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Era uma bonita manhã de abril de 1978. Nos aparelhos de televisão, o noticiário sobre os preparativos para o mundial da Argentina recebia o merecido destaque.

O velho Renga sabe das coisas! Assim, a revista Placar de 21 de abril de 1978 ofereceu ao leitor os primeiros momentos do reconhecido ex-treinador do Londrina em sua apresentação no Corinthians.

Sem muito alarde, Renganeschi desceu do Opala e imediatamente perguntou onde ficava o gabinete do presidente Vicente Matheus.

Em seu primeiro treino no gramado da Fazendinha, o técnico Renganeschi manteve sua costumeira postura de muito trabalho e seriedade.

Sempre atento aos detalhes, o experiente treinador argentino solicitou ao professor Teixeira algumas alterações nos exercícios físicos do elenco mosqueteiro.

Zagueiro clássico, seu domínio de bola era digno dos habilidosos meio-campistas da época. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva número 1270.

Naquele ano, o Corinthians não fazia uma boa campanha no campeonato nacional. Então, a cúpula do alvinegro decidiu trazer o homem que tinha feito o Londrina voar alto em 1977.

Conhecido pelos mais próximos como “Renga”, o argentino Armando Federico Renganeschi nasceu em Capitán Sarmiento, província de Buenos Aires, em 10 de maio de 1913.

Ainda um recém-nascido, Renganeschi foi morar no Paraguai e só voltou ao território argentino quando já era um adolescente.

Começou sua caminhada no futebol em 1927, no Club Atlético Central Norte de Tucuman. Mais tarde chegou ao Club Atlético Independiente, agremiação onde jogou até 1938, quando foi emprestado ao Estudiantes.

Voltou ao Independiente no ano seguinte, lá permanecendo até o findar da década de 1930. Algumas fontes apontam também uma passagem pelo Talleres.

Noronha e Renganeschi. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva – 13 de setembro de 1947.

Em 1940 desembarcou no Rio de Janeiro e assinou por empréstimo com o Bonsucesso Futebol Clube.

Na temporada seguinte, o Fluminense contratou Renganeschi após o acerto dos trâmites legais junto aos dirigentes do Bonsucesso e do Independiente, o dono dos direitos federativos do jogador.

Apresentado ao técnico Ondino Viera, Renganeschi participou da conquista do campeonato carioca de 1941.

Acompanhado de grandes estrelas; como Batatais, Carreiro e Tim, o zagueiro argentino foi um dos destaques no famoso “FlaxFlu da Lagoa”, o histórico duelo disputado na Gávea em 23 de novembro de 1941.

Em julho de 1944, Renganeschi firmou compromisso com o São Paulo Futebol Clube. Zagueiro clássico, seu domínio de bola era comparado aos habilidosos meio-campistas de seu tempo.

O técnico Renganeschi na Gávea. Crédito: revista do Esporte número 341 – 18 de setembro de 1965.

Em destaque, o técnico Renganeschi prepara o treinamento com os jogadores do Flamengo. Crédito: revista Futebol e Outros Esportes.

Campeão paulista de 1945, Renganeschi entrou definitivamente para os livros de história do clube na decisão do certame de 1946, quando Corinthians e São Paulo disputaram o título até a última rodada.

Em seu último compromisso no dia 10 de novembro, o tricolor teria pela frente o Palmeiras, que naquele momento não tinha mais possibilidades matemáticas de conquista.

Enquanto isso, o Corinthians venceu o Juventus na última rodada e dependia de um tropeço do tricolor frente ao Palmeiras.

Logo no início do confronto contra o alviverde, Renganeschi sofreu uma contusão muscular. Como substituições ainda não eram permitidas, o argentino ficou largado na ponta-esquerda apenas para permanecer no gramado.

A partida caminhava para um empate sem gols até os 37 minutos da segunda etapa, quando um cruzamento na grande área surpreendeu o goleiro Oberdan Cattani. A bola resvalou no travessão e sobrou para o “manquitola” Renganeschi empurrar o couro para o fundo das redes esmeraldinas.

Em 1961, Renganeschi aparece ao lado do jovem Ademir da Guia. Crédito: revista do Esporte – Colaboração especial de José Ezequiel Filho e Pedro Luiz Boscato.

Grande sucesso no interior paulista. Crédito: revista Placar – 29 de outubro de 1971.

