Tags

, , ,

Ele foi uma das descobertas do técnico Pinheiro. Um artigo de primeira linha na nova safra de valores que apareceu no futebol brasileiro na metade dos anos setenta.

Edino Nazareth Filho, mais conhecido como Edinho, nasceu no Rio de Janeiro em 5 de junho de 1955. 

Sua trajetória foi iniciada jogando nas areias da praia de Copacabana, até resolver encarar um teste nas peneiras do Fluminense Football Club.

Com uma chuteira surrada e um par de meias mais adequado para passeio do que para o futebol, seu sonho era jogar como meio campista, assim como seu grande ídolo, Gerson de Oliveira Nunes, “O Canhotinha de Ouro”.

Rodrigues Neto e Edinho. Foto de Adalberto Diniz. Crédito: revista Placar – 20 de agosto de 1976.

Foto de Adalberto Diniz. Crédito: revista Placar – 20 de agosto de 1976.

Aprovado pelo seu Farias, o garoto de boa estatura e grande habilidade ganhou uma chance na quarta zaga do time “Dente de Leite” do Fluminense.

Mas, muito antes dessa aventura nas peneiras do Fluminense, o menino Edinho precisou mostrar que já era um forte.

Conforme publicado pela revista Placar, em matéria assinada pelo repórter Marcelo Rezende, Edinho foi abandonado pelo pai aos quatro anos de idade, ao lado de uma irmã também pequena e do irmão mais novo, ainda na barriga da mãe.

Edinho cresceu e nunca mais quis ver o pai!

Durante o mundial de 1978, em meio ao turbilhão de críticas por sua improvisação na lateral esquerda, Edinho soube através de um telefonema que o pai tinha falecido. Não derramou uma única lágrima!

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 20 de agosto de 1976.

Crédito: revista do Fluminense número 183 – Janeiro / Fevereiro 1977.

Voltando aos tempos do “Dente de Leite”, Edinho permaneceu nessa categoria até estourar o limite de idade, para em seguida jogar pelo infanto juvenil em 1971.

Pouco depois, em 1973, Edinho foi promovido ao quadro juvenil, que na época era orientado pelo técnico Pinheiro.

Sua primeira participação no elenco principal aconteceu rapidamente, em 26 de setembro de 1973, na derrota para o Figueirense por 1×0 no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis.

Com muito talento e total dedicação dentro das quatro linhas, Edinho foi um dos grandes destaques da chamada “Máquina”, famosa equipe de estrelas montada pelo presidente Francisco Horta em 1975.

Ainda em 1975 fez parte do selecionado amador que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México. No ano seguinte participou da seleção olímpica do técnico Cláudio Coutinho nos jogos de Montreal, no Canadá.

Crédito: revista Placar.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net

Excelente cobrador de faltas e eficiente no apoio ofensivo, Edinho conquistou muitos títulos enquanto esteve no Fluminense:

– Campeão da Taça Guanabara de 1975, bicampeão carioca nas edições de 1975 e 1976, Torneio de Paris 1976, Torneio de Viña Del Mar (Chile) 1976 e a Taça Teresa Herrera, em 1977.

Convocado por Cláudio Coutinho para o mundial da Argentina em 1978, seu aproveitamento na lateral esquerda foi muito questionado pela imprensa da época.

No apagar das luzes de uma Copa do Mundo marcada pela vitória “estranha” dos argentinos sobre o Peru, Edinho consolidou sua passagem pela lateral esquerda com o título de “Campeão Moral”.

Campeão carioca de 1980, Edinho foi lembrado por Telê Santana e participou do elenco que disputou o mundial da Espanha em 1982.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 7 de abril de 1986.

Bola de Prata da revista Placar em 1982, seu passe foi negociado com a Udinese da Itália por 500.000 dólares. Nesse meio tempo, disputou sua terceira Copa do Mundo no México em 1986, quando finalmente atuou na posição de zagueiro.

Permaneceu nas fileiras da Udinese até 1987, quando acertou com o Clube de Regatas do Flamengo. Pelo time da Gávea, no período compreendido entre 1987 e 1988, Edinho foi campeão da Copa União em 1987.

Conforme os registros do Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf, Edinho disputou 61 jogos com 36 vitórias, 14 empates, 11 derrotas e 4 gols marcados.

Marcado por ter jogado no Rubro Negro, o zagueiro viveu um breve e frio retorno ao Fluminense em 1988, antes de ser transferido para o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, onde foi campeão da Copa do Brasil de 1989.

“Não imaginava que ao jogar pelo Flamengo estava cometendo um pecado sem perdão”. (Edinho sobre seu retorno ao Fluminense – revista Placar – Outubro de 1993).

Na Itália, Edinho aparece ao lado dos filhos e da esposa Elisa. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 7 de abril de 1986.

Edinho na Udinese. Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 7 de abril de 1986.

Edinho é o 15° jogador que mais jogou pelo Fluminense com 358 participações e 34 gols marcados. Seu nome figura no “Melhor Fluminense de Todos os Tempos” da revista Placar de 8 de outubro de 1982.

Encerrou sua carreira como jogador em um time amador de Toronto, no Canadá, em 1990. Em 1991 iniciou sua jornada como treinador e trabalhou em várias equipes do cenário nacional, além de uma passagem pelo Club Sport Marítimo de Portugal.

Edinho treinou o Bahia (BA), Vitória (BA), Brasiliense (DF), Goiás (GO), Sport Recife (PE), Atlético Paranaense (PR), Boavista (RJ), Botafogo (RJ) Flamengo (RJ), Fluminense (RJ), Grêmio (RS), Joinville (SC), Americana (SP) e Portuguesa de Desportos (SP).

De acordo com o site do Milton Neves, Edinho também viveu duas experiências como Diretor de Futebol no Vitória e no Atlético Paranaense, em 2007 e 2008 respectivamente.

Atualmente, Edinho trabalha como comentarista esportivo no Sportv.

Foto de Sérgio Berezovsky. Crédito: revista Placar – 8 de abril de 1988.

Foto de Nico Esteves. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Adalberto Diniz, Alfredo Ogawa, Carlos Orletti, Hideki Takizawa, Luiz Augusto Chabassus, JB Scalco, Marcelo Rezende, Nico Esteves, Raul Quadros, Rodolpho Machado e Sérgio Berezovsky), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista do Fluminense, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, fluminense.com.br, gazetaesportiva.net, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg)albumefigurinhas.no.comunidades.net, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Anúncios