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Um velho ditado popular dizia que zagueiro bom é aquele que não suja o calção.

E o São Paulo Futebol Clube, ao longo de sua história, contou com pelo menos dois zagueiros que terminavam o jogo com seu calção imaculado: Rui Campos e Mauro Ramos de Oliveira. 

Rui Campos, ou ainda Ruy Campos, conforme encontrado em algumas publicações, nasceu em 2 de agosto de 1922, na cidade de São Paulo (SP).

Naquele mês de agosto de 1922, o Brasil se preparava para o esperado Centenário da Independência. Além dessas festividades, a semana de *Arte Moderna ainda continuava rendendo boas matérias aos jornais e revistas. 

*A Semana de Arte Moderna, também chamada de “Semana de 22”, aconteceu no Teatro Municipal de São Paulo, entre 11 e 18 de fevereiro de 1922. O evento ficou marcado pela exposição de novas tendências na arte e na literatura.

Rui no Bonsucesso em 1941. Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo número 161 – 19 de setembro de 1941.

Ainda muito jovem, Rui Campos foi residir na cidade do Rio de Janeiro, onde iniciou sua trajetória no mundo do futebol.

Ganhou evidência jogando pela equipe amadora do Rio Branco, antes de chegar ao Bonsucesso Futebol Clube, em meados de 1939.

Com um porte físico mediano em comparação aos padrões dos zagueiros da época, Rui Campos era um diferenciado com a bola nos pés, o que significou seu providencial aproveitamento também pela meia cancha.

Depois de algumas temporadas jogando pelo Bonsucesso, Rui foi contratado pelo Fluminense Football Club em 1943, quando contava com 21 anos de idade.

Partindo da esquerda; Renganeschi, Noronha, Teixeirinha, Savério e Rui. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 90 – Quinta Feira, 13 de maio de 1948.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 98 – Quinta Feira, 8 de julho de 1948.

Oferecendo uma costumeira regularidade, Rui chegou ao selecionado carioca e atuou ao lado de grandes jogadores daquele período.

Sua permanência nas Laranjeiras não foi longa. No ano seguinte, na metade do mês de abril, o São Paulo Futebol Clube conseguiu êxito nos acertos para sua contratação.

No início do mês de maio de 1944, Rui desembarcou na estação da Luz para jogar ao lado de estrelas consagradas como Leônidas da Silva e Antonio Sastre.

Inicialmente, Rui formou uma boa linha com Zarzur e Noronha. Mais tarde, ao lado de José Carlos Bauer e do mesmo Noronha, Rui fez parte do mais famoso tripé da história do tricolor.

Rui, Bauer e Noronha. A linha média mais famosa da história do tricolor. Crédito: revista Placar.

O time brasileiro que empatou com a Suíça no Pacaembu. Em pé: Johnson (massagista), Rui, Barbosa, Augusto, Bauer, Noronha e Juvenal. Agachados: Alfredo, Maneca, Baltazar, Ademir, Friaça e Mário Américo (massagista). Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Com seu futebol de estilo clássico, Rui era um dos “cobras” do esquadrão que todo torcedor do São Paulo sempre fez questão de recitar com orgulho:

– “Poy; Savério e Mauro Ramos de Oliveira; Bauer, Rui e Noronha; Friaça, Ponce de León, Leônidas, Remo e Teixeirinha”.

Bicampeão paulista em 1945 e 1946 e depois, em 1948 e 1949, seu nome também foi presença garantida na Seleção Brasileira que conquistou a Copa América de 1949, disputada no Brasil.

Mantido no elenco pelo técnico Flávio Costa, Rui fez parte do elenco que disputou o mundial de 1950. Conforme relatos do próprio Rui ao longo de sua vida, o vice-campeonato mundial nunca lhe valeu nenhuma espécie de reconhecimento. Pelo contrário!

Como outros integrantes daquela malfadada campanha de 1950, Rui também sofreu sua carga individual de dissabores e aborrecimentos.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 645 - 23 de junho de 1951.

Crédito: revista O Globo Sportivo número 645 – 23 de junho de 1951.

Com o uniforme do escrete, Rui esteve presente em 30 oportunidades com 19 vitórias, 5 empates, 6 derrotas e 2 gols marcados.

Sua única participação aconteceu em 28 de junho, no inesperado empate contra a Suíça por 2×2 no Pacaembu:

28 de junho de 1950 – IV Copa do Mundo de 1950 – Primeira Fase – Grupo 1 – Segunda Rodada – Brasil 2×2 Suíça – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Ramón Azón (Espanha) – Gols: Alfredo aos 3’, Fatton aos 17’ e Baltazar aos 31’ do primeiro tempo; depois Fatton aos 43’ do segundo tempo.

Brasil: Barbosa; Augusto e Juvenal; Bauer, Rui e Noronha; Alfredo, Maneca, Baltazar, Ademir e Friaça. Técnico Flávio Costa. Suíça: Stuber; Neury e Bocquet; Lusenti, Eggimann e Quinche; Tamini, Bickel, Friedlander, Bader e Fatton. Técnico: Franco Andreolli.

Crédito: reprodução revista Crack número 10 – Abril de 1951.

Crédito: revista Tricolor número 20 – Maio de 1952.

Pelo São Paulo foram 272 partidas disputadas com 163 vitórias, 56 empates, 53 derrotas e 6 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

No mês de abril de 1953, Rui deixou o São Paulo e passou rapidamente pelo Bangu Atlético Clube (RJ), antes de retornar ao cenário paulista e firmar compromisso com a Sociedade Esportiva Palmeiras.

No Palmeiras, Rui realizou apenas 13 jogos com 5 vitórias, 2 empates e 6 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti,

Em seguida, próximo de completar os 32 anos de idade, Rui deixou o futebol. Longe da bola trabalhou como corretor na Bolsa de Cereais de São Paulo, ocupando suas horas vagas com a prática do tênis.

Rui também fez parte do melhor São Paulo de todos os tempos, em eleição promovida pela revista Placar em 1982. Rui Campos faleceu vitimado por um derrame cerebral no dia 2 de janeiro de 2002, na capital paulista.

Rui quando jogou pelo Bangu ao lado de Édson do Fluminense. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 720.

Rui também jogou pelo Palmeiras. Crédito: Jornal Mundo Esportivo.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Marcelo Laguna), revista Esporte Ilustrado, revista O Globo Sportivo, revista Tricolor, revista Crack, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal O Esporte, Jornal Mundo Esportivo, gazetaesportiva.net, placar.abril.com.br, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), saopaulodigital.com.br, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, Almanaque do Palmeiras – Celso Unzelte e Mário Sérgio Venditti.