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Mesmo com toda a perplexidade provocada pelo “Maracanazo”, o Rio de Janeiro tentava reaver algum sopro de entusiasmo para o pontapé inicial do campeonato carioca de 1950.

O pesadelo da Copa do Mundo ainda era o principal assunto em 26 de julho de 1950, data em que chegava ao mundo mais um carioca que teria seu destino ligado ao futebol.

Descendente de portugueses, Manuel Rezende Mattos Cabral passou boa parte da infância batendo bola no bairro da Penha, até ser levado ao time Dente de Leite do Olaria Atlético Clube (RJ) em 1960.

Aluno do Colégio Pedro II, o rapazinho conhecido como Nelinho era um aluno disperso e só chegou até o segundo ano do curso ginasial. Preocupada, a mãe decretou que o filho fosse trabalhar!

Então, Nelinho conseguiu uma ocupação como “Office Boy” no centro do Rio de Janeiro. Algum tempo depois deixou o time da Rua Bariri e confiante foi fazer um teste no América (RJ).

O jovem Nelinho quando passou pelo Futebol Clube Barreirense de Portugal. Crédito: cromodoscromos.blogspot.com.br.

Na volta ao Brasil, Nelinho passou pelo Bonsucesso (RJ) e Clube do Remo (PA) para depois brilhar no Cruzeiro! Crédito: revista Placar.

Aprovado nas seletivas do América (RJ), Nelinho faltava no trabalho para treinar. Jogava com facilidade como lateral-direito ou também esquerdo, uma realidade que mudou completamente pelas mãos do técnico Otto Glória.

Com raras oportunidades na meia-cancha do quadro principal, Nelinho continuou no alvirrubro até 1970, quando por influência direta do mesmo Otto Glória apareceu uma boa oportunidade no Futebol Clube Barreirense de Portugal.

Mas Nelinho não conseguiu ficar por muito tempo em Portugal. Assustado com a possibilidade do serviço militar obrigatório, o jovem voltou correndo para o Rio de Janeiro, mesmo com sua documentação presa no Barreirense.

Beneficiado mais tarde por uma cansativa batalha jurídica, Nelinho recebeu os direitos pelo próprio passe. Parado e pensando no que fazer da vida, o fantasma de parar de jogar era uma possibilidade concreta!

Totalmente desanimado com o futebol profissional, Nelinho foi surpreendido pelo ex-companheiro Jonas, goleiro do América, que insistia muito para que o amigo tentasse prosseguir nas fileiras do Bonsucesso Futebol Clube (RJ).

Também com a bola em movimento, Nelinho chutava com perfeição! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 9 de novembro de 1973.

Em 1975 Nelinho foi o vencedor na apuração da “Bola de Prata” da revista Placar. Partindo da esquerda; Nelinho, Wilson Piazza e Zé Carlos. Foto de Celso Apolinário. Crédito: revista Placar – 21 de novembro de 1975.

Diante das negativas prolongadas do teimoso Nelinho, o goleiro Jonas descobriu um aliado importante para continuar em sua nobre missão.

Um dos baluartes do título do campeonato carioca de 1960 pelo América, Amaro conseguiu conquistar o interesse de Nelinho para finalmente seguir em frente.

Corria o ano de 1971 e Nelinho disputou o restante do certame carioca vestindo a camisa do Bonsucesso. Antes do início do campeonato nacional de 1972, outra proposta de mudança rompeu a rotina.

Agora era a vez do Clube do Remo, que levou Nelinho para Belém do Pará por empréstimo. Como suplente imediato do lateral Aranha, sua primeira partida aconteceu contra o forte Atlético Mineiro.

Após uma atuação impecável, o centroavante Dario convidou Nelinho para jogar no Atlético Mineiro. Contudo, o dirigente do Cruzeiro Cármine Furletti foi mais rápido!

Bater bem na bola, uma qualidade em extinção no futebol brasileiro! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 31 de março de 1978.

1979, o ano em que Nelinho foi desafiado por um repórter e chutou a bola para fora do Mineirão! Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 9 de março de 1979.

Depois de algumas formalidades com os diretores do Bonsucesso, em janeiro de 1973, Nelinho desembarcou feliz na “Toca da Raposa”.

