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Rápido e dotado de uma rara visão de jogo, seus passes certeiros deixaram Pelé e o atacante Beijoca na cara do gol em muitas oportunidades.

Nascido na cidade de Santos (SP), em 9 de setembro de 1949, Douglas da Silva Franklin sempre afirmou que o Esporte Clube Bahia salvou sua vida e, talvez por isso, tenha dado um duro danado enquanto defendeu o tricolor da Boa Terra.

Filho de um enfermeiro e fotógrafo com uma escriturária, Douglas manifestou desde cedo sua paixão pelo futebol.

Sob tutela de um ilustre vizinho chamado Agenor Gomes, o famoso goleiro “Manga”, que defendeu o Santos entre os anos de 1951 e 1960, Douglas vivia na Vila assistindo aos treinos do “Peixe”.

Douglas, Clodoaldo e Negreiros. Reprodução do Jornal A Tribuna, enviada por Walter Roberto Peres ao site do Milton Neves.

Douglas, Clodoaldo e Negreiros. Reprodução do Jornal A Tribuna, enviada por Walter Roberto Peres ao site do Milton Neves.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

O garoto, que cresceu como sócio do clube, deu seus primeiros passos no AZ Negro, um time de várzea em Santos.

Contava com treze anos quando entrou na universidade de craques da Vila Belmiro. Depois de brilhar nas categorias inferiores, Douglas recebeu suas primeiras oportunidades no time principal.

Sua primeira participação aconteceu no dia 25 de maio de 1967, na vitória santista pelo placar de 5×1 diante da Seleção do Distrito Federal, partida amistosa realizada na cidade de Brasília.

Douglas também foi o autor do primeiro gol no estádio Rei Pelé, na vitória sobre o selecionado alagoano por 5×0, em 25 de outubro de 1970.

Crédito: gostonasalturas.blogspot.com.br.

Crédito: gostonasalturas.blogspot.com.br.

Crédito: revista Placar - 25 de fevereiro de 1977.

Crédito: revista Placar – 25 de fevereiro de 1977.

Em 1971 Douglas resolveu deixar o alvinegro praiano após um desentendimento com o treinador Mauro Ramos de Oliveira, que o afastou do time preferindo escalar o atacante Mazinho.

Alguns registros apontam que enquanto jogou pelo Santos Douglas marcou 111 gols. Mas, conforme publicado no site santosfc.com.bro números exatos registram apenas 75 tentos.

Pelo Santos, Douglas participou de importantes conquistas: Campeonato paulista 1967, 1968 e 1969, Torneio Hexagonal do Chile 1968 e 1970, Recopa Sul-Americana e Recopa Mundial em 1968 e Taça Cidade de São Paulo 1970.

Sem espaço na Vila Belmiro, Douglas foi em busca de novos horizontes.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

O América do Rio de Janeiro mostrou interesse por seu futebol. Todavia, o presidente Giulite Coutinho estava em viagem internacional, o que impediu o pronto prosseguimento nas negociações.

No clube carioca, Douglas entraria no lugar de Edu, irmão de Zico, que estava machucado e sem condições de jogo.

Ao tomar conhecimento que Douglas apenas treinava e ainda estava sem contrato no América, o Esporte Clube Bahia se antecipou junto aos diretores do Santos e conseguiu o fechamento do acordo para contar com o jogador.

Homem de palavra, Douglas foi informado da negociação e teve que reorganizar sua vida. A passagem de avião que o levaria de São Paulo para o Rio de Janeiro já estava comprada, mas teve que ser cancelada.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Douglas e Sapatão. Crédito: revista Placar - 30 de novembro de 1979.

Douglas e Sapatão. Crédito: revista Placar – 30 de novembro de 1979.

Em 13 de abril de 1972, em vez de fazer uso da tradicional Ponte Aérea, Douglas embarcou diretamente para Salvador. Quando chegou na capital baiana o jogador acompanhou pelo noticiário o acontecimento de uma tragédia.

O avião “Samurai”, como era conhecido o modelo NAMC YS-11 da antiga Vasp, que levaria o jogador de São Paulo para o Rio de Janeiro, se chocou com uma montanha na serra da Maria Comprida e matou todos os seus 25 ocupantes.

Não fosse o contrato firmado com o Bahia, o jogador teria sido mais uma vítima da tragédia. Douglas acredita que o clube baiano salvou sua vida.

Entre 1972 e 1979, Douglas construiu um reinado de muito sucesso no Bahia. Foram 211 gols anotados, o que faz dele o segundo maior artilheiro da história do clube.

O time do Bahia em 1973. Em pé: Buttice, Roberto Rebouças, Altivo, Romero, Baiaco e Ubaldo. Agachados: Natal, Douglas, Picolé, Fito e Peri. Crédito: revista Placar - 28 de setembro de 1973.

O time do Bahia em 1973. Em pé: Buttice, Roberto Rebouças, Altivo, Romero, Baiaco e Ubaldo. Agachados: Natal, Douglas, Picolé, Fito e Peri. Crédito: revista Placar – 28 de setembro de 1973.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 59 - 28 de novembro de 1978.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 59 – 28 de novembro de 1978.

De cabelos curtos ou longos, mas sempre com uma fita branca na cabeça, no melhor estilo dos “Novos Baianos”, Douglas foi um dos comandantes do épico hepta-campeonato estadual entre 1973 e 1979, na maior seqüência de títulos do futebol baiano.

Ao lado de Beijoca, compadre e parceiro, Douglas formou uma dupla mortal, autora de mais de 300 gols.

Em 1980, depois de curtas passagens pela Portuguesa de Desportos e pelo Esporte Clube Vitória, por apenas três meses, Douglas defendeu o A.D Leônico ao lado do companheiro Fito, encerrando sua carreira no Barretos, onde jogou entre 1986 e 1988.

Depois dos gramados, Douglas deu aulas em uma escola particular em Barretos participando de um projeto social com o futebol de várzea. Recentemente integrou o departamento de futebol da equipe do Monte Azul, clube do interior paulista.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 59 - 28 de novembro de 1978.

Crédito: revista Manchete Esportiva número 59 – 28 de novembro de 1978.

Crédito: revista Placar – 25 de setembro de 1981.

Crédito: revista Placar – 25 de setembro de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Fernando Escariz), revista Manchete Esportiva, revista Grandes Clubes Brasileiros, gostonasalturas.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, santosfc.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), globoesporte.globo.com (por Eric Luis Carvalho).

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