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O futebol de Cabralzinho já era uma realidade quando contava com apenas 17 anos de idade. Ganhou sua primeira oportunidade no time titular do Santos quando ainda jogava pelas categorias amadoras do clube praiano.

Seu rápido lançamento surpreendeu principalmente ao presidente Athiê Jorge Cury, que temia que Cabralzinho pudesse sentir os efeitos de toda aquela badalação. Então o técnico Lula falou de suas expectativas quanto ao jogador:

– Presidente, tenho o mesmo sentimento da época em que lancei o Pelé. Aposto que se esse menino ruivo fizer o que sabe trará imensas alegrias para nossa torcida.

Carlos Roberto Ferreira Cabral, o Cabralzinho, nasceu na cidade de Santos (SP), em 2 de janeiro de 1945.

Crédito: site do Milton Neves.

Uma das formações do Bangu em 1964. Em pé: Fidélis, Aldo, Mário Tito, Paulo, Nilton Santos e Ocimar. Agachados: Paulo Borges, Bianchine, Parada, Roberto Pinto e Cabralzinho.

No início dos anos sessenta, ao lado de Samarone, o garoto Cabralzinho era um dos grandes destaques do infantil do Tricolor Futebol Clube do bairro Campo Grande, na cidade de Santos.

Encaminhado para o gramado da “Vila Famosa”, Cabralzinho iniciou sua trajetória meteórica no então esquadrão santista. É bem verdade que apesar de suas qualidades, Cabralzinho esbarrava nos medalhões consagrados da equipe que encantou o mundo.

Considerado o melhor jogador do Torneio de Paris em 1962, ao lado do iugoslavo Secularac, Cabralzinho recebeu um convite do Racing da França, o que foi prontamente negado pela diretoria santista.

Rapidamente, os cartolas anularam o tal “contrato de “gaveta” e Cabralzinho assinou seu primeiro compromisso profissional, recebendo 50 mil cruzeiros de luvas e 12 mil mensais durante um ano.

Cabralzinho chegou ao Rio como uma grande contratação do Bangu. Crédito: revista do Esporte número 339.

Em pé: Bianchini e Roberto Pinto. Agachados: Paulo Borges, Parada e Cabralzinho. Crédito: reprodução revista do Esporte número 313 – 5 de março de 1965.

Sem conseguir seu lugar definitivo entre os titulares, o jogador também jogava pelo quadro de Aspirantes. Apesar de sua participação em várias conquistas importantes do Santos, aquela inconstância em seu aproveitamento era motivo de aborrecimento.

Ignorando os conselhos do próprio pai, Cabralzinho pensou em jogar tudo para o alto e deixar o “Peixe”.

Emprestado por apenas dois meses ao América de São José do Rio Preto, Cabralzinho voltou para Santos e em seguida rumou para o Esporte Clube São Bento em 1962.

Na sempre disputada divisão de acesso do campeonato paulista, Cabralzinho e seus companheiros, mesmo com salários atrasados, realizaram uma campanha histórica.

O campeonato só terminou no mês de fevereiro do ano de 1963, colocando o São Bento na elite do futebol de São Paulo.

Crédito: revista Futebol e Outros Esportes número 17 – Extra – 1966.

Linha ofensiva do Bangu: Paulo Borges, Cabralzinho, Parada, Ocimar e Aladim. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Linha ofensiva do Bangu: Paulo Borges, Cabralzinho, Parada, Ocimar e Aladim. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

No findar de 1963, o presidente do Bangu Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva e o dirigente Castor de Andrade decidiram pagar 10 milhões de cruzeiros, bem acima dos 5 milhões estabelecidos pelos diretores do São Bento.

Se por um lado os acertos financeiros com o clube de Sorocaba estavam mais do que consumados, o próprio Cabralzinho não demonstrava entusiasmo para encarar os encantos da cidade maravilhosa.

Então, os homens do clube carioca tiraram outra carta da manga. Conforme o artigo publicado na revista Placar, em sua edição de 14 de março de 1980, Castor de Andrade tratou de enviar um presentinho ao craque paulista:

– O Cabralzinho não estava convencido em deixar a cidade de Sorocaba. Perguntei se era alguma namorada e ele respondeu que não. Então, lhe dei uma lancha de presente e prontamente resolvemos tudo!

Com esse pequeno “mimo” do seu Castor, Cabralzinho iniciou 1964 com a camisa do time de “Moça Bonita”.

Cabralzinho e Paulo Borges. Crédito: revista do Esporte número 413 – Fevereiro de 1967.

O jogador integrou o grupo que conquistou o Torneio Início daquele ano e deu novas esperanças ao clube na sua busca pelo tão sonhado título estadual. No entanto, uma contusão prejudicou seu desempenho.

Assim, em 1964 e 1965, o Bangu deixou escapar o título nas últimas rodadas da competição, ficando com um amargo vice-campeonato.

Para 1966 o planejamento foi facilitado. A base da equipe do técnico argentino Alfredo Gonzalez contava praticamente com os mesmos atletas trabalhados pelo lendário Elba de Pádua Lima, o Tim.

E na final histórica, tumultuada e briguenta com o Flamengo de Almir Albuquerque, o Bangu levou vantagem e venceu por 3×0. Cabralzinho e seus companheiros finalmente pagaram com juros e correção os “mimos” sempre generosos de Castor de Andrade.

Depois de uma rápida passagem pelo Fluminense, abreviada por uma fratura na clavícula e uma cirurgia no tornozelo direito, Cabralzinho voltou ao futebol paulista com um salário mais baixo para jogar pelo Palmeiras.

Cabralzinho e Samarone, companheiros no Fluminense. Crédito: revista do Esporte.

Crédito: revista do Esporte número 450.

Na “Academia”, Cabralzinho logo percebeu que disputar uma posição entre os titulares não seria uma tarefa fácil. Mesmo assim, o saldo foi positivo e Cabralzinho participou do elenco que conquistou o Torneio Robertão de 1969.

Entre 1968 e 1971 foram 45 jogos disputados com 20 vitórias, 12 empates, 13 derrotas e 3 gols marcados. Os números foram publicados pelo Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Antes de encerrar sua carreira, Cabralzinho jogou ainda pelo Flamengo, Atlético Goianiense e Jalisco do México. Algumas fontes também registram um breve período no Houston Stars-EUA, em 1967.

Cabralzinho deixou os gramados em 1974, quando contava apenas com 29 anos de idade. A decisão foi tomada em razão do agravamento de problemas na coluna originados em sua época no Palmeiras.

Cabralzinho trabalhou na construção civil e depois voltou ao futebol como treinador dirigindo equipes no Brasil e no exterior. Pelo Santos, Cabralzinho comandou o time no vice-campeonato brasileiro de 1995.

Cabralzinho nos tempos de Palmeiras. Crédito: revista Placar – 5 de fevereiro de 1971.

Crédito: revista Placar – 29 de julho de 1983.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Marcelo Duarte), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista Futebol e Outros Esportes, site do Milton Neves, flamengo.com.br, bangu.net, museudosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

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