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Sempre apressado, o jovem Luís deixava Niterói e seguia por um longo caminho até o bairro das Laranjeiras, enquanto o irmão, “Caio Cambalhota”, fazia quase o mesmo sacrifício para chegar ao Botafogo.

Ambos tentavam o mesmo destino do irmão mais famoso, o centroavante César Lemos, que na época já fazia sucesso jogando pelo Palmeiras.

Nascido em Niterói (RJ), no dia 3 de outubro de 1951, Luís Alberto da Silva Lemos dava um duro danado na ponta direita no juvenil do Fluminense.

Disputar uma vaga no time não era tarefa fácil. Com o comando de técnicos experientes como Pinheiro e depois Telê Santana, Luisinho caminhava firme em busca de seu objetivo.

Crédito: revista Placar.

Foi então que chegou o momento de prestar o Serviço Militar e Luisinho lamentou o próprio destino. No entanto, quando jogava pelo selecionado do exército, um interesse repentino do Vasco da Gama o pegou de surpresa.

Em 1970, ainda na condição de amador, Luisinho se firmou nos Aspirantes do Vasco e conquistou o terceiro lugar no campeonato da categoria.

A esperada oportunidade no time principal foi contra o Flamengo, em 4 de outubro de 1970, compromisso válido pela Taça de Prata. O técnico Tim tinha problemas para escalar o time e dessa forma ofereceu uma chance para o jovem Luisinho.

Mas Luisinho deu um azar danado ao descobrir que estava escalado para o plantão no quartel.

Depois de concluir o Serviço Militar, Luisinho foi encaminhado ao Palmeiras pelo irmão César Lemos. Ficou apenas treinando até ser aproveitado no time misto, em uma excursão no exterior.

Roberto Dinamite, Zico, Gil e Luisinho. Crédito: revista Placar número 234 – Setembro de 1974.

Crédito: revista Placar – 13 de setembro de 1974.

Profissionalizado em 1972, Luisinho foi emprestado para a Associação Ferroviária de Esportes da cidade de Araraquara (SP), onde finalmente conseguiu mostrar seu valor.

Retornando ao Palmeiras tomou conhecimento que seu nome fazia parte de uma lista de jogadores disponíveis para negociação. Irritado com os dirigentes do Palmeiras, o próprio César acabou ficando com o passe de Luisinho.

Pouco tempo depois, o América do Rio encaminhou uma oferta. A negociação correu bem e assim Luisinho voltou ao cenário carioca.

No América, Luisinho viveu seu primeiro grande momento em 1973. No ano seguinte conquistou o primeiro turno (Taça Guanabara) e foi o artilheiro do campeonato com 20 gols marcados, além do prêmio “Bola de Prata” da revista Placar.

Crédito: revista Mengão número 1 – Dezembro de 1976.

Negociado com o Flamengo em 1975, Luisinho “Tombo” encontrou pela frente um período marcado pelo domínio da “Máquina” do Fluminense. Mesmo assim, o centroavante deixou suas marcas no badalado time de Francisco Horta.

Abaixo, os registros da grande vitória do Flamengo sobre o Fluminense no segundo turno da competição. O mesmo placar de 2×1 também foi repetido em 3 de agosto, com Luisinho marcando novamente o gol da vitória.

18 de maio de 1975 – Campeonato carioca segundo turno – Flamengo 2×1 Fluminense – Estádio do Maracanã – Árbitro: Luís Carlos Félix – Renda: Cr$ 1.122 015,00 – Público: 75.619 – Gols: Zico aos 22’ e Cléber aos 36 do primeiro tempo; Luisinho aos 37’ do segundo tempo.

Flamengo: Cantarelli; Vanderlei, Jaime, Luís Carlos e Rodrigues Neto; Liminha e Geraldo; Doval, Luisinho, Zico e Paulinho (Luís Paulo). Técnico: JoubertFluminense: Felix; Toninho, Silveira, Edinho e Marco Antônio; Carlos Alberto Pintinho e Cléber; Gil, Manfrini (Wílton), Rivellino e Mário Sérgio. Técnico: Paulo Emílio.

Luisinho no Internacional. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de agosto de 1977.

No Inter, Luisinho teve que cortar a barba. Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 12 de agosto de 1977.

Pelo Rubro-Negro foram 183 partidas com 117 vitórias, 38 empates, 28 derrotas e 82 gols marcados. Os registros foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, de autoria de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Em 1977 Luisinho foi transferido para o Sport Club Internacional por 3 milhões de cruzeiros. No ano seguinte voltou ao Rio para vestir a camisa do Botafogo. Em seguida foi parar no futebol espanhol pelo Las Palmas.

Deixou os gramados da Espanha em 1982 para assinar mais um contrato com o América. Artilheiro do campeonato carioca de 1983 com 22 gols, o Palmeiras entrou na jogada para contar com seu futebol em 1984.

Naquele tempo, o alviverde já não era o mesmo time da grande Academia. E Luisinho foi apenas mais um na incansável busca por um título paulista.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1978.

Pelo Palmeiras Luisinho disputou 27 partidas 15 vitórias, 8 empates, 4 derrotas e 6 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Com o desgaste natural provocado pelo insucesso no Palmeiras, o atacante voltou ao mesmo América em 1986. É o maior artilheiro da história do clube com 311 gols e o terceiro da história do Maracanã.

Depois de uma breve passagem pelo Ferroviário Atlético Clube de Maceió, Luisinho foi um dos primeiros jogadores brasileiros no futebol do Catar.

Foram três anos no Oriente Médio antes de voltar ao Brasil, para defender o Americano Futebol Clube de Campos.

Novamente no Catar, Luisinho encerrou sua carreira como jogador em 1994. Trabalhou em seguida como treinador em alguns clube do cenário nacional e depois no Catar.

Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1987.

Luisinho sempre se deu muito bem no América. Crédito: revista Placar.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Betise Assumpção, JB Scalco, Nélson Urt, Raul Quadros e Roberto Appel), revista Manchete Esportiva, revista Mengão, revista Grandes Clubes Brasileiros, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, arquivo O Globo, campeoesdofutebol.com.br, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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