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Estudante de Desenho Técnico no SENAI de Jundiaí, Wilson Quiqueto trilhou por caminhos difíceis, até ser reconhecido internacionalmente como um conceituado profissional de futebol.

Wilson Quiqueto edificou sua carreira primeiramente como atleta. Depois trabalhou como preparador de goleiros e auxiliar técnico.

Com boa parte de sua trajetória fora das quatro linhas, quase sempre nos países árabes, Wilson Quiqueto conquistou vários títulos e participou de duas Copas do Mundo na comissão técnica da seleção da Arábia Saudita, em 1994 e 1998.

Wilson Quiqueto nasceu na cidade de Jundiaí (SP), no dia 7 de fevereiro de 1948. Começou no futebol amador de Jundiaí defendendo o quadro da Portuguesa local.

Em seguida jogou pelo Itatiba Esporte Clube, até ser encaminhado para os times de base da Associação Atlética Ponte Preta em meados de 1965.

O goleiro Wilson, Araújo e Nelsinho. Crédito: revista Manchete número 957.

A Ponte Preta no gramado do Moisés Lucarelli. Em pé: Teodoro, Wilson, Samuel, Araújo, Henrique e Santos. Agachados: Alan, Dicá, Manfrini, Roberto Pinto e Ézio. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Jogando pela Ponte Preta, Wilson conheceu alegrias e também algumas decepções. Fez parte da primeira grande geração da “Macaca”, equipe que marcou época no futebol paulista nos anos 70.

Essa história de “fortes emoções” começou na noite de sexta feira, dia 31 de outubro de 1969, no Parque Antártica.

Os campineiros saíram na frente da Francana com um gol de Alan, mas tomaram uma sensacional virada que resultou no placar final de 3×1 para o alviverde de Franca.

A Ponte, que era conhecida por seus torcedores como “Expresso da Vitória”, ainda não tinha experimentado nenhuma derrota na competição.

Crédito: revista Placar.

Wilson pouco tinha para fazer nesse lance frente ao chute do atacante Babá do São Paulo. Crédito: revista Placar – 6 de novembro de 1970.

Mesmo com a derrota, a Ponte Preta conquistou o título da então chamada Divisão de Acesso do campeonato paulista, o que garantiu o direito de voltar para o grupo de elite do futebol bandeirante.

Uma grande festa tomou conta da cidade de Campinas. Foi o início de uma década de ouro na história da Ponte Preta.

Quase um ano depois, o time campineiro fazia uma excelente campanha no campeonato paulista e brigava “ponto a ponto” com o tricolor do Morumbi pela conquista do título estadual.

Até acontecer o choque decisivo entre as duas equipes no dia 5 de setembro de 1970, no Morumbi. A partida seguia muito disputada até os 30 minutos da primeira etapa, quando aconteceu o suposto pênalti do zagueiro Henrique sobre o atacante Terto.

Arnaldo Cezar Coelho e os dados da polêmica partida, publicados no tabelão da revista Placar.

5 de setembro de 1970. O São Paulo venceu a Ponte Preta por 2×0 no Morumbi. Na foto vemos o então repórter de campo J. Hawilla tentando captar o áudio da “conversa quente” entre o goleiro Wilson e seus companheiros, que reclamam inconformados com o pênalti marcado pelo árbitro Arnaldo Cezar Coelho. Crédito: revista Placar.

Depois de uma autêntica romaria de reclamações promovida pelos jogadores da Ponte em cima do árbitro Arnaldo Cezar Coelho, Toninho Guerreiro abriu o marcador aos 31 minutos da primeira etapa.

Wilson até que foi bem no canto direito, mas não conseguiu evitar o gol. O lance do pênalti até hoje é muito questionado pelos torcedores mais antigos da Ponte.

O segundo gol, também marcado por Toninho no início da segunda etapa sepultou de vez o ímpeto de reação da Ponte, que ficou com o vice-campeonato paulista.

