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Com um dos apelidos mais apropriados para um ponta direita, hoje lembramos de Flecha, que marcou época nos gramados brasileiros dos anos setenta.

Gilberto Alves de Souza nasceu em Porto Alegre (RS), no dia 31 de dezembro de 1946.

Iniciou sua trajetória no quadro infantil do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e, curiosamente, algum tempo depois, apareceu no juvenil do Sport Club Internacional, quando se transformou em um dos destaques do time.

Foi Nitota, ex-jogador do Colorado, que impressionando com a velocidade do ponteiro direito, o apelidou de Flecha. Até que um dia, o treinador Paulinho de Almeida apareceu no clube e mandou quase todos os garotos embora.

Figurinha carimbada de Flecha no Grêmio. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Figurinha carimbada de Flecha no Grêmio. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Cromo de Flecha no Grêmio. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Cromo de Flecha no Grêmio. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Perambulando pela vida, Flecha encontrou condições de prosseguir no time do Avenida de Santa Cruz em 1966.

Logo em seguida foi para o Grêmio Esportivo Flamengo de Caxias do Sul, atual Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias, onde se profissionalizou.

Em fins do ano de 1967, Flecha voltou ao Grêmio e finalmente seu futebol desencantou. Naquele time de 1968, heptacampeão gaúcho, Flecha foi aos poucos conquistando seu espaço.

Mas, as investidas ousadas de Flecha pelo lado direito e de Loivo pelo lado esquerdo, mereciam uma sorte melhor.

Em 25 de outubro de 1970, Ponte Preta e Grêmio empataram em 1x1 no Parque Antártica pelo Torneio Robertão. Crédito: revista Placar - 30 de outubro de 1970.

Em 25 de outubro de 1970, Ponte Preta e Grêmio empataram em 1×1 no Parque Antártica pelo Torneio Robertão. Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

Flecha (esquerda), em partida do Grêmio contra o Flamengo no Maracanã. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1971.

Flecha (esquerda), em partida do Grêmio contra o Flamengo no Maracanã. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1971.

Em 1969 o Grêmio perdeu seu domínio quando sucumbiu diante do Inter, que nos anos seguintes estabeleceu uma supremacia estadual e nacional ao conquistar oito estaduais consecutivos e três campeonatos brasileiros.

Mas Flecha não ficou para testemunhar aquele massacre imposto pelo “Colorado”.

Em meados de 1971, o ponteiro foi emprestado ao Coritiba Foot Ball Club, onde não conseguiu tirar o lugar de Leocádio.

Retornou ao Grêmio e permaneceu até 1973, quando Tarciso, o novo “Flecha Negra” da torcida, apropriou-se da camisa 7. Foi assim que Flecha foi para o América do Rio de Janeiro.

Crédito: revista Placar - 17 de outubro de 1975.

Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1975.

Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 17 de outubro de 1975, página 32, Flecha afirmou ter levado um calote gremista de mais de 60.000 cruzeiros na transação com o clube carioca.

E Flecha foi viver na Cidade Maravilhosa, que conforme palavras do próprio jogador, se mostrou mesmo um lugar de encantos perigosos e ameaçadores.

Com um apartamento alugado no Leblon, bem longe do bairro do Andaraí, Flecha curtiu sua vida como queria, mas também viu crescer sua fama de encrenqueiro, boêmio e rebelde.

Crédito: revista Placar - 25 de abril de 1975.

Crédito: revista Placar – 25 de abril de 1975.

Campeão da Taça Guanabara de 1974, o encanto americano foi encerrado com sua transferência para o Guarani, ainda em 1974.

E foi no time verde de Campinas que o ponteiro direito encontrou o seu melhor momento.

Flecha destacou-se bastante ao lado de companheiros como Zenon, André, Brecha e Ziza, sendo convocado para defender o escrete que conquistou o Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos em 1976.

Na época, Flecha pensou em pedir dispensa da seleção e só não o fez em razão dos apelos insistentes de sua família. Mas, sua passagem pela seleção não foi das mais brilhantes.

Flecha, em destaque, em mais um excelente time do América. Crédito: revista Placar.

Flecha, em destaque, em mais um excelente time do América. Crédito: revista Placar.

Seleção Brasileira em 1976. Em pé: Waldir Peres, Chicão, Nelinho, Miguel, Amaral e Marinho Chagas. Agachados: Flecha, Geraldo, Palhinha, Rivellino e Lula. Crédito: revista Placar.

Seleção Brasileira em 1976. Em pé: Waldir Peres, Chicão, Nelinho, Miguel, Amaral e Marinho Chagas. Agachados: Flecha, Geraldo, Palhinha, Rivellino e Lula. Crédito: revista Placar.

Dias depois, Flecha revelou que sabia que tinha perdido uma grande oportunidade na seleção. Revelou também que desde o dia do embarque para os Estados Unidos já sentia os sintomas do que ficou constatado mais tarde: Hepatite!

Depois de ganhar o primeiro turno do campeonato paulista de 1976, o time todo do Guarani caiu de produção no segundo turno. O técnico Diede Lameiro pediu demissão diante de um suposto protesto dos jogadores, inclusive de Flecha.

Mas o ponteiro se defendeu em entrevista concedida para a revista Placar, em sua edição de 12 de novembro de 1976:

–  Eu era amigo pessoal do seu Diede e até frequentava a casa dele. Quando ele comunicou sua decisão de deixar o Guarani, falei em nome dos jogadores e pedi para ele ficar. Deve ser alguém com muita bronca de mim para dizer um negócio desses!

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar - 13 de fevereiro de 1976.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar – 13 de fevereiro de 1976.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar - 25 de fevereiro de 1977.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar – 25 de fevereiro de 1977.

Um ano depois de chegar na Seleção, Flecha rompeu com o Guarani e voltou para o Rio Grande do Sul.

Contava com 30 anos e nenhuma lesão grave. Poderia ainda seguir por alguns anos defendendo outros grandes clubes do futebol nacional.

Talvez, os comentários de mau comportamento fora de campo o tenham prejudicado.

Mas o ponteiro direito acabou retornando para o interior gaúcho, jogou pelo Juventude durante dois anos e finalmente encerrou sua carreira em 1980, jogando pelo Brasil de Pelotas.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar - 12 de novembro de 1976.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1976.

Flecha no Juventude. Crédito: revista Placar - 1 de setembro de 1978.

Flecha no Juventude. Crédito: revista Placar – 1 de setembro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Albino Castro Filho e Maurício Cardoso), revista O Curingão, revista Manchete Esportiva, site do Milton Neves, lancepedia.com.br, bolacanhao.blogspot.com.br campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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