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O refrigerante Grapette chegou ao Brasil em 1948 pela Companhia de Refrigerantes Guanabara, uma empresa sediada no estado do Rio de Janeiro.

A bebida, de sabor único, repetiu sua trajetória de sucesso também no Brasil e várias franquias foram abertas.

Lembrado pelos consumidores até os dias de hoje, o slogan “Quem bebe Grapette repete” confirmou o sucesso do produto como delicioso e inesquecível, sendo também considerado um dos marcos de comunicação na época.

Jorge Borges de Couto, que ficou conhecido no mundo da bola como “Grapete”, nasceu no município de Silvianópolis (MG), em 26 de maio de 1943.

O apelido apareceu ainda na infância, quando seu pai servia o clássico refrigerante no balcão de seu bar, localizado na praça central de Silvianópolis.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Crédito: ivoaffonso.blogspot.com.br.

Como não poderia deixar de ser, o pequeno Grapete também apreciava o líquido espumante e dessa forma sua identidade foi moldada para sempre.

Anos mais tarde, seu José Borges de Couto, o pai de Grapete, precisou mudar para Pouso Alegre em razão da compra do Hotel Cometa.

Estudando no Colégio São José, Grapete cresceu jogando no campinho que existia próximo da Catedral.

Quando o LEMA foi criado (Liga Esportiva Municipal de Amadores), Grapete fazia parte do time do senhor Raimundo Cocada. Jogava inicialmente como atacante e depois como lateral esquerdo, época em que recebeu os primeiros trocados como jogador.

Em seguida, foi jogar no Palmeirinha local até ser levado para testes em equipes da região de São José do Rio Preto (SP).

Dirceu Lopes é acompanhado de perto por Grapete. Crédito: revista do Esporte.

O Atlético Mineiro que em 1968 representou o Brasil e venceu a Iugoslávia por 3×2. Em pé: Vander, Grapete, Vanderlei, Mussula, Normandes e Décio Teixeira. Agachados: Ronaldo, Amaury, Vaguinho, Lola e Tião. Crédito: Crédito: revista Mineirão – A Enciclopédia do Futebol Mineiro.

Sem sucesso, Grapete e o amigo Adãozinho ainda fizeram outras tentativas nos grandes clubes da capital paulista, onde também não foram aprovados.

Novamente em Pouso Alegre, Grapete jogava pelo Rodoviário Futebol Clube, até seu futebol ser descoberto por um fiscal do antigo INPS.

Pessoa influente no Clube Atlético Mineiro, o fiscal levou Grapete em 1962 para morar com o irmão Wagner em Belo Horizonte.

Foi assim que Grapete iniciou sua trajetória nos quadros amadores do “Galo” mineiro. Em pouco tempo assinou o popular “contrato de gaveta”, instrumento que impediu sua transferência para o Cruzeiro.

Os primeiros tempos foram desafiadores para o jovem de Silvianópolis. Além de provar que tinha futebol para permanecer no clube, Grapete ainda tinha que ouvir que ganhava dinheiro fazendo propaganda para a tal fábrica de refrigerantes.

Grapete e Tostão lutam pela bola no Mineirão. Crédito: revista Placar.

O Atlético Mineiro em 1970. Em pé: Humberto Monteiro, Vanderlei Paiva, Grapete, Vander, Careca e Cincunegui. Agachados: Vaguinho, Lola, Oldair, Laci e Tião. Crédito: revista Placar – 8 de maio de 1970.

Em 1964, graças ao trabalho do treinador Wilson de Oliveira, Grapete recebeu suas primeiras oportunidades no time principal, até ser definitivamente efetivado como zagueiro.

Grapete fez parte do combinado mineiro que venceu o River Plate da Argentina por 1×0, na inauguração do Estádio do Mineirão em 1965.

Em 1968 Grapete também esteve em campo na partida em que o Atlético Mineiro representou o Brasil e venceu a Iugoslávia pela contagem de 3×2. Abaixo, os registros do jogo:

19 de dezembro de 1968 – Amistoso internacional – Brasil (Atlético Mineiro) 3×2 Iugoslávia – Estádio do Mineirão – Árbitro: Ramón Barreto (Uruguai) – Gols: Josip Bukal aos 5’, Nenad Bjekovic aos 8’, Vaguinho aos 32’, Amauri Horta aos 45’ e Ronaldo aos 53’ do segundo tempo.

Brasil (Atlético Mineiro): Mussula; Vander, Normandes (Djalma Dias), Grapete e Décio Teixeira; Vanderlei Paiva, Amauri Horta e Lola; Vaguinho, Ronaldo e Tião (Caldeira). Ioguslávia: Ivan Curkovic; Andjelko Tesan, Rajko Aleksiv, Miroslav (Dragan Holcher) e Dojcinovski; Paunovic, Nenad Bjekovic (Ilija Katic) e Spasovski; Vahidin Musemic (Rudolf Belin), Jovan Acimovic (Fikret Mujkic) e Josip Bukal.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Campeão da Taça Belo Horizonte e do campeonato mineiro de 1970, Grapete foi campeão brasileiro em 1971, no grande time comandado por Telê Santana.

Mas tudo mudou em 1973, quando brotou o desejo de deixar o Atlético Mineiro. Em reportagem publicada pela revista Placar em sua edição número 176, Grapete afirmava que seu futebol não era devidamente reconhecido.

Triste, Grapete queria mesmo era trocar de time, algo que causou um alvoroço danado no clube e também nos torcedores, que não aceitavam uma possível saída do jogador.

Acabou permanecendo no Atlético até 1975, quando uma lesão no joelho o fez deixar os gramados depois de quase 480 partidas disputadas. Longe do futebol, Grapete voltou para Pouso Alegre e tocou a vida como comerciante.

Fotos de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 27 de julho de 1973.

Grapete em disputa de bola com Leivinha do Palmeiras. Crédito: revista Placar – 19 de outubro de 1973.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Albino Castro Filho, Arthur Ferreira e Célio Apolinário), revista do Esporte, revista Futebol Foto Esporte, revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mineirão – Enciclopédia do Futebol Mineiro, revista O Cruzeiro, Jornal Estado de Minas, atletico.com.br, campeoesdofutebol.com.br, estadao.com.br, globoesporte.globo.com, ivoaffonso.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Sérgio Quintella), albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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