Tags

, , ,

imagem8

Vítima de um rompimento contratual absurdo quando atuava pela Portuguesa, o roteiro do uruguaio Héctor Silva pelos gramados brasileiros foi curto e ao mesmo tempo marcado pela falta de sorte.

Carlos Héctor Silva nasceu na cidade de Montevidéu, no Uruguai, em primeiro de fevereiro de 1940.

Mais um fruto da ótima safra de craques uruguaios dos anos sessenta, seu primeiro clube foi o tradicional Danubio Fútbol Club, onde chegou no princípio do ano de 1958.

Imagem17

Meio campista habilidoso, atuava pelos dois lados do campo com facilidade. Especialista para encontrar espaços e acionar os ponteiros em bolas de profundidade, Héctor também sabia fazer gols.

Permaneceu no Danúbio até o final da temporada de 1963, quando seu passe foi adquirido pelo Club Atlético Peñarol, onde marcou época.

Durante os seis anos em que jogou na equipe amarela e preta foi bicampeão uruguaio, além de ter vencido a Taça Libertadores e o mundial de clubes de 1966.

Jogando pela “Celeste Olímpica”, Héctor Silva também obteve bastante destaque. Disputou os mundiais de 1962 no Chile e 1966 na Inglaterra.

Crédito: revista Estrellas Deportivas (Uruguai).

Crédito: revista Estrellas Deportivas (Uruguai).

Em razão de sua grande experiência em disputas internacionais, o meio campista foi contratado pela Sociedade Esportiva Palmeiras em 1970, com intermediação do famoso empresário Juan Figger.

Na época, os diretores do alviverde paulista procuravam reforçar seu elenco com o objetivo de fazer um bom papel na Taça de Prata de 1970.

Em sua primeira temporada no Palestra Itália, Héctor formou uma linha ofensiva eficiente ao lado de Edu Bala, César Maluco, Ademir da Guia e o ponteiro esquerdo Pio.

Com o vice campeonato na Taça de Prata de 1970, o Palmeiras garantiu o direito de participar da Taça Libertadores da América de 1971.

imagem13

Nessa formação da "Celeste", Héctor Silva é o terceiro agachado partindo da esquerda. Crédito: soccernostalgia.blogspot.com.br.

Nessa formação da “Celeste”, Héctor Silva é o terceiro agachado partindo da esquerda. Crédito: soccernostalgia.blogspot.com.br.

Eliminado na Libertadores pelo Club Nacional de Football do Uruguai, que Héctor Silva conhecia muito bem, o Palmeiras não conseguiu o êxito tão esperado naquela competição.

Depois da chegada do novato e talentoso Leivinha, Héctor Silva acabou deixando precocemente o Palmeiras e foi negociado com a Associação Portuguesa de Desportos.

Seus números jogando pelo Palmeiras, entre os anos de 1970 e 1971, apontam 80 partidas disputadas com 47 vitórias, 23 empates, 10 derrotas e 16 gols marcados.

Os dados foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Uma das formações do Palmeiras em 1970. Em pé: Eurico, Leão, Baldochi, Nelson, Dé e Dudu. Agachados: Edu, Héctor Silva, César, Pio e Ademir da Guia.

Uma das formações do Palmeiras em 1970. Em pé: Eurico, Leão, Baldochi, Nelson, Dé e Dudu. Agachados: Edu, Héctor Silva, César, Pio e Ademir da Guia.

Os bons momentos no Palmeiras não foram suficientes para Héctor ficar. Crédito: revista Placar.

Os bons momentos no Palmeiras não foram suficientes para Héctor ficar. Crédito: revista Placar.

Em um de seus primeiros coletivos na Portuguesa, Héctor sofreu uma séria contusão no tendão de Aquiles em um choque involuntário com o companheiro Dárcio.

Avaliado de maneira preliminar, recebeu uma série de infiltrações que só agravaram o seu estado atlético. A situação foi piorando e em pouco tempo o jogador não conseguia mais treinar.

Com o passar do tempo, os próprios médicos, não conseguiam fechar um diagnóstico seguro, fato causador do descrédito em sua conduta.

Acusado de simular uma contusão inexistente durante seis meses, Héctor Silva foi transformado em um ilustre frequentador do departamento médico da Portuguesa.

Palmeiras x Juventus no estádio do Pacaembu. Partindo da esquerda vemos Héctor Silva, jogador do Juventus não identificado, Ademir da Guia e Leivinha. Crédito: revista Placar.

Palmeiras x Juventus no estádio do Pacaembu. Partindo da esquerda vemos Héctor Silva, jogador do Juventus não identificado, Ademir da Guia e Leivinha. Crédito: revista Placar.

A revista Placar de 16 de abril de 1971 mostra o empenho do Palmeiras para disputar a Libertadores da América daquele ano. Na foto vemos César camisa 9, Héctor Silva camisa 8 e Ademir da Guia com a 10. Crédito: revista Placar.

A revista Placar de 16 de abril de 1971 mostra o empenho do Palmeiras para disputar a Libertadores da América daquele ano. Na foto vemos César camisa 9, Héctor Silva camisa 8 e Ademir da Guia com a 10. Crédito: revista Placar.

Mas sua agonia “Rubro Verde” terminou no mês de setembro de 1972, depois da derrota da Portuguesa para o Santa Cruz por 1×0 no estádio do Parque Antártica.

Aquela data ficou conhecida como a “Noite do Galo Bravo”, pois o presidente Oswaldo Teixeira Duarte afastou seis jogadores do elenco: Piau, Lorico, Marinho, Samarone e Ratinho, além do próprio Héctor Silva.

Dispensado e humilhado, Héctor foi por sua conta até Buenos Aires para se consultar com um renomado ortopedista argentino, o doutor Balbier, um dos mais famosos naquela época.

Diagnosticado com uma distensão no tendão, Héctor foi operado e retornou para São Paulo no mês de abril de 1973, quando fez questão de mostrar suas cicatrizes aos dirigentes da Lusa, que por questões morais alegaram que não poderiam voltar atrás.

Jogadores da Portuguesa de Desportos: Em pé: Joel Mendes e Humberto Monteiro. Agachados: Samarone e Héctor Silva. Crédito: revista Placar.

Jogadores da Portuguesa de Desportos: Em pé: Joel Mendes e Humberto Monteiro. Agachados: Samarone e Héctor Silva. Crédito: revista Placar.

Desempregado, arrumou trabalho no departamento comercial de uma importadora de equipamentos para aquecimento de gás na Rua Aurora, em São Paulo.

Posteriormente, quase um ano depois, ainda retornou ao Uruguai para defender o mesmo Danúbio onde começou sua trajetória, permanecendo até 1975, quando encerrou sua carreira.

Héctor Silva faleceu em Montevidéu no domingo de 30 de agosto de 2015, aos 75 anos de idade, vítima de um enfarte fulminante.

Héctor Silva trabalhando em uma importadora na Rua Aurora em São Paulo. Crédito: revista Placar.

Héctor Silva trabalhando em uma importadora na Rua Aurora em São Paulo. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Maranhão), revista Estrellas Deportivas (Uruguai), site do Milton Neves, almalusa.net, bolanaarea.com, globoesporte.globo.com, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, losmundialesdefutbol.com, campeoesdofutebol.com.br, futeboldemesanews.com.br, soccernostalgia.blogspot.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Anúncios