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Pregando um futebol rápido e agressivo, Filpo Nuñez simplificava o que queria receber de seus jogadores: “Pim, pam, pum… gol”.

– Sou um entusiasta do futebol ofensivo. Uma equipe pode fazer vários gols, mas deve criar situações para fazer mais e mais.

Nélson Ernesto Filpo Nuñez, o famoso técnico argentino responsável pela Academia de futebol do Palmeiras nos anos 60, nasceu em Buenos Aires, no dia 19 de agosto de 1920.

Com carreira pouco representativa como jogador de futebol, Filpo Nuñez começou seu caminho como treinador no Club Sportivo Independiente Rivadavia, na província de Mendoza.

No Equador foi diplomado em Educação Física e realizou estágios na comissão técnica de alguns clubes da liga profissional.

Crédito: revista Veja - 27 de novembro de 1968.

Crédito: revista Veja – 27 de novembro de 1968.

Crédito: revista Veja - 27 de novembro de 1968.

Crédito: revista Veja – 27 de novembro de 1968.

Em 1955, graças aos laços de amizade criados com Elba de Pádua Lima, o Tim, Filpo ofereceu seu trabalho ao presidente do Cruzeiro, José Greco.

Apesar de não conseguir os resultados esperados em Belo Horizonte, Filpo consolidou seu caminho para prosseguir no futebol brasileiro.

Campeão do Torneio Início de 1956 pelo Guarani de Campinas e eleito o melhor técnico do “Torneio Preparação” de 1957 pelo Jabaquara, Filpo passou por várias equipes antes de chegar ao Palmeiras.

Filpo comandou o alviverde entre 1964 e 1965, ano em que conquistou o Torneio Rio-São Paulo.

Nesse período o Palmeiras foi batizado de “Academia de Futebol”, graças ao estilo arrojado adotado por Dom Filpo: Tocar de primeira sempre com velocidade… “Pim, pam, pum… gol”.

Partindo da esquerda; vemos Dudu, Filpo Nuñez, o goleiro Picasso, Zéquinha, Vavá e Ferrari. Crédito: noticias.bol.uol.com.br.

Filpo, apoiado por Delfino Facchina, Ferrúcio Sandoli e Arnaldo Tirone, comandou o forte quadro esmeraldino em 1965. Crédito: revista do Esporte número 327 – 12 de junho de 1965.

Filpo teve outras duas passagens pela Sociedade Esportiva Palmeiras: Entre 1968 e 1969; e entre 1978 e 1979. Ao todo, foram 154 partidas no comando do alviverde, obtendo 94 vitórias, 27 empates e 33 derrotas.

Entre tantos fatos marcantes de sua passagem pelo Parque Antártica, lembramos do dia 7 de setembro de 1965, quando a CBD indicou o Palmeiras para representar o Brasil em um amistoso contra o Uruguai na inauguração do estádio do Mineirão.

O Palmeiras, vestindo o uniforme do escrete diante de 80 mil pessoas, venceu o quadro “celeste” por 3×0, com gols de Rinaldo e Tupãzinho no primeiro tempo e de Germano no segundo tempo.

Dom Filpo é até hoje o único estrangeiro que comandou o selecionado canarinho.

José Macia, o grande Pepe, ponteiro esquerdo do Santos nos anos dourados, relata em seu livro “Bombas de Alegria”, uma passagem divertida entre o goleiro Leão e o técnico Filpo Nuñez, que na ocasião dirigia o Palmeiras.

Crédito: placar.abril.com.br.

Crédito: placar.abril.com.br.

Na véspera de uma partida, Filpo se aproximou do goleiro Leão e reservadamente falou:

Leoncito, Amanhã voy entrar com Neuri em tu lugar, pois necessitas de um descansio e quero probar el outro goleiro que tengoExplicou Dom Filpo em seu sofrido portunhol.

Leão não gostou nem um pouco: Seu Filpo, não estou cansado e quero jogar.

Filpo insistiu: Pero Emerson Leão, mi Leoncito. Sentas do meu lado no banco e se necessito de ti, entras logo.

Leão não concordou: Não seu Filpo, vou jogar. Eu sou o titular e não tenho nada, concluiu Leão em ponto de perder sua calma aparente.

Sem alternativas, Filpo terminou o assunto: A si, si, así me gustas! Claro que vás jogar tu. Queria saber era como estava tu moral. Bravo Leon, Yo se los hombres que tengo!!! Goleraço!!!

Crédito: palmeiras.com.br.

