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Lidu era um rapaz humilde, que trabalhava em um frigorífico até aparecer para o futebol. Inicialmente, jogava como volante nas divisões amadoras da saudosa Associação Prudentina de Esportes Atléticos em 1965.

Em 1966, o presidente do Londrina Esporte Clube, Carlos Antonio Franquello, acompanhado de Jorge Scaff e Murillo Zamboni, foram até Presidente Prudente na intenção de contratar reforços para disputar o campeonato paranaense de 1967.

Lidu era reserva na Prudentina e nesse dia arrebentou com o treino. Dessa forma, os cartolas do Londrina decidiram levar o até então desconhecido médio volante para o Paraná.

Ludgero Pereira da Silva, mais conhecido como Lidu, nasceu na cidade de Presidente Prudente (SP), em 21 de março de 1947.

Uma das formações do Londrina no final dos anos sessenta. Em pé: Lidu, Pinduca, Tomás, Ado, Dobreu e Zequinha. Agachados: Varlei, Almeida, Gauchinho, Capitão e Dirceu. Crédito: Flash bola – diarioweb.com.br.

Crédito: site do Milton Neves.

Pelo Londrina, Lidu atuou ao lado do goleiro Ado, que depois também jogou pelo Corinthians e foi tricampeão do Mundo no México em 1970.

Em 1969, jogando como lateral direito, Lidu foi contratado pelo Sport Club Corinthians Paulista. Naquela temporada, o alvinegro embalou ótimos resultados no campeonato paulista.

Os ares de uma nova era pareciam bastante favoráveis. Com o comando do experiente Dino Sani, que substituiu Aymoré Moreira, tudo indicava que o jejum de títulos estava com seus dias contados.

Nas partidas fora da capital o time conseguia pontos importantes e nos clássicos apresentava um resultado como há muito tempo não se via:

2 de março – São Paulo 2×4 Corinthians; 16 de março – Portuguesa de Desportos 2×3 Corinthians; 30 de março – Corinthians 2×0 Palmeiras e 13 de abril – Santos 0x2 Corinthians.

Crédito: revista Veja – edição número 35 – 7 de maio de 1969.

O Corinthians no Morumbi. Em pé: Ditão, Luís Carlos, Dirceu Alves, Pedro Rodrigues, Lidu e Lula. Agachados: Paulo Borges, Tales, Benê, Rivellino e Eduardo. Crédito: revista Placar.

E continuando no sonho de chegar ao título, a tabela reservava para o domingo de 27 de abril o encontro contra o sempre perigoso São Bento, na cidade de Sorocaba.

Como já era esperado, o jogo foi difícil e o ponto conseguido no empate em 1×1 foi importante para manter o embalo no campeonato.

Abaixo, os dados do jogo contra o São Bento, o último de Lidu e Eduardo:

27 de abril de 1969 – Campeonato paulista segundo turno – Sao Bento 1×1 Corinthians – Estádio “Humberto Reale”, em Sorocaba (SP) – Gols: Benê (2 min. segunda etapa) e Carlinhos (10 min. segunda etapa) – Árbitro: Vander Moreira – Público: 10.028 pagantes.

São Bento: Alberto; Aranha, Milton, Gibe e Jair; Maranhão e Bazaninho; Alan, Carlinhos (Peri), Mazinho e Batista. Corinthians: Lula; Lidu, Ditão, Luis Carlos e Pedro Rodrigues; Dirceu Alves e Rivellino; Paulo Borges, Tales, Benê (Servílio) e Eduardo.

Crédito: site do Milton Neves.

A delegação alvinegra saiu da cidade de Sorocaba pouco depois das 19 horas e seguiu para São Paulo diretamente para o estacionamento do Parque São Jorge, chegando nas dependências do clube por volta das 20 horas e 30 minutos.

Ainda no estacionamento, parte do grupo decidiu comemorar o ótimo ponto conquistado no empate em Sorocaba no restaurante Recreio Chácara Souza, no bairro de Santana.

Na madrugada do dia 28 de abril no retorno ao Parque São Jorge, o lateral direito Lidu, acompanhado de Eduardo, conduzia seu fusca de cor castor com placas 9 26 79 pela marginal do Tietê, que na época encontrava-se com alguns trechos em construção.

De acordo com os laudos da polícia técnica, o acidente fatal aconteceu próximo da ponte da Vila Maria, (hoje ponte Jânio Quadros).

Crédito: revista Placar – 28 de julho de 1986.

Buião e Lidu. Ao fundo, partindo da esquerda, aparecem Eduardo, Clóvis e o goleiro Diogo. Crédito: site do Milton Neves.

O fusca de Lidu acabou esbarrando em guias de concreto que se encontravam próximas ao asfalto e sem qualquer espécie de sinalização.

Com o impacto das rodas dianteiras, o veículo capotou várias vezes e chocou-se violentamente contra a pilastra da ponte, projetando seus ocupantes para fora do veículo.

O socorro não demorou para chegar, mas já era tarde. Enquanto populares se amontoavam nos arredores do desastre, o Corinthians que ainda dormia, perdia duas grandes estrelas.

Após o velório, realizado diante de milhares de pessoas, o corpo de Lidu seguiu para Presidente Prudente (SP), enquanto o corpo de Eduardo foi embarcado para o cemitério do Caju, no Rio de Janeiro.

Crédito: mariolopomo.zip.net.

O Parque São Jorge lotado no adeus aos craques alvinegros. Crédito: mariolopomo.zip.net.

O Parque São Jorge lotado no adeus aos craques alvinegros. Crédito: mariolopomo.zip.net.

Ao todo, foram 36 participações pelo Corinthians com 24 vitórias, 6 empates e 6 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Com o falecimento de Lidu e Eduardo, o Corinthians solicitou aos representantes do conselho arbitral da Federação Paulista de Futebol, uma autorização para inscrever dois jogadores para a providencial substituição no decorrer do campeonato.

Conforme publicado na revista Placar, em sua edição de 27 de novembro de 1981, o Palmeiras, representado pelo diretor de futebol José Gimenez Lopes, usou de seu poder de veto e foi o único clube contra.

Sobrou ao Corinthians mais um ano na fila do paulistão e a conquista do Torneio Costa do Sol, realizado no mês de agosto na cidade de Málaga, na Espanha.

Crédito: revista Veja – edição número 35 – 7 de maio de 1969.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Mário Della Rina e Carlos Henrique Amoedo), revista Veja, Flash bola – diarioweb.com.br, blogs.odiario.com, gazetaesportiva.net, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti e Eliana Santos), campeoesdofutebol.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte, albumefigurinhas.no.comunidades.net, mariolopomo.zip.net, cacellain.com.br.

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