próxima de Ribeirão Preto.

Aníbal faleceu na madrugada do dia 23 de julho de 2012, vitimado por um infarto.

Formação da Ponte Preta em 1964. Em pé: Valmir, Antoninho, Aníbal, Sebastião Lapola, Urubatão e Jurandir. Agachados: Jairzinho, Ulisses, Almeida, Da Silva e Zé Francisco. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Grandes Clubes Brasileiros, Arquivo Público do Estado de São Paulo – Memória Pública – Jornal Última Hora, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann)saopaulofc.net, flapedia.com.br, flamengo.com.br, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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