Tags

, , ,

imagem5

Joacy Freitas Dutra, curiosamente conhecido como Alencar no meio futebolístico, nasceu no dia primeiro de agosto de 1937, na cidade de Maranguape (CE). Os pontos fortes do jovem atacante eram o seu arranque, com muita velocidade e o chute forte e certeiro.

Excelente meia-direita, começou sua carreira jogando nas categorias amadoras do Ceará Sporting Club, na primeira metade dos anos cinqüenta.

Sem conseguir uma boa chance no time principal, foi tentar a sorte jogando pelo América Football Club do Ceará, retornando depois ao próprio Ceará na metade do ano de 1957.

O nome “Alencar” surgiu quando ainda atuava pelo juvenil do Ceará. Naquele tempo, existia um grande atacante que tinha o nome de Alencar e jogava ao lado do pequeno Babá (que mais tarde jogou pelo Flamengo).

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará.

Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará.

O time do Ceará em 1958. Partindo da esquerda, em pé: Cláudio, Claudinho, Damasceno, Willian, Alexandre e Harry Carey. Agachados: Zézinho, Alencar, Dica, Ananias e Carneiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará.

O time do Ceará em 1958. Partindo da esquerda, em pé: Cláudio, Claudinho, Damasceno, Willian, Alexandre e Harry Carey. Agachados: Zézinho, Alencar, Dica, Ananias e Carneiro. Crédito: revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará.

Quando esse Alencar deixou o time, passaram a chamar Joacy de Alencarzinho, que com o passar do tempo foi abreviado somente para Alencar.

Quando finalmente conseguiu um lugar no elenco profissional, Alencar não jogou fora sua oportunidade. Entre 1957 e 1958, o meia atacante só não fez chover, tornando-se um goleador temido e muito respeitado.

Convocado em várias oportunidades para defender o selecionado cearense que naquela época disputava o campeonato brasileiro de seleções, seu nome ganhou força ao realizar grandes apresentações frente ao Bahia, Vitória e Galícia, durante excursão aos gramados da “Boa Terra”.

Na época, o Bahia era considerado o melhor time do eixo Norte/Nordeste, com jogadores como Nadinho, Henrique, Leone, Vicente e Florisvaldo.

Crédito: revista do esporte número 791.

Crédito: revista do esporte número 791.

A exibição de “Gala” de Alencar despertou o interesse do Bahia e do Vitória. O tricolor acabou levando vantagem em sua proposta e, dessa forma, Alencar partiu para Salvador no começo de 1959.

Sua primeira partida no Bahia aconteceu contra o Palmeiras, que na época preparava o time para o início da temporada. O time paulista venceu o encontro pela contagem de 2×1, sendo que o gol do tricolor baiano foi marcado justamente por Alencar.

Jogando pelo tricolor baiano, Alencar conquistou seu primeiro título importante, talvez o mais significativo de sua carreira esportiva: Campeão da Taça Brasil em 1959 frente ao Santos.

O título acabou sendo disputado em três partidas. A primeira no dia 10 de dezembro, na Vila Belmiro. O Bahia venceu o Santos por 3×2. No segundo jogo, em 30 de dezembro, o “Peixe” conseguiu reverter sua desvantagem quando venceu na Fonte Nova por 2×0.

Uma das formações do Bahia no final dos anos cinquenta. Em pé: Beto, Leone, Nadinho, Flávio, Vicente e Nenzinho. Agachados: Ari, Waldemar. Alencar, Léo e Marito. Crédito: acerj.com.br.

Uma das formações do Bahia no final dos anos cinquenta. Em pé: Beto, Leone, Nadinho, Flávio, Vicente e Nenzinho. Agachados: Ari, Waldemar. Alencar, Léo e Marito. Crédito: acerj.com.br.

Crédito: revista do Esporte número 179 - Agosto de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 179 – Agosto de 1962.

Esses resultados obrigaram a realização de uma terceira partida. O estádio do Maracanã serviu de palco para essa sensacional decisão. Mesmo sem Pelé, o Santos, considerado o “mais carioca” dos paulistas, era o grande favorito.

