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No juvenil do Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto, aquele lourinho versátil corria incansavelmente pelo gramado do antigo estádio Costa Coelho, onde o “Leão de Ribeirão” mandava seus jogos antes do surgimento do estádio Palma Travassos.

Sabia o que fazer com o couro nos pés e era respeitado, não somente pelo fato de ser o filho do “chefão” do clube. Seu pai, Mário Ricci, ocupou o cargo de presidente do Comercial em duas oportunidades durante os anos sessenta.

O meio campista Mário Tadeu Ricci nasceu na cidade de Ribeirão Preto (SP), em 9 de abril de 1947.

Inicialmente, Tadeu jogava em equipes amadoras da região antes de chegar ao infanto juvenil do Comercial, onde foi galgando pelas categorias de base até chegar ao elenco profissional.

Crédito: revista Placar – 18 de outubro de 1974.

Tadeu assinou seu primeiro contrato profissional no início de 1966. Autêntico polivalente, Tadeu colaborava com o treinador e com os companheiros quando era necessário jogar em outras posições.

Cedido por empréstimo ao Batatais Futebol Clube, Tadeu foi novamente emprestado ao América do Rio de Janeiro em setembro de 1967.

Romântico na concepção do futebol, Tadeu esperava encontrar nos dirigentes cariocas o mesmo comportamento ético e correto que aprendeu com o pai. Entretanto, não foi isso que Tadeu encontrou e esse choque lhe causou inúmeros dissabores em sua carreira.

No América, Tadeu não demorou para agradar ao técnico Evaristo de Macedo. Conquistou um lugar no time e fez parte do elenco que chegou ao vice-campeonato da Taça Guanabara em 1967.

Figurinha de Tadeu no América. Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Formação do América no Maracanã. Em pé: Rosan, Alex, Djair, Mareco, Renato e Zé Carlos. Agachados: Tadeu Ricci, Badeco, Geremias, Edu e Marco Aurélio. Crédito: revista do Esporte.

Com seu passe adquirido de forma definitiva junto ao Comercial, o futebol de Tadeu foi crescendo no América, principalmente na disputa do Torneio Robertão de 1969.

Castigado por lesões que o tiraram do time em 1970, Tadeu só retornou no segundo semestre para disputar o campeonato carioca. Em 1972 novamente foi parar no departamento médico.

Para conseguir jogar ou treinar normalmente, Tadeu enfaixava o local dolorido e equilibrava o peso no calcanhar e no dedão. Nunca desconfiou que as dores eram resultantes de fraturas nos metatarsos, já em estado de calcificação.

Depois do diagnóstico e da cirurgia, Tadeu precisou ficar três meses em recuperação em uma cadeira de rodas, além do tempo para entrar em forma novamente.

Crédito: revista Mengão número 4 – Agosto de 1976.

Retornou disposto e disputou o campeonato brasileiro de 1974. Começou como titular mas acabou no banco de reservas.

Depois, desentendimentos com o corpo diretivo o afastaram do elenco no segundo semestre, justamente na campanha histórica do título na Taça Guanabara.

Treinando em separado, Tadeu manteve sua condição atlética. Voltou ao time mas o ambiente já não era mais o mesmo. Nesse mesmo período Tadeu iniciou seus estudos na Faculdade de Direito.

Negociado com o Clube de Regatas do Flamengo no segundo semestre de 1975, sua primeira apresentação aconteceu no mês de setembro, na derrota por 2×1 para o Internacional no Maracanã.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1977.

Pelo Flamengo, Tadeu jogou até na posição de centroavante, enquanto o falecido Geraldo atuava pela meia direita e Junior iniciava suas jornadas pela meia cancha, já que Zico era praticamente intocável.

O tempo foi passando até que o técnico Cláudio Coutinho o considerou “passado da idade” para atuar na meia cancha do Rubro Negro.

Com o uniforme do Flamengo, Tadeu Ricci realizou ao todo 101 partidas, obtendo 62 vitórias, 23 empates, 16 derrotas e 14 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Grande foi sua surpresa quando recebeu os primeiros contatos de representantes do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Dessa forma, magoado com o time da Gávea, Tadeu fez suas malas e rumou para o estádio Olímpico em janeiro de 1977.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Crédito: revista Placar número 394 – 11 de novembro de 1977.

A primeira boa notícia foi tomar conhecimento que sua contratação era esperada pelo técnico Telê Santana, que procurava montar um bom time para acabar com o domínio regional do Internacional.

Sua primeira partida pelo Grêmio aconteceu justamente em um “Grenal”, quando anotou dois tentos na vitória por 3×0.

No mesmo ano conquistou o título estadual em uma equipe que até hoje é lembrada pela torcida gremista.

Essa união entre Grêmio, Telê Santana e Tadeu Ricci foi bastante significativa. Telê sempre afirmou que Tadeu foi um dos grandes sujeitos que conheceu dentro do mundo do futebol.

Crédito: revista Placar – 17 de novembro de 1978.

Tadeu e o retorno ao Comercial. Crédito: revista Placar.

Em 1978, sem anúncios ou um pronunciamento oficial, Tadeu decidiu parar com o futebol. Mesmo jogando por pouco tempo no futebol do Sul, Tadeu deixou saudades e considera aquele período como o melhor momento de sua carreira.

De novo em Ribeirão Preto, o ex-gremista pensava no que faria longe da bola. Foi quando o Comercial apareceu novamente em sua vida. Identificado com o Comercial, Tadeu aceitou o convite e jogou por mais algum tempo.

Continuou nessa nova missão até meados do segundo semestre de 1982, quando finalmente deixou o futebol.

Conforme publicado no site do Milton Neves, depois do futebol, Tadeu abriu uma empresa de adubos e fertilizantes em sociedade com seu irmão Zé Mário, em Ribeirão Preto (SP), onde vive atualmente.

Tadeu e o retorno ao Comercial. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista Mengão, bolichodogremio.blogspot.com.br, site do Milton Neves, campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, flapedia.com.br, Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins.

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