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Em setembro de 1939, o mundo entrou em guerra e os jornais noticiavam com frequência o nome dos ditadores que assombravam os homens de boa vontade: Adolf Hitler e Benito Mussolini.

Bem distante do conflito bélico na Europa, o jovem Luíz pagou o preço por sua descendência italiana e pela grande semelhança com Benito Mussolini, o tirano fascista que terminou seus dias executado por guerrilheiros italianos em 1945.

Foi assim que o acanhado rapazinho deixou de ser Luiz para ficar muito popular nas peladas da região como “Mussula”.

Mais conhecido como Mussula, Luiz de Matos Luchesi nasceu na cidade de Belo Horizonte (MG) no dia 21 de agosto de 1938. (*) Algumas fontes apontam seu nascimento em 14 de agosto de 1938.

Nos primeiros anos da década de 1950, o elástico Mussula já era um “guarda-metas” muito requisitado no cenário amador de Belo Horizonte, até ser bem recomendado ao Santa Cruz da cidade de Santa Luzia (MG).

Em 19 de dezembro de 1968, o Atlético Mineiro representou o Brasil e venceu bem a Iugoslávia por 3×2 no Estádio do Mineirão. Em pé: Vander, Grapete, Vanderlei Paiva, Mussula, Normandes e Décio Teixeira. Agachados: Ronaldo, Amauri, Vaguinho, Lola e Tião. Crédito: revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro.

Equipe do Atlético Mineiro no gramado do Mineirão. Em pé: Vander, Mussula, Vanderlei Paiva, Grapete, Normandes e Cincunegui. Agachados: Ronaldo, Amauri, Dario, Lola e Tião. Crédito: revista do Esporte número 550 – 20 de setembro de 1969.

Suas boas atuações logo o levaram ao Cruzeiro Esporte Clube (MG) em 1955. A primeira participação no time principal aconteceu justamente contra o Atlético Mineiro, em clássico que terminou empatado em 2×2.

Afastado temporariamente do mundo da bola pelo serviço militar, Mussula voltou ao mesmo Cruzeiro, até o dia de um infeliz desentendimento com o presidente Felício Brandi.

Entre gestos e palavras acaloradas de ambos os lados, Mussula acabou ficando com o direito do “Passe Livre” nas mãos, algo incomum em uma época em que os jogadores eram uma espécie de propriedade do clube.

Dessa foma, em 1958, o goleiro acertou os últimos detalhes de uma vantajosa transferência para o Villa Nova Atlético Clube (MG). Disputou um excelente campeonato mineiro e seu nome voltou com força ao noticiário esportivo!

Permaneceu nas fileiras do Villa Nova até o mês de junho de 1961, momento em que retornou mais uma vez ao Cruzeiro, com os direitos estabelecidos em 60 mil cruzeiros.

Perfil de Mussula publicado por ocasião da conquista do campeonato mineiro de 1970. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Em 21 de setembro de 1969, o Atlético Mineiro venceu o São Paulo por 5×2 no Morumbi, jogo válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Partindo da esquerda; Humberto Monteiro (camisa 2), o goleiro Mussula, Toninho Guerreiro e Grapete (encoberto). Crédito: acervo.oglobo.globo.com.

Conforme os registros publicados no Almanaque do Cruzeiro, do autor Henrique Ribeiro, Mussula jogou pelo Cruzeiro até o findar da temporada de 1963. Foram 126 compromissos com 142 gols sofridos.

Mais experiente, Mussula foi então negociado com os representantes do Esporte Clube Renascença (MG) em 1964, equipe onde permaneceu até o início de 1966.

Contratado pelo América Futebol Clube (MG), Mussula continuou apresentando um futebol de alto nível. Foi então que o Clube Atlético Mineiro confirmou a sua contratação em 1967.

Mussula também vestiu a camisa do escrete canarinho em 19 de dezembro de 1968, quando o Atlético Mineiro representou o Brasil e venceu a Iugoslávia por 3×2 no Mineirão.

Depois, Mussula participou de outro amistoso memorável. O confronto foi entre o Atlético Mineiro e a Seleção Brasileira, partida disputada no dia 3 de setembro de 1969, também no Mineirão.

Álbum de figurinhas Craques do Robertão. Cromo de Mussula na página do Atlético Mineiro. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Vestido com uma bonita combinação em azul, o goleiro Mussula coloca a bola em jogo no Mineirão! Crédito: site do Milton Neves.

O Atlético Mineiro venceu por 2×1, com uma grande atuação de Mussula. O gol da grande vitória dos mineiros foi marcado pelo centroavante Dario, que na oportunidade teve o nome enaltecido pelo presidente Emílio Garrastazu Médici.

Tricampeão da Taça Belo Horizonte nas edições de 1970, 1971 e 1972, Mussula também conquistou o campeonato mineiro em 1970.

Campeão brasileiro de 1971, Mussula perdeu espaço depois da chegada do astro uruguaio Ladislao Mazurkiewicz, em dezembro de 1971. Deixou o clube no início de 1974, época em que também encerrou sua rica caminhada pelos gramados.

Começou em seguida um novo ciclo profissional, primeiramente como auxiliar de Telê Santana. Ao longo de sua trajetória no papel de treinador, Mussula orientou várias equipes, principalmente no cenário mineiro.

Também foi Supervisor de Futebol do Atlético Mineiro até 1995. Luiz de Matos Luchesi faleceu em Belo Horizonte (MG) no dia 20 de novembro de 2018.

Como treinador, Mussula trabalhou principalmente no futebol mineiro! Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

Mussula como treinador do Atlético Mineiro em 1983. Crédito: revista Placar – 2 de setembro de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, (por Arthur Ferreira, Auremar de Castro e Sérgio A. Carvalho), revista do Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, revista Veja, Jornal Estado de Minas, acervo.oglobo.globo.com, almanaquedocruzeiro.blogspot.com.br, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, mg.superesportes.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozemberg), Almanaque do Cruzeiro – Henrique Ribeiro, albumefigurinhas.no.comunidades.net.