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Quando Guarani ou Ponte Preta não conseguiam embalar no campeonato, o nome de Zé Duarte era sempre o preferido para colocar ordem na casa!

Dizem os mais antigos, que isso aconteceu pela primeira vez em 1967, quando um ébrio do bar da esquina levantou da mesa e disparou o que parecia um delírio:

– Meu Deus, acho que bebi demais! Acabei de ver o Zé Duarte entrar em casa vestido de preto e sair de verde!

Se o berço faz o destino, Zé Duarte teve seu caminho desenhado desde o primeiro choro.

Nascido na cidade de Campinas (SP), em 19 de outubro de 1935, da janela do quarto era possível ver o terreno onde mais tarde o Estádio Moisés Lucarelli foi inaugurado em 12 de setembro de 1948.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 16 de novembro de 1973.

Zé Duarte sempre morou no centro de Campinas, entre os bairros do Bosque e do Proença. Viveu estrategicamente em um sobrado, no meio do curto caminho que separa o Guarani da Ponte Preta.

Conhecido como “Zé do Boné”, Zé Duarte é mais um caso de técnico de futebol que nunca foi jogador.

Tudo começou na década de 1950, quando ao lado dos amigos fundou a Sociedade Esportiva Proença, equipe que venceu o campeonato campineiro varzeano de 1959.

A façanha do Proença levou esse homem simples e conhecedor dos atalhos da bola ao comando do juvenil da Ponte Preta em 1966. No ano seguinte, Zé Duarte pisou pela primeira vez no Guarani, onde permaneceu até 1968.

Em 1969 voltou para a Ponte Preta. O time, que ficou conhecido como “Expresso da Vitória”, conquistou o título da então chamada “Divisão de Acesso” do campeonato paulista.

Foto de José Pinto. Crédito: revista Placar – 24 de março de 1978.

Foto de Alberto Carlos. Crédito: revista Placar – 21 de julho de 1978.

Naquela campanha da “Divisão de Acesso”, a Ponte Preta perdeu apenas o duelo final diante da Francana. Os campineiros saíram na frente do marcador, mas tomaram uma sensacional virada do alviverde de Franca por 3×1.

Mesmo com a inesperada e sofrida derrota diante da Francana, uma grande festa tomou conta de Campinas!

Foi o estopim de uma década de ouro na história do clube. Abaixo, os registros da última partida da Ponte Preta na “segundona” do campeonato paulista de 1969:

31 de outubro de 1969 – Ponte Preta 1×3 Francana – Estádio do Parque Antártica – Árbitro: José Favilli Neto.

Ponte Preta: Wilson Quiqueto, Nelson, Samuel, Araújo e Luisinho (Santos); Teodoro e Roberto Pinto; Alãn, Dicá, Djair e Adílson. Técnico: José Duarte. Francana: Manzato, Valdomiro, Duda, Alemão e Jorge (Clóvis); Elias e Emílio (Geraldo); Gibi, Zé Augusto, Paulo Leão e Carlos César. Técnico: José Chagas.

Foto de Célio Apolinário. Crédito: revista Placar – 26 de janeiro de 1979.

Foto de Rodolpho Machado. Crédito: revista Placar – 18 de maio de 1979.

Zé Duarte trocou novamente o agasalho preto da Ponte Preta pelo verde do Guarani em 1971. Continuou no “Bugre” até 1975, um trabalho reconhecido principalmente pelo aproveitamento de jovens valores.

Em seguida teve uma breve passagem pelo Saad e pelo Santos, antes de voltar novamente ao comando da Ponte Preta para arquitetar um dos maiores esquadrões da história do interior paulista.

Vice-campeão paulista de 1977, Zé Duarte até tentou outros desafios longe da Campinas. Trabalhou no Cruzeiro (MG), Internacional (RS) e Fluminense RJ). Contudo, o destino o levou caprichosamente de volta para Campinas.

Mais uma vez na direção da Ponte Preta, Zé Duarte bateu de frente com o forte Corinthians de Palhinha e Sócrates, uma formação mais técnica comparada ao time de 1977. Assim, Zé Duarte amargou outro vice-campeonato na edição de 1979.

Em 1980 trocou novamente o agasalho preto pelo verde e montou o Guarani que venceu o campeonato brasileiro da “Série B”, em 1981.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 5 de setembro de 1980.

Zé Duarte sobre sua relação com o “Bugre” e com a “Macaca”. Foto de Claudinê Petróleo. Crédito: revista Placar – 5 de setembro de 1980.

Entre tantas idas e vindas de Campinas, Zé Duarte trabalhou no Bahia (BA), Atlético Paranaense (PR), Botafogo de Ribeirão Preto (SP), Comercial (SP), Grêmio São-Carlense (SP), Noroeste (SP), Portuguesa de Desportos (SP), União São João (SP) e XV de Jaú (SP).

Seu maior desafio aconteceu em 1995, época em que enfrentou os preconceitos profissionais para assumir o elenco da Seleção Brasileira Feminina.

Com um notável trabalho de Zé Duarte, o Brasil surpreendeu na Olimpíada de Atlanta em 1996. O quarto lugar na competição ofereceu novos horizontes ao futebol feminino.

Em 1999 conquistou o terceiro lugar no mundial dos Estados Unidos e no ano seguinte, o quarto lugar na Olimpíada de Sydney. Zé Duarte encerrou a carreira em 2003, no comando do Saad.

Aposentado, diabético e hipertenso, o ex-treinador também desenvolveu o Mal de Parkinson. José Duarte faleceu em 23 de julho de 2004, na cidade de Campinas (SP).

Foto de JB Scalco. Crédito: revista Placar – 27 de março de 1981.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 3 de julho de 1981.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Alberto Carlos, Célio Apolinário, Claudinê Petróleo, Dagomir Marquezi, JB Scalco, José Pinto, Manoel Motta, Maria Helena Araújo, Rodolpho Machado, Sérgio A. Carvalho e Sérgio Martins), revista do Esporte, revista Manchete Esportiva, revista Veja, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde, campeoesdofutebol.com.br, gazetaesportiva.net, globoesporte.globo.com, guaranifc.com.br, placar.abril.com.br, pontepreta.com.br, site do Milton Neves.