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Dalmo Gaspar, o categórico lateral esquerdo do time dos sonhos do Santos, nasceu na cidade de Jundiaí (SP), em 19 de outubro de 1932.

E foi na própria “Terra da Uva”, no bairro industrial de Vianelo, que o jovem Dalmo deu os primeiros piques nos campos de várzea em uma equipe conhecida como Vasquinho.

A fama chegou rapidamente e Dalmo iniciou sua caminhada nos quadros amadores do São Paulo de Jundiaí, onde conquistou o título juvenil da Liga Jundiaiense de Futebol.

No início da década de 50, Dalmo foi encaminhado ao Paulista Futebol Clube de Jundiaí. Depois de boas temporadas na lateral esquerda do Paulista, o Guarani Futebol Clube de Campinas manifestou interesse em contar com seu futebol.

No Bugre campineiro, Dalmo também foi aproveitado como zagueiro e cabeça de área em alguns compromissos.

Dalmo e Zito. Crédito: folha.uol.com.br.

Dalva liga o aparelho de televisão. Talvez, Paulo Planet apareça falando do Santos. Foto de Eduardo Enfeldt. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 125 – Dezembro de 1958.

Dalmo permaneceu no Guarani até o mês de outubro de 1957, quando firmou compromisso com o Santos Futebol Clube.

Sua primeira partida pelo Santos aconteceu no dia 26 de outubro, na vitória por 4×3 frente ao Palmeiras no Estádio do Pacaembu, compromisso válido pelo campeonato paulista.

Campeão paulista de 1958 e campeão do Torneio Rio-São Paulo de 1959, Dalmo foi eleito pelos companheiros como um dos cobradores oficiais de penalidades.

Nos treinamentos com os goleiros Laércio e Gylmar, Dalmo adotou uma “paradinha” antes de tocar da bola, um recurso que usava desde os tempos do São Paulo de Jundiaí.

Pelé adorou o lance da “paradinha” e resolveu seguir o estilo eficiente e seguro de Dalmo. Dessa forma, o “Rei do futebol” tornou o recurso da “paradinha” uma jogada mundialmente conhecida, posteriormente proibida pelos mandatários da FIFA.

Crédito: revista do Esporte número 155 – Fevereiro de 1962.

Além dos títulos conquistados na década de 50, Dalmo fortaleceu consideravelmente sua coleção de conquistas nos anos 60:

– Taça Brasil 1961, 1962, 1963 e 1964, campeonato paulista de 1960, 1961, 1962 e 1964, bicampeonato da Libertadores da América de 1962 e 1963, Intercontinental de Clubes 1962 e 1963, além de vários torneios nacionais e internacionais.

O título do “Mundial de Clubes”, na época batizado como “Intercontinental de Clubes”, foi decidido em três partidas emocionantes.

O primeiro confronto foi disputado no imponente Estádio San Siro, em 16 de outubro de 1963, com o Milan vencendo o cansado Santos pelo placar de 4×2.

A segunda partida aconteceu em 14 de novembro de 1963, no Estádio do Maracanã. O Santos conseguiu uma grande virada (perdia por 2×0) e também venceu pelo mesmo placar de 4×2.

Dalmo e Garrincha. Crédito: revista Placar – 28 de janeiro de 1983.

Foto de Jurandir Costa. Crédito: revista do Esporte número 178 – 4 de agosto de 1962.

Com números iguais nos dois jogos, os organizadores decidiram marcar o terceiro e decisivo encontro dois dias depois, no mesmo Maracanã, já que o calendário dos clubes estava totalmente comprometido.

Com Pelé ausente na terceira e decisiva partida, Dalmo marcou de pênalti o gol histórico da vitória por 1×0:

16 de novembro de 1963 – Santos 1×0 Milan (ITA) – Copa Intercontinental de Clubes – Partida Extra – Estádio do Maracanã – Árbitro: Juan Regis Brozzi (Argentina) – Expulsões: Maldini (M) e Ismael (S) – Gol: Dalmo aos 31′ do primeiro tempo.

Santos: Gylmar; Ismael, Mauro, Haroldo e Dalmo; Lima, Mengálvio e Dorval; Coutinho, Almir e Pepe. Técnico: Lula. Milan: Balzarini (Barluzzi); Benítez, Trebbi, Pelagalli e Maldini; Trapattoni, Lodetti e Fortunato; Mora, Altafini e Amarildo. Técnico: Giuseppe Viani.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 214 – Setembro de 1962.

A chegada do time do Santos ao Rio de Janeiro para o jogo contra o Milan. Crédito: revista Bola Alvinegra número 3 – Novembro de 1963 – Material publicado no site: novomilenio.inf.br.

Esse equilíbrio entre Santos e Milan oferece uma dimensão exata da importância do gol marcado por Dalmo. O que deve ter passado em sua cabeça antes de bater o pênalti mais importante da história do clube?

Dalmo também era um polivalente, um verdadeiro “multifuncional” com grande facilidade para jogar como lateral direito, zagueiro e volante.

Nas finais da Taça Libertadores de 1963, Dalmo foi aproveitado na lateral direita, sem contar o dia em que vestiu o número 10 em um amistoso na Vila Belmiro.

Pelo Santos foram 369 partidas disputadas com 4 gols marcados. Sua última participação com a camisa do “Peixe” aconteceu em 9 de agosto de 1964, na vitória por 2×1 frente ao Juventus na Rua Javari.

Crédito: revista Bola Alvinegra número 3 – Novembro de 1963 – Material publicado no site: novomilenio.inf.br.

Crédito: revista Bola Alvinegra número 3 – Novembro de 1963 – Material publicado no site: novomilenio.inf.br.

Assim, o experiente Dalmo voltou novamente para Campinas e acertou suas bases para defender o mesmo Guarani.

Jogou ainda pelo Paulista de Jundiaí, onde encerrou a carreira como jogador profissional em 1967. 

Dalmo, que trabalhou como comentarista e como funcionário público até se aposentar, faleceu na manhã de 2 de fevereiro de 2015, aos 82 anos de idade.

O ídolo santista sofria com o Mal de Alzheimer e estava internado em razão de um quadro de infecção.

Dalmo voltou ao Guarani. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 288 – Outubro de 1965.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada (por Eduardo Enfeldt), revista Bola Alvinegra, revista do Esporte (por Milton Salles e Jurandir Costa), revista Manchete, Jornal A Gazeta Esportiva, acervosantosfc.com, ASSOPHIS – Associação dos Pesquisadores e Historiadores do Santos F.C, campeoesdofutebol.com.br, folha.uol.com.br, globoesporte.globo.com, novomilenio.inf.br, santosfc.com.br (por André Mendes), site do Milton Neves.

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