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Rei do Gatilho, Vesgo, Bandido, Rebelde… Craque!

Mário Sérgio Pontes de Paiva nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 7 de setembro de 1950. De origem humilde e filho único de casal separado, foi criado no bairro das Laranjeiras.

Ainda muito jovem, precisou trabalhar para ajudar no sustento da casa e completou seus estudos no período noturno.

O pai, era sócio proprietário do Fluminense, e assim, Mário Sérgio jogou futebol de salão pelo tricolor durante sete anos seguidos.

Crédito: revista Placar - 26 de abril de 1985.

Crédito: revista Placar – 26 de abril de 1985.

Na época, quando terminou o *científico, matriculou-se em um curso de processamento de dados. Mais tarde, no trabalho, operou computadores e assim se manteve até os dezoito anos de idade.

*Até 1967, o ensino médio era dividido em três modalidades, compreendendo o curso científico, o curso normal e o curso clássico.

Bom de bola, principalmente atuando como ponteiro esquerdo, foi levado ao juvenil do Clube de Regatas do Flamengo em 1969.

Sua grande habilidade, proveniente da formação no futebol de salão, foi motivo de preocupação para os treinadores das categorias amadoras do time da Gávea, que tiveram muito trabalho para lhe tirar o vício de “fominha”.

Mário Sérgio, em destaque, no time do Vitória campeão estadual de 1972.

Mário Sérgio, em destaque, no time do Vitória campeão estadual de 1972.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Quando chegou ao elenco principal bateu de frente com o técnico Dorival Knippel, o popular Yustrich, um forte adepto do futebol força.

Depois de uma atuação abaixo da média em uma partida, Mário Sérgio foi colocado no banco de reservas.

Nos treinos, Yustrich continuava pegando no seu pé. E Mário, fã do futebol de Samarone e de Roberto Rivellino, continuava com seu individualismo com o couro nos pés.

Até que um dia, durante um coletivo, cansado da perseguição de Yustrich, Mário fez algumas embaixadinhas e depois encheu o pé na bola. Largou o treino e disse que no Flamengo não jogava mais!

O Vitória foi o impulso necessário para seu retorno ao Rio de Janeiro quando foi contratado pelo Fluminense. Crédito: revista Placar.

O Vitória foi o impulso necessário para seu retorno ao Rio de Janeiro quando foi contratado pelo Fluminense. Crédito: revista Placar.

Ex-companheiros em clubes diferentes. Zé Mario e Mário Sérgio. Crédito: revista Placar.

Ex-companheiros em clubes diferentes. Zé Mario e Mário Sérgio. Crédito: revista Placar.

Depois de um bom tempo na “Geladeira”, acertou suas bases com o Esporte Clube Vitória de Salvador em 1971. Pelo Flamengo, o craque realizou apenas 5 partidas, obtendo 3 vitórias, 2 empates e apenas um gol marcado.

E foi no Vitória Bahia que Mário voltou aos dias de alegria quando conquistou seu primeiro título estadual em 1972. Nessa época, jogou ao lado do lateral direito Valdir Espinosa e se tornaram grandes amigos.

Conforme matéria especial da revista Placar, em sua edição de 6 de julho de 1984, Mário também ficou conhecido por seus prazeres e caprichos fora dos gramados.

Vivia intensamente suas noitadas, sendo inclusive flagrado dirigindo seu Wolkswagen, modelo SP-2, completamente “nu” pela Avenida Sete de Setembro.

Contusões: Um período difícil no Botafogo!

Contusões: Um período difícil no Botafogo!

Mário Sérgio e Falcão. Crédito: revista Placar.

Mário Sérgio e Falcão. Crédito: revista Placar.

Mas em campo, Mário continuava “comendo a bola”. Ganhador da Bola de Prata da revista Placar no biênio 1973/1974, permaneceu no Vitória até o final de 1974, quando retornou ao Rio de Janeiro para jogar pelo Fluminense.

Mário Sérgio participou do chamado “Jogo da Gratidão”, uma partida contra um combinado de estrangeiros em homenagem ao imortal Mané Garrincha, realizada no estádio do Maracanã em 19 de dezembro de 1973.

Pouco depois que Mário chegou ao Fluminense, o tricolor carioca ficou conhecido como “A Máquina”, um time recheado de craques que foi formado pelo hábil presidente Francisco Horta.

Foi nas Laranjeiras que Mário conheceu o volante Zé Mário, com quem aprendeu “olhar para um lado e tocar a bola para o outro”, o que lhe valeu o apelido de “Vesgo”.

No entanto, Horta não foi hábil o suficiente para evitar os efeitos das pesadas críticas ao futebol de Mário Sérgio durante uma partida do Torneio de Paris.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar - 11 de janeiro de 1980.