Abaixo, os registros do clássico que marcou a passagem de Renganeschi pelo tricolor paulista:

10 de novembro de 1946 – campeonato paulista – Palmeiras 0x1 São Paulo – Estádio do Pacaembu – Árbitro: Bruno Nina – GolRenganeschi aos 38’ do segundo tempo.

Palmeiras: Oberdan Cattani, Caieira e Gengo; Og Moreira, Tulio e Fiume; Lula, Lima, Villadoniga, Canhotinho e Mantovani. Técnico: Ventura Cambon. São Paulo: Gijo; Piolim e Renganeschi; Rui, Bauer e Noronha; Luizinho, Sastre, Leônidas da Silva, Remo e Teixeirinha. Técnico: Joreca.

Foi seu único gol pelo São Paulo, equipe onde continuou até dezembro de 1948, ano em que o jovem Mauro Ramos de Oliveira ganhou espaço entre os titulares.

Ao todo foram 103 compromissos disputados com 60 vitórias, 23 empates, 20 derrotas e 1 único gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Argentino que pouco ligava para corridas de cavalo, o dedicado Renganeschi fez história no futebol brasileiro. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1976.

Renganeschi foi bem na Ponte Preta em 1976. Passou também pelo Guarani e pelo Coritiba. Fotos de Manoel Motta e Sérgio Sade. Crédito: revista Placar – 26 de novembro de 1976.

Com o passe livre em mãos, Renganeschi ainda jogou algumas partidas pelo Noroeste de Bauru e depois pelo Jabaquara de Santos, momento que finalizou  sua trajetória como jogador profissional em razão do agravamento de algumas contusões.

Em seguida iniciou sua etapa como treinador nas divisões amadoras do mesmo Jabaquara, até voltar ao São Paulo para orientar os quadros de base.

Passou depois por várias equipes, principalmente no futebol paulista e paranaense, inclusive faturando o título de 1974 com o Coritiba.

No disputado cenário carioca comandou o Flamengo na memorável conquista do título do Centenário em 1965.

Pelo time da Gávea foram 125 partidas com 55 vitórias, 32 empates e 38 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Renganeschi no Corinthians. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 21 de abril de 1978.

Renganeschi no Corinthians. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 21 de abril de 1978.

Como treinador, Renganeschi edificou um currículo respeitável e repleto de grandes experiências.

– Bahia (BA), Atlético Goianiense (GO), Uberlândia (MG), Sport Recife (PE), Cascavel (PR), Colorado (PR), Coritiba (PR), Grêmio Maringá (PR), Londrina (PR), Matsubara (PR), Pinheiros (PR), Flamengo (RJ), Botafogo (SP), Comercial (SP), Corinthians (SP), Ferroviária de Araraquara (SP),Guarani (SP), Jabaquara (SP), Juventus (SP), Linense (SP), Paulista de Jundiaí (SP), Prudentina (SP), Palmeiras (SP), Ponte Preta (SP), Portuguesa de Desportos (SP), Portuguesa Santista (SP), São Bento (SP), São Paulo (SP), XV de Jaú (SP) e XV de Piracicaba (SP), além de uma passagem pelo Independiente da Argentina.

Entre 1977 e 1978, Renganeschi dirigiu o entrosado Londrina que surpreendeu o Brasil no campeonato nacional, um feito que o levou para o Corinthians.

Conforme registros publicados no Almanaque do Corinthians, do autor Celso Dario Unzelte, Renganeschi trabalhou no alvinegro em 1978. Foram 21 compromissos com 10 vitórias, 7 empates e 4 derrotas.

Em 11 de outubro de 1983, aos 70 anos de idade, Armando Renganeschi faleceu na cidade de Campinas (SP).

O reconhecimento dos torcedores do Londrina. Foto de Nani Góis – Crédito: revista Placar – 24 de fevereiro de 1978.

Renganeschi no Parque São Jorge. Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 23 de junho de 1978.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Isnard Cordeiro, José Pinto, Luís Antônio Nascimento, Manoel Motta, Nani Góis e Sérgio Sade), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, revista El Gráfico, revista Futebol e Outros Esportes, revista O Globo Sportivo, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal dos Sports, campeoesdofutebol.com.br, coritiba.com.br, José Ezequiel Filho, museudosesportes.blogspot.com, Pedro Luiz Boscato, saopaulofc.net, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa.

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