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Trinta minutos do segundo tempo. Na arquibancada repleta e agitada do até então “Maior Estádio do Mundo”, os torcedores do Botafogo olhavam para o relógio enquanto berravam como loucos:

– Ferretti, Ferretti, Ferretti…

Quando os gritos se tornavam mais fortes e quase insuportáveis aos ouvidos, o técnico olhava para o banco de reservas e disparava o sinal característico.

O gigante Ferretti sorria, enquanto tirava seu pesado agasalho de algodão e erguia o meião para iniciar os trabalhos de aquecimento.

Pronto para entrar em campo e usar suas cabeçadas, trombadas e divididas em busca do gol, o jovem talismã da “Estrela Solitária” contemplava os “Geraldinos do Maracanã”, como uma forma sincera de agradecimento.

Crédito: revista Placar – 26 de outubro de 1973.

Crédito: revista Placar – 26 de outubro de 1973.

Filho do italiano Vitorino Ferretti e da brasileira Aryad de Oliveira, Fernando Ferretti nasceu no dia 26 de abril de 1949, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Alguns registros apontam que sua trajetória começou na famosa escolinha do Botafogo, na época comandada pelo lendário descobridor de talentos, o seu Neca.

Ferretti também passou pelas categorias amadoras São Cristóvão de Futebol e Regatas quando contava com 14 anos de idade.

Em seu retornou ao Botafogo em 1966, Ferretti enfrentou uma difícil concorrência pelo comando de ataque com o talentoso Roberto Miranda.

Naqueles tempos, o Botafogo era um time recheado de estrelas em seu sistema ofensivo. Dessa forma, Ferretti aprendeu logo cedo que não poderia de forma nenhuma desperdiçar oportunidades.

Crédito: globoesporte.globo.com – Agência Globo.

Ferretti marca contra o Madureira. Crédito: revista Placar – 7 de agosto de 1970.

Pelo Botafogo, Ferretti foi bicampeão da Taça Guanabara e do campeonato carioca em 1967 e 1968. Conquistou ainda o Torneio Hexagonal do México em 1968 e o Torneio Internacional de Caracas de 1970.

Excelente cabeceador e favorecido por quase 1;90 de altura, Ferretti foi o artilheiro da Taça Brasil de 1968 com sete gols marcados. Sua participação foi determinante nas duas partidas decisivas, contra o Fortaleza.

Na primeira, no estádio Presidente Vargas, na capital cearense, Ferretti fez os dois gols do “Glorioso” no empate em 2×2.

No segundo encontro realizado no Maracanã, o alvinegro venceu o Fortaleza pela contagem de 4×0, com um gol de Roberto Miranda, um de Afonsinho e dois do “Ferretão”.

Gol de Ferretti no Maracanã contra o Fortaleza na Taça Brasil de 1968. Crédito: globoesporte.globo.com – Agência Globo.

Em pé: Moreira, Cao, Leônidas, Moisés, Nei Conceição e Valtencir. Agachados: Rogério, Carlos Roberto, Roberto Miranda, Ferretti e Paulo Cesar.

Nessa partida contra o Fortaleza no Maracanã, Ferretti marcou seu primeiro gol aos 10 minutos da etapa final, ao aproveitar uma cobrança de escanteio de Paulo Cesar.

Depois, o atacante deu números finais ao placar aos 38 minutos, depois de concluir uma boa jogada do ponteiro direito Rogério Hetmanek.

Outro momento inesquecível da carreira de Ferretti jogando pelo Botafogo aconteceu em 29 de abril de 1973, contra o América no Maracanã, partida válida pelo primeiro turno do campeonato carioca (Taça Guanabara).

O América vencia confortavelmente por 3×1 até que Ferretti desencantou e marcou quatro vezes em uma estupenda virada por 4×3.

O bom desempenho levou Ferretti para a Seleção Brasileira Sub-23, onde realizou oito partidas e deixou sua marca por uma vez.

Crédito: revista Placar.

Ao lado de Rogério e Moreira, Ferretti era um dos “Três Bandidos” na reportagem sobre o Santos. Crédito: revista Placar – 25 de junho de 1971.

Em 1971, o atacante foi envolvido em uma transação com o Santos. Além de Ferretti, o Botafogo cedeu Moreira e Rogério pelo empréstimo de Carlos Alberto Torres, o capitão do Tri.

A passagem de Ferretti pelo time da “Vila Famosa” não foi o que se esperava, já que o Santos também não vivia um bom momento.

Em depoimento para a revista Placar de 25 de junho de 1971, Ferretti conta um pouco sobre o que esperava e o que encontrou na Vila Belmiro:

– Quando fiquei sabendo que vinha para o Santos me imaginei ao lado de Pelé. Sonhava com muitos gols e depois tive que conviver com muitas vaias. O time não estava bem.

Crédito: revista Placar – 26 de outubro de 1973.

Quanto ao capitão Carlos Alberto sua sorte não foi muito diferente. O “Capita” amargou o vice-campeonato carioca diante do Fluminense, em uma final discutida até hoje.

Em seguida Ferretti passou pelo Vasco da Gama em 1972. Apesar de também fazer os seus golzinhos, Ferretti não se adaptou muito bem em São Januário.

Retornou logo depois ao mesmo Botafogo, onde permaneceu até 1975. Ao todo, foram 253 partidas disputadas pelo time da “Estrela Solitária” no período compreendido entre os anos de 1967 e 1975, com 85 gols marcados.

Além das passagens pelo Santos e pelo Vasco da Gama, Ferretti também atuou pelo CSA, Vitória (BA), Ceará e Atlético (PR). Algumas fontes registram ainda uma curta passagem pelo Fluminense (RJ).

Em 29 de agosto de 2011 Ferretti faleceu em Araruama, cidade da Região dos Lagos no Rio de Janeiro, onde residia.

Formação do Vasco da Gama em 1972. Em pé: Andrada, Fidélis, Eberval, Gaúcho, Moisés e Renê. Agachados: Marco Antônio, Buglê, Ferretti, Luís Carlos e Gilson Nunes.

Ferretti em sua passagem pelo Vitória. Crédito:ecvitorianoticias.com.br.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hélio Teixeira, Marcos Nunes e Michel Laurence), revista Grandes Clubes Brasileiros, site do Milton Neves (por Milton Neves), ecvitorianoticias.com.br, esporte.uol.com.br, mundobotafogo.blogspot.com.br, globoesporte.globo.com – Agência Globo, campeoesdofutebol.com.br.

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