No lugar de Pedro Paulo, o lateral carioca começou sua caminhada com a camisa estrelada do Cruzeiro. Com passes e lançamentos perfeitos, Nelinho foi aos poucos aprimorando o importante fundamento da bola parada!

Campeão mineiro de 1973, Nelinho foi lembrado pelo técnico Mário Jorge Lobo Zagallo para disputar o mundial da Alemanha em 1974.

Concorrendo pela posição com Zé Maria do Corinthians, Nelinho foi o titular nas partidas pela fase de grupos da Copa do Mundo (Brasil 0x0 Iugoslávia, Brasil 0x0 Escócia e Brasil 3×0 Zaire).

Todavia, Nelinho perdeu a condição de titular no jogo decisivo com a Alemanha Oriental, quando vencemos por 1×0 com um gol de falta marcado por Roberto Rivellino.

A transferência para o Grêmio! Divergências com o técnico Ílton Chaves no Cruzeiro. Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 3 de outubro de 1980.

A “bomba” voltou! Os torcedores do Cruzeiro queriam Nelinho de volta e os dirigentes atenderam! Fotos de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 10 de abril de 1981.

Encerrada a Copa do Mundo, Nelinho continuou bastante valorizado no Cruzeiro. Conquistou novamente o campeonato mineiro e chegou ao vice-campeonato brasileiro de 1974, mesma ordem repetida na temporada de 1975.

Vencedor da “Bola de Prata” da revista Placar em 1975, Nelinho foi campeão da Taça Libertadores de 1976, mesmo ano em que voltou ao escrete para participar da conquista do Torneio Bicentenário dos Estados Unidos.

Campeão mineiro de 1977, Nelinho foi convocado para o mundial de 1978 na Argentina, quando marcou um dos gols mais bonitos da história da Copa do Mundo.

O chute cheio de veneno que surpreendeu o goleiro italiano Dino Zoff aconteceu na disputa do terceiro lugar, com vitória canarinho de virada pelo placar de 2×1.

Mas seu “canhão” também foi notícia em 1979. Desafiado por um programa de televisão, Nelinho conseguiu chutar a bola para fora do Estádio do Mineirão!

Um empate técnico marcou a disputa entre Éder Aleixo e Nelinho! Foto de Auremar de Castro. Crédito: revista Placar – 12 de junho de 1981.

Nelinho encerrou a carreira jogando pelo Atlético Mineiro! Foto de Amâncio Chiodi. Crédito: revista Placar – 24 de fevereiro de 1986.

Em 1980, depois de uma cirurgia na coluna e desentendimentos com o treinador Ílton Chaves, Nelinho foi defender o Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense (RS) por empréstimo, onde foi campeão gaúcho de 1980.

Nelinho ainda voltou ao mesmo Cruzeiro em 1981 e permaneceu no elenco da “Raposa” até 1982, quando foi negociado em definitivo com o Clube Atlético Mineiro.

Pelo Atlético Mineiro, Nelinho conquistou mais uma “Bola da Prata” da revista Placar em 1983. Disputou mais de 270 partidas e encerrou sua rica trajetória nos gramados em 1987, quando foi eleito Deputado Estadual.

Seus títulos vestindo a camisa alvinegra do Atlético Mineiro foram os estaduais de 1982, 1983, 1985 e 1986, uma passagem longa e igualmente significativa como foi no Cruzeiro.

Figura de destaque no cenário do futebol mineiro, Nelinho é sempre lembrado como um dos maiores laterais da história do futebol brasileiro!

O bom momento no Atlético Mineiro! Mais títulos e outra Bola de Prata da revista Placar. Crédito: revista Placar – Série Grandes Perfis.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Amâncio Chiodi, Arthur Ferreira, Auremar de Castro, Bruno Bittencourt, Carlos Maranhão, Célio Apolinário, Emanoel Mattos, Manoel Motta, Sérgio Augusto Carvalho, Sérgio Berezovsky e Zinho Siqueira), revista Manchete, revista Manchete Esportiva, Jornal do Brasil, Jornal Estado de Minas, Jornal O Globo, campeoesdofutebol.com.br, cromodoscromos.blogspot.com.br, cruzeiro.com.br, gremio.net, mg.superesportes.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), albumefigurinhas.no.comunidades.net.