Assim, no dia 29 de março de 1960, para surpresa geral, o quadro do Bahia não tomou conhecimento do grande Santos e levantou o caneco de primeiro campeão brasileiro. A vitória por 3×1, de virada, teve como artilheiros Vicente, Léo e Alencar.

O Santos abriu o placar por intermédio de Coutinho, mas, o desempenho do time baiano desestabilizou emocionalmente o time da “Vila Famosa”, que teve três jogadores expulsos: Getúlio, Formiga e Dorval.

Assim como no Ceará, a passagem de Alencar pelo Bahia também foi curta. Entusiasmados com a conquista da Taça Brasil, os diretores do time baiano não resistiram por muito tempo ao apelo financeiro em seus jogadores.

Crédito: revista do Esporte número 179 - Agosto de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 179 – Agosto de 1962.

Notícias infundadas da imprensa baiana sobre uma distensão muscular crônica, quase liquidaram a carreira de Alencar. Crédito: revista do Esporte número 179 - Agosto de 1962.

Notícias infundadas da imprensa baiana sobre uma distensão muscular crônica, quase liquidaram a carreira de Alencar. Crédito: revista do Esporte número 179 – Agosto de 1962.

No começo de 1960, Alencar treinou no Botafogo do Rio de Janeiro. No entanto, os dirigentes do Bahia não chegaram ao acordo financeiro com o time carioca.

Mais tarde, em 1962, o Palmeiras trabalhou forte nos bastidores para superar o interesse do Vasco da Gama e trazer Alencar para São Paulo.

Naquele meio tempo, o jogador sofreu com notícias infundadas da imprensa baiana sobre uma distensão muscular crônica, que o tornaria, em pouco tempo, impossibilitado de jogar futebol profissionalmente.

A falsa notícia fez o Vasco desistir do negócio, para tristeza de Alencar, que desde menino torcia para o time da “Colina”.

Djalma Dias e Alencar. Crédito: revista do Esporte número 217.

Djalma Dias e Alencar. Crédito: revista do Esporte número 217.

Desfeitos os boatos, Alencar chegou ao Parque Antártica por 3 milhões de cruzeiros antigos, para jogar ao lado de Valdir Joaquim de Moraes, Djalma Santos, Zequinha, Carabina, Julinho Botelho, Geraldo Scotto e outras feras daquele período.

Ganhando mais do que os 18 mil cruzeiros que recebia no Bahia, Alencar participou do elenco campeão paulista de 1963.

Ao todo, foram 62 partidas disputadas pelo alviverde com 28 vitórias, 16 empates, 18 derrotas e 28 gols marcados.

Os números foram publicados pelo reconhecido Almanaque do Palmeiras, de autoria de Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti.

Imagem7

Depois do Palmeiras, Alencar jogou pelo Botafogo de Futebol e Regatas (RJ), Bangu Atlético Clube (RJ), Ferroviária de Araraquara (SP), Botafogo de Ribeirão Preto (SP) e o Juventus (SP), antes de voltar ao Bahia no final de sua carreira.

Quando decidiu pendurar suas chuteiras, Alencar iniciou seu período como treinador.

Trabalhou em várias equipes, entre elas no Esporte Clube Ypiranga (BA), Treze Futebol Clube (PB), Fluminense de Feira de Santana (BA), no Bahia e na Catuense.

Alencar faleceu na cidade de Salvador (BA), no dia 27 de setembro de 1990, vítima de hepatite.

Alencar na Ferroviária de Araraquara. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 265 – 1964.

Alencar na Ferroviária de Araraquara. Crédito: reprodução revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 265 – 1964.

Matéria especial com os campeões de 1959. O então cabeludo Alencar é o segundo agachado partindo da esquerda. Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1979.

Matéria especial com os campeões de 1959. O então cabeludo Alencar é o segundo agachado partindo da esquerda. Crédito: revista Placar – 16 de fevereiro de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista Grandes Clubes Brasileiros – Ceará, gazetaesportiva.net, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), campeoesdofutebol.com.br, esporteclubebahia.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, museudosesportes.blogspot.com.br, Almanaque do Palmeiras – Celso Dario Unzelte e Mário Sérgio Venditti, acerj.com.br, luizberto.com, jogadoresdopalmeiras.blogspot.com.br.

Anúncios