Wilson, que não guarda boas lembranças da participação campineira na Taça de Prata de 1970, permaneceu no Moisés Lucarelli até o final da temporada de 1972, quando acertou sua transferência para o Santos Futebol Clube.

Toninho Guerreiro cobra penalidade e faz o primeiro do São Paulo na vitória sobre a Ponte em 5 de setembro de 1970. Wilson até que foi bem no canto direito, mas não conseguiu evitar o gol. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros.

Em 25 de outubro de 1970, Ponte Preta e Grêmio empataram em 1×1
no Parque Antártica pelo Torneio Robertão. Crédito: revista Placar – 30 de outubro de 1970.

A diretoria da Ponte Preta recebeu propostas do Atlético Mineiro e do Grêmio, mas Wilson tinha o sonho de jogar ao lado de Pelé e dessa forma optou pela Vila Belmiro.

Campeão do Torneio Laudo Natel em 1975, Wilson Quiqueto realizou um total de 93 partidas com a camisa do Santos até o ano de 1978, quando foi defender o Dom Bosco (MT) no campeonato brasileiro.

No ano seguinte retornou ao cenário paulista, dessa vez para jogar pela Associação Atlética Internacional de Limeira, seu último clube. *Algumas fontes registram também uma passagem pelo Paulista de Jundiaí.

O agravamento de uma contusão nas costas o obrigou ao encerramento da carreira como jogador, sem, contudo, largar o futebol.

Natal, atacante do Cruzeiro, consola o goleiro Wilson no massacre do Mineirão. Crédito: revista Placar – 27 de novembro de 1970.

Wilson, Basílio e Marinho Peres, no dia em que o técnico João Avelino tentou agredir o árbitro Romualdo Arppi Filho na partida entre Ponte Preta e Portuguesa. Crédito: revista Placar – 9 de abril de 1971.

Formado em Educação Física pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC), Wilson trabalhou primeiramente como preparador físico no próprio Santos.

No clube praiano, além da função de preparador físico, Wilson também foi preparador de goleiros, auxiliar técnico e Diretor de Futebol.

Comandou também o time de Aspirantes do “Peixe” e preparou goleiros importantes da história do clube, como Marolla, Sérgio Guedes e Rodolfo Rodrigues.

Com o técnico Castilho, em 1984, Wilson ajudou o Santos na conquista do título paulista. No ano seguinte, Castilho recebeu um convite para trabalhar na seleção da Arábia Saudita e não se esqueceu de Wilson Quiqueto.

Jorge Mendonça para nas mãos de Wilson e o Palmeiras perdeu para o Santos no Pacaembu em 1976. Crédito: página pessoal de Wilson Quiqueto no Facebook.

Partindo da esquerda neste pôster do Santos, vemos o goleiro Wilson, Leo, Juary e Tostão. Crédito: revista Placar – 17 de setembro de 1976.

No Oriente Médio, Wilson colecionou sucessos por 18 anos como treinador de goleiros, auxiliar técnico e até dirigente.

Nesse período trabalhou com técnicos brasileiros renomados como Ivo Wortmann, Cabralzinho, Vanderlei Luxemburgo e Carlos Alberto Parreira.

Na Arábia teve uma carreira vitoriosa que culminou com sua participação na comissão técnica da seleção saudita nas Copas do Mundo de 1994 nos Estados Unidos e 1998, na França.

Para os árabes, Wilson conquistou o título mais significativo: A Copa do Golfo em 1995.

Em 2004 de volta ao Brasil foi auxiliar do técnico Geninho em grandes equipes do futebol brasileiro até o ano de 2008, quando resolveu descansar do mundo do futebol profissional.

A Copa do Golfo em 1995. Crédito: jardimacapulco.com

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Manchete, revista Grandes Clubes Brasileiros, santosfc.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), campeoesdofutebol.com.br, futeboldebotaoantigo.blogspot.com, futebolinterior.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, página pessoal de Wilson Quiqueto no Facebook, seuesporte.drivecomunicacao.com.br, globoesporte.globo.com, jardimacapulco.com.

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