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No juvenil do Comercial Futebol Clube de Ribeirão Preto, aquele lourinho versátil corria incansavelmente pelo gramado do antigo Estádio Costa Coelho, onde o “Leão de Ribeirão” mandava seus jogos antes do surgimento do Palma Travassos.

Sabia o que fazer com o couro nos pés e era respeitado, não somente pelo fato de ser o filho do “chefão” do clube. O pai, Mário Ricci, ocupou o cargo de presidente do Comercial em duas oportunidades nos anos 60.

O grande meio-campista Mário Tadeu Ricci nasceu na cidade de Ribeirão Preto (SP), em 9 de abril de 1947.

Inicialmente, Tadeu jogava em equipes amadoras da região, antes de chegar ao infanto-juvenil do Comercial, onde foi subindo de categorias até chegar ao elenco principal.

Tadeu assinou seu primeiro contrato profissional em 1966. Autêntico polivalente, Tadeu colaborava com o treinador quando era necessário jogar em outras posições.

Formação do América no Maracanã. Em pé: Rosan, Alex, Djair, Mareco, Renato e Zé Carlos. Agachados: Tadeu Ricci, Badeco, Geremias, Edu e Marco Aurélio. Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista Placar – 28 de novembro de 1975.

Cedido por empréstimo ao Batatais Futebol Clube, Tadeu foi novamente emprestado ao América do Rio de Janeiro em setembro de 1967.

Romântico na concepção do futebol, Tadeu esperava encontrar nos dirigentes cariocas o mesmo comportamento correto que aprendeu com o pai. Todavia, não foi isso que o esperava no cenário carioca.

No América, Tadeu não demorou para agradar ao técnico Evaristo de Macedo. Conquistou um lugar no time e fez parte do elenco que chegou ao vice-campeonato da Taça Guanabara em 1967.

Com o passe adquirido de forma definitiva junto ao Comercial, o futebol de Tadeu foi crescendo no América, principalmente na disputa do Torneio Roberto Gomes Pedrosa de 1969.

Castigado por lesões, Tadeu só voltou no segundo semestre para disputar o campeonato carioca. Em 1972 foi parar no Departamento Médico novamente.

Crédito: revista Placar – 28 de novembro de 1975.

Para conseguir jogar ou treinar normalmente, Tadeu enfaixava o local dolorido e equilibrava seu peso no calcanhar e no dedão. Nunca desconfiou que o incômodo das dores eram resultantes de fraturas nos metatarsos, já em estado de calcificação.

Depois do diagnóstico e da cirurgia, Tadeu ficou três meses em recuperação em uma cadeira de rodas, além do tempo para entrar em forma novamente.

Retornou disposto e disputou o campeonato brasileiro de 1974. Começou como titular mas acabou no banco de reservas.

Depois, desentendimentos com o corpo diretivo o afastaram do elenco no segundo semestre, justamente na campanha histórica do título na Taça Guanabara.

Treinando em separado, Tadeu manteve sua condição física. Voltou ao time mas o ambiente já não era mais o mesmo. Nesse mesmo período, Tadeu iniciou os estudos na Faculdade de Direito.

Crédito: revista Placar – 16 de julho de 1976.

Crédito: revista Mengão número 4 – Agosto de 1976.

Negociado com o Clube de Regatas do Flamengo no segundo semestre de 1975, sua primeira apresentação aconteceu no mês de setembro, na derrota por 2×1 para o Internacional no Maracanã.

Pelo Flamengo, Tadeu jogou até na posição de centroavante, enquanto o falecido Geraldo atuava pela meia-direita e o lateral Júnior iniciava suas jornadas pela meia-cancha, já que Zico era praticamente um intocável.

O tempo foi passando até que o técnico Cláudio Coutinho o considerou velho demais para continuar na Gávea.

Com a camisa do Flamengo, Tadeu Ricci realizou ao todo 101 partidas com 62 vitórias, 23 empates, 16 derrotas e 14 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Crédito: revista Placar.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 11 de novembro de 1977.

Grande foi a surpresa ao receber os primeiros contatos de representantes do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Dessa forma, magoado com o treinador do Flamengo, Tadeu rumou feliz para Porto Alegre em janeiro de 1977.

A primeira boa notícia foi saber que sua contratação era muito esperada pelo técnico Telê Santana, que na ocasião procurava montar uma boa equipe para acabar com o domínio regional do Internacional.

Telê Santana sempre afirmou que Tadeu foi um dos grandes sujeitos que conheceu no mundo do futebol. E esse bom entendimento entre Telê e Tadeu Ricci foi bastante produtivo para o Grêmio.

Sua primeira partida aconteceu justamente em um “Grenal”, quando marcou dois gols na boa vitória sobre o rival por 3×0.

No mesmo ano, Tadeu conquistou o título gaúcho em uma equipe até hoje lembrada pela torcida gremista.

Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 17 de novembro de 1978.

Em 1978, sem qualquer pronunciamento oficial, Tadeu decidiu parar com o futebol. Mesmo jogando por pouco tempo no futebol do Sul, Tadeu deixou saudades e considera aquele período como o melhor momento de sua carreira.

De novo em Ribeirão Preto, o ex-gremista pensava no que faria longe da bola.

Foi quando o Comercial apareceu novamente em sua vida. Identificado com o clube, Tadeu aceitou o convite e jogou por mais algum tempo.

Continuou nessa nova missão até meados do segundo semestre de 1982, quando finalmente deixou os gramados.

Conforme publicado no site do Milton Neves, depois do futebol, Tadeu abriu uma empresa de adubos e fertilizantes em sociedade com seu irmão em Ribeirão Preto (SP), onde vive atualmente.

O retorno ao Comercial. Foto de Fernando Braga. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Fernando Braga, JB Scalco, Manoel Motta e Rodolpho Machado), revista do Esporte, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista Mengão, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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