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Quando o afamado “Bailarino” Servílio de Jesus já fazia sucesso jogando pelo Corinthians na década de 1940, um outro Servílio despontava para o futebol.

Mas o Servílio de que agora tratamos, não nasceu Servílio. O apelido “Servílio” ganhou força pela incrível semelhança com o famoso craque do time do Parque São Jorge.

(*) Não foram encontrados registros sobre o autor do referido apelido. Contudo, uma coisa é certa. A semelhança era mesmo perturbadora!

Conforme publicado no Álbum de Figurinhas “Ídolos do Futebol Brasileiro”, José Lucas nasceu no município de Vargem Grande Paulista (SP), em 25 de setembro de 1929. José Lucas era irmão de Antenor Lucas, o famoso Brandãozinho, que brilhou na Portuguesa Santista, Portuguesa de Desportos e Seleção Brasileira.

José Lucas, o Servílio, começou sua trajetória em times amadores da cidade de Campinas e região. Aos 14 anos de idade, o dedicado Servílio jogava por uma equipe chamada Vila Industrial.

O jovem valor do interior paulista foi apresentado no Flamengo em 1953. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 820 – 24 de dezembro de 1953.

Em 1944 foi encaminhado ao Esporte Clube Mogiana de Campinas. Em seguida, Servílio passou pelo Madureira, também de Campinas. Seu próximo destino foi a Associação Atlética Ponte Preta, equipe que defendeu por um curto período.

(*) Alguns apontamentos registram ainda passagens do promissor Servílio pelo Clube Atlético Piracicabano (SP) e pela Associação Atlética Francana (SP), antes mesmo de chegar aos quadros da Ponte Preta.

Meia-direita habilidoso, em 1951 Servílio já vivia do que ganhava jogando no Esporte Clube XV de Novembro de Jaú (SP). No ano seguinte, seu futebol foi descoberto por olheiros do Clube de Regatas do Flamengo (RJ).

Todavia, o rapazola de Vargem Grande Paulista só foi apresentado no ambiente da Gávea no começo de 1953. Com seu sorriso franco, Servílio rapidamente fez amigos e colecionou admiradores.

Um bom meia-armador de origem, com o passar do tempo Servílio foi recuado. Jogou como cabeça de área, lateral-direito e até zagueiro!

Para o técnico Fleitas Solich, Servílio era considerado um autêntico “Faz Tudo”. Crédito: revista O Cruzeiro – Encarte ídolos do futebol brasileiro.

Estrelas do sistema defensivo do Flamengo! Partindo da esquerda; Servílio, Jadir, Dequinha e Jordan. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 882 – Março de 1955.

Independente da posição ou esquema tático, Servílio sempre foi um jogador de grande utilidade. Com um físico delgado para tamanha estatura, o jogo-aéreo era um de seus pontos fortes.

Para o técnico Fleitas Solich, Servílio era considerado um autêntico “Faz Tudo”, sendo que seu aproveitamento pela lateral-direita foi uma opção produtiva na composição do sistema defensivo.

Tricampeão carioca pelo Flamengo nas edições de 1953, 1954 e 1955, Servílio também participou de outros importantes triunfos em torneios nacionais e internacionais.

Servílio permaneceu no elenco do Flamengo até o findar de 1956, quando uma verdadeira trama de bastidores dos “cartolas” do Botafogo o tirou da Gávea!

Seu novo endereço fora dos domínios da Gávea parecia determinado desde o ano de 1948, com uma estranha superstição do Botafogo por jogadores do Flamengo.

Um momento único! Servílio recebe o carinho da mãe na comemoração do Flamengo pelo bicampeonato carioca. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 885 – 24 de março de 1955.

Colaborando na cozinha do Flamengo. Servílio sempre foi muito respeitado no ambiente da Gávea! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 885 – 24 de março de 1955.

Também foi assim com o atacante Sylvio Pirillo, que foi considerado velho para continuar no Rubro-Negro e depois foi campeão pelo Botafogo em 1948!

Como o Flamengo não admitia vender Servílio diretamente ao Botafogo, uma “manobra” bem articulada o levou primeiramente para o Sport Club do Recife (PE).

Pouco depois, lá estava Servílio, com uma “Estrela Solitária” no peito para ser campeão carioca de 1957, o seu quarto título no certame carioca. Abaixo, o primeiro encontro de Servílio contra o seu ex-clube:

1 de setembro de 1957 – Campeonato carioca primeiro turno – Flamengo 3×3 Botafogo – Estádio do Maracanã – Árbitro: Alberto da Gama MalcherGols: Quarentinha (2) e Paulinho Valentim para o Botafogo; Dida, Henrique e Zagallo para o Flamengo.  

Flamengo: Ari; Joubert e Pavão; Jadir, Dequinha e Jordan; Joel Martins, Moacir, Henrique, Dida e ZagalloBotafogo: Amauri; Thomé e Nilton Santos; Servílio, Beto e Pampolini; Garrincha, Didi, Paulinho Valentim, Édson e Quarentinha.

Sempre confiante, Servílio aparece antes de um confronto diante do Peñarol do Uruguai. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 891 – Maio de 1955.

Na festa do Flamengo tricampeão, o alegre Servílio aparece ao lado de José Lins do Rego. Crédito: revista Manchete Esportiva número 106.

Em outubro de 1958, Servílio disputou o seu último compromisso com a camisa do Botafogo. Assim, o momento era oportuno para voltar ao cenário paulista.

Ainda em grande forma, Servílio assinou com os dirigentes do São Paulo Futebol Clube, equipe onde também encerrou sua marcante caminhada pelos gramados!

São raros os registros dessa última etapa de Servílio como jogador profissional. Mesmo experiente e com muito para contribuir, o jogador foi pouco aproveitado no time titular do tricolor paulista.

Na temporada de 1961, Servílio foi convidado para ser treinador em equipes do interior paulista. Porém, seu desejo era descansar um pouco do agitado mundo da bola.

De acordo com artigo publicado no portal “terra.com.br”, José Lucas faleceu na cidade de São Paulo (SP), em 30 de março de 2001. Estava internado na Casa de Repouso Horto Florestal. O ex-jogador sofreu um Infarto Agudo do Miocárdio e não resistiu!

Servílio passou rapidamente pelo futebol pernambucano, antes de firmar compromisso com o Botafogo (RJ). Crédito: acervo.oglobo.globo.com.

O experiente Servílio também jogou pelo tricolor paulista! Crédito: revista Tricolor número 82 – 1960.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Marcelo Rezende), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado (por Alberto Ferreira, Carlos Sampaio, Leunam Leite e Luís Mendes), revista Grandes Clubes Brasileiros, revista Manchete Esportiva, revista O Cruzeiro, revista O Globo Sportivo, revista Tricolor, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal A Noite, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, botafogo.com.br, campeoesdofutebol.com.br, flamengo.com.br, site do Milton Neves (por Túlio Nassif), terra.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.