Crédito: palmeiras.com.br.

Filpo foi apelidado de “El Bandoneón” (instrumento musical utilizado para o tango). Enquanto esteve em evidência, criou um folclore imenso ao redor de sua imagem. Sempre agitado, comandava seus jogadores exigindo o máximo em altos brados:

– “Por las puntas, senhor, por las puntas”… Usando um portunhol que ficou famoso.

Mas o Palmeiras não foi o único grande clube da capital paulista que teve o argentino como treinador.

Filpo Nuñez dirigiu duas vezes o Corinthians. Primeiro em 1966, quando o alvinegro chegou ao primeiro lugar na tabela do campeonato paulista.

Em 1976 venceu o Corinthians quando treinava o São Bento de Sorocaba e foi contratado para substituir Milton Buzetto. Filpo comandou o time do Parque São Jorge em 34 oportunidades, obtendo 16 vitórias, 7 empates e 11 derrotas.

Filpo vence o Corinthians e tira o lugar de Milton Buzetto. Crédito: revista Placar - 21 de maio de 1976.

Filpo vence o Corinthians e tira o lugar de Milton Buzetto. Crédito: revista Placar – 21 de maio de 1976.

Dom Filpo chega ao Parque São Jorge. Crédito: revista Placar - 11 de junho de 1976.

Dom Filpo chega ao Parque São Jorge. Crédito: revista Placar – 11 de junho de 1976.

Dom Filpo também fez sucesso em outros países. Na Espanha treinou o Badajoz, em Portugal dirigiu o Leixões, o Vitória de Setúbal e o Lusitano Évora. No futebol mexicano trabalhou pelo Monterrey.

No futebol Sul-Americano: Sport Boys (Peru), Santiago National (Chile), España (Equador), Municipal (Bolívia), Libertad (Paraguai) e San Martin, Atlanta e o Vélez Sarsfield (Argentina).

No Brasil, além do Cruzeiro (MG), Guarani (SP), Jabaquara (SP), Corinthians e Palmeiras, Filpo também dirigiu os seguintes times:

– Portuguesa Santista (SP), América São José do Rio Preto (SP), XV de Piracicaba (SP), Paulista de Jundiaí (SP), Portuguesa de Desportos (SP), Marília (SP), Francana (SP), Internacional de Limeira (SP), São José (SP), Santo André (SP), Saad (SP), São Bento (SP), Araçatuba (SP), Mogi Mirim (SP), Vasco da Gama (RJ), Galícia (BA), Coritiba (PR), Atlético Paranaense (PR), Sport Recife (PE) e o Fabril de Lavras (MG).

Crédito: revista Placar - 25 de setembro de 1970.

Crédito: revista Placar – 25 de setembro de 1970.

A lista de craques comandados por Filpo também é longa. Entre eles, grandes vultos do nosso futebol:

Julinho Botelho, Bellini, Djalma Santos, Dudu, Garrincha, Alfredo Mostarda, Zequinha, Servílio, Orlando, Brito, Ademir da Guia, Rivellino, Valdir Joaquim de Moraes, Vavá, Ademar Pantera, Wladimir, Cabeção, Barbosa, Piazza, Eurico, Leivinha, Dirceu Lopes, Tupãzinho (ex-Palmeiras), Jair Marinho, Zé Maria, Leão, Tostão, Luís Pereira, César, Djalma Dias, Procópio e Dino Sani.

Filpo Nuñez faleceu no dia 6 de março de 1999, em São Paulo (SP). Nos últimos meses de sua vida, “El Bandoneón” morava nas dependências do “Projeto Jerusalém” no bairro do Heliópolis em São Paulo.

Sua fortuna se perdeu e ele não tinha recursos financeiros. Antes de morrer, Dom Filpo treinava um time de crianças carentes em uma escolinha de futebol.

Crédito: revista Placar - 7 de setembro de 1979.

Crédito: revista Placar – 7 de setembro de 1979.

Filpo passa instruções ao jogadores do Fabril de Lavras (MG). Crédito: revista Placar – 12 de maio de 1986.

Filpo passa instruções ao jogadores do Fabril de Lavras (MG). Crédito: revista Placar – 12 de maio de 1986.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Maurício Cardoso), revista do Esporte, revista Veja, revista Manchete Esportiva, revista Periquito 70, campeoesdofutebol.com.br, placar.abril.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), futebolportenho.com.br, palmeiras.com.br, noticias.bol.uol.com.br, Arquivo/Folhapress, giginarede.com.br, cacellain.com.br.

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