Crédito: revista Placar – 11 de janeiro de 1980.

Mesmo com o título carioca de 1975, uma indisposição entre Horta e Mário Sérgio acabou com sua passagem pelas Laranjeiras. No início de 1976, o craque foi contratado pelo Botafogo de Futebol e Regatas.

Em 1978 sofreu uma séria contusão no joelho, que o afastou dos gramados por quatro meses. Forçando nos treinamentos para voltar, Mário prejudicou seriamente os meniscos.

Longe da bola por quase um ano, Mário ficou sem ambiente no clube e acabou negociado com o Rosário Central da Argentina em 1979. Na Argentina, Mário viveu um inferno!

A esposa, cursando engenharia, ficou impossibilitada de acompanhar Mário Sérgio nessa breve permanência em território argentino. O temperamento forte não o ajudou em sua adaptação. Pelo contrário, era cassado nos treinos pelos próprios companheiros.

Crédito: revista Placar 6 de novembro de 1981.

Crédito: revista Placar 6 de novembro de 1981.

Crédito: revista Placar 6 de novembro de 1981.

Crédito: revista Placar 6 de novembro de 1981.

Com forte indicação de Paulo Roberto Falcão, Mário Sérgio chegou ao Sport Club Internacional ainda em 1979, ajudando o time na conquista do título inédito de campeão brasileiro de forma invicta.

A convivência com o técnico Ênio Andrade foi proveitosa e o “Vesgo” logo transformou-se em um dos craques mais completos do futebol brasileiro, recebendo novamente o prêmio da “Bola de Prata” da revista Placar em 1980 e 1981.

Turfista inveterado, gosto que herdou do pai, disse certa vez ao repórter Divino Fonseca, da revista Placar, que atletas são como cavalos e precisam ser bem tratados para apresentarem os resultados desejados.

“Só que os cavalos aceitam freio e eu não”, afirmou Mário Sérgio!

Mário na Seleção Brasileira em 1981.

Mário na Seleção Brasileira em 1981.

Em meados de 1981, Mário acertou sua transferência para defender o São Paulo, onde ficou conhecido como “O Rei do Gatilho”.

O apelido foi colocado depois que Mário sacou de seu revólver para evitar que o ônibus do clube fosse apedrejado após uma derrota para o São José por 1×0, no estádio Martins Pereira.

Apesar do excelente futebol e da conquista do bicampeonato paulista de 1981, Mário não conseguiu contentar alguns cardeais do Morumbi.

Além disso, Mário Sérgio não se adaptou ao esquema tático do técnico Cilinho.

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Cavalos e craques merecem carinho. Crédito: revista Placar - 6 julho de 1984.

Cavalos e craques merecem carinho. Crédito: revista Placar – 6 julho de 1984.

Na época, surgiram boatos sobre seu envolvimento com drogas, o suficiente para que ele fosse parar na A.A Ponte Preta por um breve período.

Essas inverdades, provavelmente, prejudicaram seu aproveitamento na seleção do técnico Telê Santana, que na época preferiu não opinar sobre o assunto quando questionado pela imprensa.

Depois de seis meses exaustivos de preparação no escrete, Dirceu Guimarães foi convocado para o mundial da Espanha enquanto Mário foi dispensado.

Com influência direta do técnico Valdir Espinosa, Mário foi contratado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em 1983 para disputar o mundial Interclubes, conquistando o título intercontinental ao lado do também experiente Paulo Cesar Caju.

Crédito: revista Placar - 6 de julho de 1984.

Crédito: revista Placar – 6 de julho de 1984.

No ano seguinte, voltou ao Internacional até assinar com o Palmeiras em 1984. Mário ainda teve passagens pelo Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto e pelo Bellinzona da Suíça, ambas em 1986.

Finalmente, jogando pelo Bahia, encerrou sua carreira como jogador profissional. Em seguida iniciou sua trajetória como treinador, sempre competente e reconhecido, trabalhando posteriormente como comentarista esportivo.

Mário Sérgio faleceu na terça feira de 29 de novembro de 2016, no acidente aéreo acontecido na localidade de Cerro Gordo no município de La Unión, na Colômbia.

Entre as 76 vítimas confirmadas estavam jornalistas, tripulantes, jogadores, comissão técnica e convidados que seguiam para o primeiro jogo das finais da Copa Sul Americana, entre Chapecoense e Atlético Nacional de Medellin.

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Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Juca Kfouri, Emanuel Mattos e Ricardo Vespucci), revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, gazetaesportiva.net, abril.com.br, campeoesdofutebol.com.br, mundial1983.blogspot.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, site do Milton Neves, flamengo.com.br.

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