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Com o habitual gorrinho escondendo sua calvície precoce, Lima fez parte de um período vencedor na história da Sociedade Esportiva Palmeiras.

Eduardo Jorge de Lima era paulistano do bairro do Bom Retiro, onde nasceu em 22 de agosto de 1920.

Sua trajetória foi iniciada nos campinhos do próprio bairro, jogando como ponta esquerda do time do Progresso Nacional.

O pai, Jorge José de Lima, foi um dos pioneiros da prática do esporte quando jogou pelo Internacional da capital paulista, nos primeiros anos do século XX.

Além de Eduardo, seus quatro irmãos também foram jogadores. Mário jogou no Palestra, Vasco e América, enquanto Romeu, Antonio e Oswaldo trabalharam em outras ocupações, mas também jogaram futebol.

Crédito: reprodução Jornal A Gazeta Esportiva.

Lima e Canhotinho. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva – 14 de abril de 1945.

Depois do sucesso no modesto time do Progresso Nacional, Lima foi encaminhado ao juvenil do Corinthians, onde foi notado por olheiros que logo o indicaram ao Palestra Itália.

Lima chegou ao Palestra em 1938. Permaneceu jogando pelo segundo quadro até ser lançado no time principal em 27 de outubro, no amistoso vencido por 2×1 pelo Palestra diante do recém fundado São Paulo Futebol Clube.

No começo da década de 40, Lima foi conquistando seu espaço junto ao exigente treinador italiano Caetano de Domênico.

O apelido “Garoto de Ouro”, ou ainda “Menino de Ouro” como encontrado em algumas publicações, foi criado pelos torcedores e logo adotado pela imprensa esportiva.

Em 1940, com Lima na meia-cancha, o Palestra apresentou ótimo desempenho na temporada. Em 19 partidas o alviverde conquistou 14 vitórias, 4 empates e apenas 1 derrota, o que valeu o título paulista.

Lima na Seleção Brasileira. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 440.

Em 1941 ganhou o prêmio de “Craque do Ano” e ajudou o time na boa campanha realizada no campeonato paulista, competição vencida pelo Corinthians.

Também foi um dos personagens marcantes na “Arrancada Heróica” de 1942, acontecimento que marcou o primeiro jogo da agremiação com o batismo de Sociedade Esportiva Palmeiras.

E novamente em 1942, o São Paulo estava no caminho de Lima. Com uma vitória por 3×1, Lima deixou seu nome na história do clube e celebrou o título mais importante de sua carreira.

Em boa fase, Lima foi convocado em várias oportunidades para servir o selecionado paulista e a Seleção Brasileira. Com o comando do treinador Flávio Costa, Lima fez sua primeira partida no escrete em 1944, com uma goleada de 6×1 sobre o Uruguai.

Além da habilidade e dedicação em campo, outra característica marcante de Lima era sua calvície precoce, o que o fazia usar um costumeiro gorrinho.

Lima com a camisa do selecionado paulista. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 195.

A seleção paulista de 1942 disputou o campeonato brasileiro de seleções com um ataque realmente sensacional: Luizinho Mesquita, Servílio, Leônidas da Silva, Lima e Pipi. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.

Campeão paulista de 1944 e 1947, Lima também é lembrado por sua importante participação no período das “Cinco Coroas”:

– 1ª Coroa: Taça Cidade de São Paulo de 1950, 2ª Coroa: Campeonato paulista de 1950, 3ª Coroa: Torneio Rio-São Paulo de 1951, 4ª Coroa: Taça Cidade de São Paulo de 1951, 5ª Coroa: Copa Rio de 1951.

Abaixo, uma das importantes atuações de Lima na disputa do Torneio Rio-São Paulo de 1951:

18 de fevereiro de 1951 – Torneio Rio-São Paulo – Palmeiras 2×0 São Paulo – Estádio do Pacaembu Árbitro: Dante Rossi – Gols: Jair Rosa Pinto aos 35‘ e Aquiles aos 42‘.

Palmeiras: Lourenço; Turcão e Osvaldo; Fiúme, Luiz Villa e Sarno; Lima, Canhotinho, Aquiles, Jair Rosa Pinto (Gino) e Rodrigues. Técnico: Ventura Cambon. São Paulo: Mário (Bertolucci); Savério e Jacó (Salton); Bauer, Rui e Gonzales; Dido, Lara (Friaça), Augusto, Remo e Teixeirinha. Técnico: Vicente Feola.

Crédito: palmeiras.com.br.

Crédito: gazetaesportiva.net.

Lima permaneceu jogando nas fileiras do Palmeiras até o mês de agosto de 1954, com um total considerável de 458 partidas disputadas.

Ao todo foram 255 vitórias, 106 empates, 97 derrotas e 149 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Conforme divulgado pelo site do Milton Neves, antes de deixar os gramados de forma definitiva, Lima também passou pelo Jabaquara Atlético Clube, União São João de Araras, São Bernardo e Itatiba.

Eduardo Jorge de Lima, o “Garoto de Ouro”, faleceu no dia 17 de julho de 1973.

Crédito: revista O Cruzeiro: Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Ao lado da esposa, Lima apresenta sua coleção particular de prêmios e faixas de campeão. Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 51.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Esporte Ilustrado, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, museudosesportes.blogspot.com, palmeiras.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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