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Com um nome curtinho e fácil de decorar, o jovem Suly chegou esperançoso ao juvenil do Grêmio Esportivo Brasil (RS), o time do simpático índio Xavante de Pelotas.

Espigado e com o rosto coberto por espinhas, sua feição causou certa desconfiança. Afinal, como poderia aquele magrinho segurar os potentes petardos disparados pelos robustos marmanjos?

Suly Cabral Machado nasceu no dia 29 de outubro de 1938, em Pelotas (R.S). Após uma curta permanência no quadro juvenil, Suly foi aproveitado no elenco principal como suplente do experiente Carúccio.

Campeão citadino nas edições de 1954 e 1955, Suly assumiu a condição de titular em 1956, durante uma excursão internacional.

Suly fez sucesso também pelo Aimoré de São Leopoldo. Crédito: revista do Esporte.

Com o sucesso batendo na porta, Suly ganhou especial representatividade em sua passagem pelo Clube Esportivo Aimoré de São Leopoldo (RS), equipe que também revelou o meio campista Mengálvio, que depois fez sucesso jogando pelo Santos.

Contratado pelo Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense em 1959, Suly permaneceu na suplência de Ruben Salvador Germinaro, o “Argentino Voador”, goleiro que pela primeira vez usou uma camisa amarela em gramados brasileiros.

Em 1960, depois da oportuna saída do guarda metas argentino, Suly superou o companheiro Henrique na briga pela camisa 1.

O primeiro “Grenal” foi disputado em 21 de abril de 1960, com boa vitória gremista por 3×0. No “Grenal” seguinte, realizado em 21 de agosto do mesmo ano, mais uma vitória por 5×1.

Nesse mesmo período, Suly defendeu o selecionado gaúcho e conquistou seu primeiro título estadual em 1960.

Crédito: reliquiasdofutebol.blogspot.com.br.

Gilberto e Suly. Crédito: revista do Esporte número 267.

Contratado pelo São Paulo Futebol Clube em 1961, Suly encontrou outro argentino em seu caminho: O lendário José Poy, que já acenava com sua aposentadoria.

Aos poucos, Suly ganhou confiança e ao lado de Poy inaugurou uma fase promissora no imponente do Estádio do Morumbi.

Em 15 agosto de 1963, Suly esteve em campo no famoso jogo do “Cai-Cai”, quando o São Paulo venceu o Santos por 4×1 no Pacaembu, confronto interrompido em razão das expulsões e “contusões” dos jogadores do Santos.

Outro grande momento de Suly aconteceu durante a excursão invicta do São Paulo pelos gramados da Europa, em maio de 1964.

Foram 12 partidas com 9 vitórias e 3 empates. O Tricolor enfrentou e venceu equipes tradicionais como o Borussia Dortmund (ALE), Bordeaux (FRA), Fiorentina (ITA) e Milan (ITA).

Crédito: revista do Esporte.

Os gaúchos Suly e Valdir, antes de mais um clássico entre São Paulo e Palmeiras. Crédito: revista do Esporte número 328 – 19 de junho de 1965.

Suly também foi um recordista de participações. Foi o primeiro goleiro com marcas estatísticas expressivas na história do clube.

Entre 23 de janeiro de 1963 e 24 de janeiro de 1965, Suly disputou 107 jogos consecutivos, feito superado anos depois por Rogério Ceni.

Abaixo, uma das participações de Suly durante o campeonato paulista de 1965:

1 de agosto de 1965 – Campeonato paulista primeiro turno – São Paulo 1×1 Santos – Estádio do Morumbi – Árbitro: Olten Aires de Abreu – Gols: Coutinho aos 28’ do primeiro tempo e Roberto Dias aos 21’ do segundo tempo.

São Paulo: Suly; Osvaldo Cunha, Bellini, Roberto Dias e Tenente; Nenê e Valter; Peter, Prado, Pagão e Paraná. Técnico: José Poy. Santos: Gylmar; Carlos Alberto, Mauro, Orlando e Geraldino; Zito e Lima; Peixinho, Coutinho, Pelé e Abel. Técnico: Lula.

Crédito: divulgação/site oficial do São Paulo Futebol Clube.

No Morumbi, ainda em construção. Partindo da esquerda; Jurandir, Suly, Bellini e Roberto Dias. Crédito: revista do Esporte número 371 – 1966.

Enquanto esteve no Morumbi, Suly disputou posição com outros goleiros de muita qualidade: Picasso, Raul, Fábio, Vanderlei, Glauco e Gilberto.

Disciplinado, Suly era um atleta que dormia cedo e não tinha vícios, a não ser pela costumeira dedicação com sua considerável coleção de moedas.

Mesmo sem conquistar um título paulista, Suly marcou época no São Paulo. Foram 266 jogos disputados com 138 vitórias, 65 empates e 63 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, do autor Alexandre da Costa.

No findar da temporada de 1966, Suly foi emprestado ao Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto, onde continuou até 1968.

Em 1969 voltou para o Brasil de Pelotas, lá permanecendo até 1973, quando deixou os gramados para exercer a Medicina Veterinária.

Bellini e Suly. Crédito: revista do Esporte número 375 – Maio de 1966.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista do São Paulo, revista do Grêmio, reliquiasdofutebol.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, esquadroesdefutebol.blogspot.com.br, cacellain.com.br, site do Milton Neves, colecionadorxavante.com.br, gremiocopero.com, torcedor.gremista.nom.br, site oficial do São Paulo Futebol Clube, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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