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Colaborou Sérgio Gonçalves.

Com um dos apelidos mais apropriados para um ponta direita, hoje lembramos de Flecha, que marcou época nos gramados brasileiros dos anos setenta.

Gilberto Alves de Souza, o Flecha, nasceu em Porto Alegre (RS), no dia 31 de dezembro de 1946.

Iniciou sua trajetória no quadro infantil do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e, curiosamente, algum tempo depois, apareceu no juvenil do Sport Club Internacional, quando se transformou em um dos destaques do time.

Foi Nitota, ex-jogador do Internacional, que impressionando com a velocidade do ponteiro direito o apelidou de Flecha. Até que um dia, o treinador Paulinho de Almeida apareceu no clube e mandou quase todos os garotos embora.

Em 25 de outubro de 1970, Ponte Preta e Grêmio empataram em 1×1 no Parque Antártica pelo Torneio Robertão. Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

Flecha (esquerda), em partida do Grêmio contra o Flamengo no Maracanã. Crédito: revista Placar – 10 de setembro de 1971.

Perambulando pela vida, Flecha encontrou condições de prosseguir no time do Avenida de Santa Cruz em 1966.

Logo em seguida foi para o Grêmio Esportivo Flamengo de Caxias do Sul, atual Sociedade Esportiva e Recreativa Caxias, onde assinou seu primeiro compromisso profissional.

No findar de 1967 Flecha voltou ao Grêmio e finalmente seu futebol desencantou. Naquele time de 1968, heptacampeão gaúcho, Flecha foi aos poucos conquistando seu espaço.

Mas, as investidas ousadas de Flecha pelo lado direito e de Loivo pelo lado esquerdo, mereciam uma sorte melhor.

Em 1969 o Grêmio perdeu seu domínio quando sucumbiu diante do Internacional, que nos anos seguintes estabeleceu uma supremacia estadual e nacional ao conquistar oito estaduais consecutivos e três campeonatos brasileiros.

Figurinha carimbada de Flecha no Grêmio. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 25 de abril de 1975.

Mas Flecha não ficou para testemunhar todo aquele massacre vermelho.

Em meados de 1971, o ponteiro foi emprestado ao Coritiba Foot Ball Club, onde não conseguiu tirar o lugar de Leocádio.

Retornou ao Grêmio e permaneceu até 1973, quando Tarciso, o novo “Flecha Negra” da torcida se apropriou da camisa 7. Foi assim que Flecha foi parar no América do Rio de Janeiro.

Conforme reportagem publicada pela revista Placar em 17 de outubro de 1975, página 32, Flecha afirmou ter levado um calote gremista de mais de 60.000 cruzeiros na transação com o clube carioca.

E Flecha foi viver na “Cidade Maravilhosa”, que conforme palavras do próprio jogador, se mostrou mesmo um lugar de encantos perigosos e ameaçadores.

Crédito: revista Placar – 17 de outubro de 1975.

Com um apartamento alugado no Leblon, bem longe do América, Flecha curtiu sua vida como queria, mas também viu crescer sua fama de encrenqueiro, boêmio e rebelde.

Campeão da Taça Guanabara de 1974, Flecha desabafou ao repórter Albino Castro Filho da revista Placar:

– Falam que eu sou isso e aquilo. Mas eu só falo o que sei. Ou não é verdade que o América só perdeu o campeonato de 1974 porque foi garfado pelos árbitros?

– Falta de sorte uma vírgula! Perdemos o caneco estadual no apito. Nosso time era o melhor do Rio de Janeiro e todos sabiam disso!

Flecha, em destaque, em mais um excelente time do América. Crédito: revista Placar.

Seleção Brasileira em 1976. Em pé: Waldir Peres, Chicão, Nelinho, Miguel, Amaral e Marinho Chagas. Agachados: Flecha, Geraldo, Palhinha, Rivellino e Lula. Crédito: revista Placar.

O encanto da “Cidade Maravilhosa” chegou ao fim com sua transferência definitiva para o Guarani Futebol Clube de Campinas (SP).

Conforme contribuição do internauta Sérgio Gonçalves, Flecha ainda disputou o campeonato carioca de 1975 pelo América antes de assinar com o Bugre em 1976.

E foi no Guarani que o ponteiro direito encontrou o seu melhor momento dentro das quatro linhas.

Flecha se destacou bastante ao lado de Zenon, André, Brecha e Ziza. O bom desempenho foi reconhecido com sua convocação para defender o escrete canarinho que conquistou o Torneio do Bicentenário dos Estados Unidos, em 1976.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar – 13 de fevereiro de 1976.

Na época, Flecha não se sentia bem e pensou em pedir dispensa da seleção. Só não o fez em razão dos apelos insistentes de sua família.

Mas, sua passagem pelo escrete comandado pelo mestre Brandão não foi das mais brilhantes.

Tempos depois, Flecha afirmou que sabia que tinha perdido uma grande oportunidade na seleção. Revelou também que desde o dia do embarque para os Estados Unidos já sentia os sintomas do que ficou constatado mais tarde: Uma hepatite!

Depois de ganhar o primeiro turno do campeonato paulista de 1976, o time todo do Guarani caiu de produção no segundo turno. O técnico Diede Lameiro pediu demissão, pressionado por um suposto protesto dos jogadores, inclusive de Flecha.

Flecha no Guarani. Crédito: revista Placar – 25 de fevereiro de 1977.

Mas o ponteiro se defendeu em entrevista concedida para a revista Placar, em sua edição de 12 de novembro de 1976:

–  Eu era amigo pessoal do seu Diede e até frequentava a casa dele. Quando o seu Diede comunicou que deixaria o Guarani, tratei de falar em nome dos jogadores e pedi para ele ficar. Deve ser alguém com muita bronca de mim para dizer um negócio desses!

Um ano depois de chegar na Seleção, Flecha rompeu com o Guarani. Sem nenhuma lesão grave, o ponteiro direito poderia ainda seguir por mais alguns anos defendendo outros grandes clubes do futebol nacional.

Mas Flecha afirmou que nenhum problema mais sério o fez deixar o Guarani. Seu desejo era mesmo era voltar para sua terra natal.

Jogou ainda pelo Esporte Clube Juventude (RS) durante dois anos e finalmente encerrou sua carreira em 1980, pelo Grêmio Esportivo Brasil de Pelotas (RS).

Em foto de Manoel Motta, Flecha desfila seu vigor no Brinco de Ouro. Crédito: revista Placar – 12 de novembro de 1976.

Flecha no Juventude. Crédito: revista Placar – 1 de setembro de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Albino Castro Filho e Maurício Cardoso), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista O Curingão, revista Manchete Esportiva, site do Milton Neves, lancepedia.com.br, bolacanhao.blogspot.com.br campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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