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No final dos anos sessenta, o jovem Luís deixava Niterói e seguia o caminho das Laranjeiras para jogar no Fluminense, enquanto que seu irmão, “Caio Cambalhota”, fazia quase o mesmo sacrifício para chegar ao Botafogo.

Ambos tentavam o mesmo destino vitorioso do irmão mais famoso, o centroavante César Maluco, que na época já fazia sucesso jogando pelo Palmeiras logo depois que deixou o Flamengo.

Nascido em Niterói (RJ) no dia 3 de outubro de 1951, Luís Alberto da Silva Lemos dava um duro danado nos treinos jogando pela ponta direita no juvenil do Fluminense.

Na época, disputar uma vaga no tricolor não era tarefa fácil. Sob o comando de técnicos experientes como Pinheiro e depois Telê Santana, Luisinho seguia na busca para ocupar o seu espaço.

Uma identificação americana. Crédito: revista Placar.

Uma identificação americana. Crédito: revista Placar.

Roberto Dinamite, Zico, Gil e Luisinho na capa da revista Placar número 234 - Setembro de 1974.

Roberto Dinamite, Zico, Gil e Luisinho na capa da revista Placar número 234 – Setembro de 1974.

Foi então que chegou o momento de prestar o serviço militar e Luisinho pensou que era o fim de seu sonho. No entanto, foi jogando pela própria seleção do exército que surgiu o interesse do Club de Regatas Vasco da Gama.

Ainda como amador, Luisinho se firmou no time de Aspirantes que conquistou o terceiro lugar da categoria no ano de 1970.

A oportunidade na equipe principal surgiu em uma partida da Taça de Prata contra o Flamengo, realizada em 4 de outubro de 1970.

Naquele dia, o técnico Elba de Pádua Lima, o lendário Tim, tinha problemas para escalar o time vascaíno para o clássico e dessa forma ofereceu uma oportunidade para o jovem atacante.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Mas Luisinho deu um azar danado, já que seu nome estava escalado no plantão no quartel. Luisinho ainda tentou argumentar mas acabou advertido.

Depois de concluir o serviço militar, Luisinho foi encaminhado ao Palmeiras pelo irmão César Maluco. Ficou ali e foi aproveitado no time misto que excursionava pelo exterior.

Profissionalizado em meados de 1972, Luisinho foi emprestado ao quadro da Associação Ferroviária de Esportes de Araraquara, onde finalmente conseguiu mostrar o seu valor.

Retornando ao Palmeiras, suas esperanças em ser aproveitado no Parque Antártica terminaram quando tomou conhecimento que seu nome fazia parte de uma lista de jogadores disponíveis para negociação.

Crédito: revista Placar - 13 de setembro de 1974.

Crédito: revista Placar – 13 de setembro de 1974.

Irritado com os dirigentes do Palmeiras, o próprio César entrou no “bate boca” e acabou ficando com o passe do irmão Luisinho em suas mãos.

Pouco tempo depois, surgiu o interesse do América do Rio. A negociação, em caráter definitivo, fez Luisinho arrumar suas malas para voltar ao Rio de Janeiro, dessa vez com um salário bastante compensador.

E foi no América que a sorte lhe sorriu em 1973. No ano seguinte, em 1974, Luisinho anotou 20 tentos durante o campeonato carioca, fazendo parte da forte equipe que conquistou o primeiro turno (Taça Guanabara).

Em 1975 o Clube de Regatas do Flamengo investiu em seu futebol. Porém, o “Tombo”, um de seus apelidos, não conseguiu ganhar títulos de maior expressão jogando pelo time da Gávea.

Crédito: revista Placar - 25 de abril de 1975.

Crédito: revista Placar – 25 de abril de 1975.

Naquele período de 1975 e 1976, a “Máquina” do Fluminense reinou absoluta. Mesmo assim, Luisinho deixou suas marcas no badalado time do presidente Francisco Horta.

Abaixo, os dados da grande vitória do Flamengo sobre o Fluminense no segundo turno da competição. O mesmo placar de 2×1 também foi repetido em 3 de agosto, com Luisinho marcando novamente o gol da vitória.

