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Quem quiser um bom meio armador de 22 anos, humilde e com muita simpatia pelo futebol brasileiro, basta ir ao Hotel Plaza Copacabana na Avenida Princesa Isabel, no Rio de Janeiro.

Foi assim que a revista Placar, em sua edição de 3 de julho de 1970, narrava o retorno do técnico Didi ao Brasil logo após o mundial de 1970, no México.

Didi, que foi o treinador peruano na copa, sinalizava sua volta ao Rio de Janeiro, provavelmente ao lado do meio campista Ramón Mifflin.

Mifflin, o cérebro do time peruano em gramados mexicanos era pretendido pelo Vasco da Gama, que oficializou seu interesse por meio de um telefonema do presidente Agathyrno Silva Gomes.

Crédito: beyondthelastman.com.

Crédito: beyondthelastman.com.

O jogador, por sua vez, se mostrou bastante entusiasmado com essa possibilidade.

Na época a revista Placar também colheu um depoimento de Mifflin sobre a derrota do Peru para o Brasil por 4×2 nas quartas de final:

– Perdemos para um time que está vinte anos na nossa frente. Imaginem o milagre que fizemos até aqui chegando nas quartas de final. Se não tivéssemos encontrado com o Brasil acredito que poderíamos ir mais longe!

O peruano Ramón Antonio Mifflin Paez nasceu na cidade de Lima no dia 5 de abril de 1947. Seus primeiros passos como jogador aconteceram no Oratório de Magdalena, no início de 1963.

Pelé e Mifflin em 1969.

Pelé e Mifflin em 1969.

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Após duas temporadas, o professor Eugênio Castaneda o encaminhou ao Centro Iqueño clube no ano de 1965, lá permanecendo até 1967, quando foi transferido para o Defensor Arica.

Rapidamente, Mifflin chegou ao badalado Club Sporting Cristal, onde viveu sua melhor fase e teve seu nome relacionado no selecionado peruano que desclassificou os argentinos e disputou o mundial de 1970.

Conhecido por suas aventuras lendárias em um Chevrolet Impala conversível, de cor vermelha, logo se tornou um dos jogadores mais remunerados da equipe celeste do Sporting Cristal.

“El Cabezón”, como também era conhecido Mifflin, colecionava amigos e admiradores por onde passava.

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Suas primeiras convocações para o selecionado nacional aconteceram em 1967 e continuaram ao longo de 44 participações até o ano de 1973.

Depois da boa participação na Copa do Mundo de 1970, Mifflin não assinou com o Vasco da Gama em razão de desacordos financeiros entre os diretores do time de São Januário e do Sporting Cristal.

Mas antes do interesse do clube carioca, Mifflin já era pretendido pelo Santos de Pelé.

A relação de amizade e admiração entre o jogador peruano e o “Rei do Futebol” foi iniciada nos confrontos amistosos realizados em 1969, no estádio Beira-Rio e no Maracanã.

O time de Vila Belmiro também queria contar com o jovem e habilidoso craque peruano. Na oportunidade, mesmo com interferência direta de Didi, também não houve acordo com o corpo diretivo do Sporting Cristal.

Ramón Mifflin e Angel Clemente no Racing Club. Crédito: fotosfutbolperuano.blogspot.com.br.

Ramón Mifflin e Angel Clemente no Racing Club. Crédito: fotosfutbolperuano.blogspot.com.br.

Clássico peruano entre Sporting Cristal e Alianza Lima em 1978. Partindo da esquerda, três jogadores da seleção peruana: Sotil, Mifflin pelo Sporting Cristal e Cubillas. Crédito: duelosdecraques.blogspot.com.br.

Clássico peruano entre Sporting Cristal e Alianza Lima em 1978. Partindo da esquerda, três jogadores da seleção peruana: Sotil, Mifflin pelo Sporting Cristal e Cubillas. Crédito: duelosdecraques.blogspot.com.br.

Mifflin permaneceu no Sporting Cristal até 1973, quando foi contratado pelo Racing Club de Avellaneda da Argentina. Pelo Sporting Cristal, em sua primeira passagem, o meio campista conquistou os títulos nacionais de 1968, 1970 e 1972.

Posteriormente, também faturou o certame nas edições de 1979 e de 1980, por ocasião de sua segunda passagem pelo mesmo Sporting Cristal após retornar do New York Cosmos.

No Racing, Mifflin não se adaptou ao estilo “pegado” do futebol argentino. Em seguida, o contato com Pelé acabou favorecendo o seu desejo de jogar no futebol brasileiro.

O contato entre Mifflin e o Santos foi feito por intermédio de José Macia (Pepe), então técnico do alvinegro praiano. Com tudo formalizado, o meia peruano fechou com o “Peixe”.

Ramón Mifflin no Sporting Cristal. Crédito: conmebol.com.

Ramón Mifflin no Sporting Cristal. Crédito: conmebol.com.

Mifflin no Cosmos. Crédito: nasljerseys.com.

Mifflin no Cosmos. Crédito: nasljerseys.com.

No Santos Mifflin atuou aproximadamente um ano e meio, entre 1974 e 1975, justamente quando Pelé partiu para sua missão no futebol americano.

Pouco tempo depois, lá estava Mifflin no Cosmos para jogar ao lado do amigo Pelé e de outras grandes estrelas do futebol mundial.

Em 1979 Mifflin retornou ao futebol peruano e no ano de 1981 teve sua última temporada defendendo o Independiente de Santa Fé, na Colômbia.

Em seguida iniciou sua passagem como treinador, sendo inclusive o assistente de Elba de Pádua, o Tim, nas eliminatórias para o mundial de 1982, na Espanha.

Mifflin no Cosmos. Crédito: nasljerseys.com.

Mifflin no Cosmos. Crédito: nasljerseys.com.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Teixeira Heizer), revista do Racing, revista Deporte Gráfico, Álbum de figurinhas Panini, caretas.com.pe, conmebol.com, cards.littleoak.com.au, campeoesdofutebol.com.br, globoesporte.globo.com, beyondthelastman.com, duelosdecraques.blogspot.com.br, nasljerseys.com, fotosfutbolperuano.blogspot.com.br.

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