18 de maio de 1975 – Campeonato carioca segundo turno – Flamengo 2×1 Fluminense – Estádio do Maracanã – Árbitro: Luís Carlos Félix – Renda: Cr$ 1.122 015,00 – Público: 75.619 – Gols: Zico aos 22’ e Cléber aos 36 do primeiro tempo; Luisinho aos 37’ do segundo tempo – Cartão amarelo: Edinho, Geraldo, Liminha e Luisinho.

Flamengo: Cantarelli; Vanderlei, Jaime, Luís Carlos e Rodrigues Neto; Liminha e Geraldo; Doval, Luisinho, Zico e Paulinho (Luís Paulo). Técnico: JoubertFluminense: Felix; Toninho, Silveira, Edinho e Marco Antônio; Carlos Alberto Pintinho e Cléber; Gil, Manfrini (Wílton), Rivellino e Mário Sérgio. Técnico: Paulo Emilio.

Crédito: revista Mengão número 1 – Dezembro de 1976.

Crédito: revista Mengão número 1 – Dezembro de 1976.

Pelo Rubro-Negro foram 183 partidas com 117 vitórias, 38 empates, 28 derrotas e 82 gols marcados. Os registros foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, de autoria de Roberto Assaf e Clóvis Martins.

Em 1977 foi negociado junto ao Sport Club Internacional e no ano seguinte voltou ao Rio para vestir o uniforme alvinegro do Botafogo de Futebol e Regatas. Em seguida, foi parar no futebol espanhol jogando pelo Las Palmas.

Deixou os gramados espanhóis em 1982, quando novamente o Rio de Janeiro lhe ofereceu outros desafios. E foi assim que  o atacante voltou ao mesmo América.

Luisinho, que teve um bom período jogando pelo América na década de setenta, escreveu seu nome como um dos grandes artilheiros da história do clube ao anotar 22 gols no campeonato carioca de 1983.

Luisinho no Internacional. Crédito: revista Placar - 12 de agosto de 1977.

Luisinho no Internacional. Crédito: revista Placar – 12 de agosto de 1977.

No Inter, Luisinho teve que cortar sua barba. Crédito: revista Placar - 12 de agosto de 1977.

No Inter, Luisinho teve que cortar sua barba. Crédito: revista Placar – 12 de agosto de 1977.

Em 1984 o Palmeiras contou novamente com seu futebol. Naquele tempo, o alviverde não era o mesmo time da grande Academia que marcou época nos anos setenta.

No Parque Antártica, Luisinho foi mais um que tentou colaborar na busca do título paulista que não acontecia desde 1976.

Com o desgaste natural provocado por insucessos, o atacante decidiu que era hora de voltar ao seu “porto seguro”: O mesmo América em 1986.

Conforme registros publicados pelo Almanaque do Palmeiras, dos autores Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Luisinho atuou em 27 oportunidades, obtendo 15 vitórias, 8 empates, 4 derrotas e 6 gols anotados.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: revista Placar - 6 de outubro de 1978.

Crédito: revista Placar – 6 de outubro de 1978.

No final dos anos oitenta, depois de uma breve passagem pelo Ferroviário Atlético Clube de Maceió, Luisinho foi um dos primeiros brasileiros que atuou no futebol do Catar, um país do Oriente Médio.

Jogou durante três anos no Qatar Sports Club antes de voltar ao Brasil para defender o Americano Futebol Clube de Campos.

Encerrou sua carreira novamente jogando pelo Qatar em 1994.

Após encerrar sua trajetória nos gramados com mais de 430 gols marcados, Luisinho tornou-se técnico de futebol, treinando o mesmo America e posteriormente trabalhando em alguns clubes do Catar.

Luisinho sempre se deu bem no América. Crédito: revista Placar.

Luisinho sempre se deu bem no América. Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar - 16 de fevereiro de 1987.

Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1987.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Raul Quadros e Roberto Appel), revista Manchete Esportiva, revista Mengão, revista Grandes Clubes Brasileiros, campeoesdofutebol.com.br, paixaopalmeirense.com.br, futeboldebotaoantigo.blogspot.com, arquivo O Globo, site do Milton Neves (por Marcelo Rozenberg), albumefigurinhas.no.comunidades.net, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, Almanaque do Flamengo – Roberto Assaf e Clóvis Martins.

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