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Ratinho sempre aprontou das suas! Como naquela noite de quarta feira de 24 de março de 1971, quando Corinthians e Portuguesa de Desportos faziam um jogo muito equilibrado no Pacaembu.

O duelo foi decidido quando eram jogados 36 minutos do primeiro tempo, em um chute despretensioso de Ratinho do meio da rua!

Acusado de falhar em uma bola considerada defensável, o goleiro Ado foi tachado de boêmio e irresponsável pelo presidente Wadih Helu. E realmente seria uma bola defensável, não fosse o famoso e temido “morrinho artilheiro”.

Na página de hoje lembramos de Ratinho, o atrevido ponteiro-direito que fez muito sucesso quando passou pela Portuguesa de Desportos.

Conhecido como “Ratinho”, Heitor Martinho de Souza nasceu na cidade de São Francisco do Sul (SC), em 3 de março de 1942. *Algumas fontes registram o seu nascimento em Joinville (SC).

Crédito: revista do Esporte número 429 – 27 de maio de 1967.

O selecionado paulista no gramado do Maracanã. Em pé: Rildo, Jurandir, Roberto Dias, Dudu, Carlos Alberto Torres e Picasso. Agachados: Massagista Mário Américo, Ratinho, Toninho Guerreiro, Flávio, Rivellino e Edu. Crédito: revista do Esporte número 450 – 20 de outubro de 1967.

Ratinho começou sua trajetória no Fluminense do bairro Itaum, em Joinville. Em 1962 foi transferido para o Clube Náutico Marcílio Dias (SC), onde foi campeão do Torneio Luiza Mello.

Defendeu depois o Avaí Futebol Clube até o mês de abril de 1966, quando foi negociado com a Associação Portuguesa de Desportos, equipe onde seu futebol ganhou maior visibilidade.

Ratinho fez parte do famoso ataque “Iê Iê Iê”, ao lado de Leivinha, Ivair, Paes e Rodrigues, quinteto responsável por grandes apresentações no findar dos anos 60.

Em 1968 o ataque “Iê Iê Iê” ganhou fama em uma excursão aos gramados da Europa, América e Caribe. Ao todo, foram 13 jogos com 9 vitórias; inclusive com compromissos na antiga Alemanha Oriental.

Com participações no selecionado paulista, o nome de Ratinho foi cogitado durante o período de preparação da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1970.

A Portuguesa de Desportos no gramado do Maracanã. Em pé: Guaraci, Paes, Zé Maria, Marinho, Orlando e Américo. Agachados: Ratinho, Basílio, Leivinha, Lorico e Valdomiro. Crédito: revista do Esporte número 559 – 22 de novembro de 1969.

O Canindé na época de sua inauguração. Crédito: revista Placar.

O ponteiro-direito também esteve presente na inauguração do Canindé, na época batizado como Estádio Independência. A obra foi entregue apenas com o anel inferior e algumas cabines de imprensa, um tanto acanhadas:

9 de janeiro de 1972 – Portuguesa de Desportos 1×3 Benfica – Estádio Independência – Árbitro: Oscar Scolfaro – Gols: Vitor Batista (Benfica) aos 18′, Jordão (Benfica) aos 22′, Marinho Peres (Portuguesa) aos 54′ e Simões (Benfica) aos 56′.

Benfica: José Henrique; Malta da Silva, Messias, Rui Rodrigues e Adolfo; Toni e Vitor Martins; Nenê (Diamantino), Vitor Batista, Jordão e Simões. Portuguesa de Desportos: Aguillera; Deodoro, Marinho, Calegari e Fogueira; Dirceu (Luiz Américo) e Lorico; Ratinho (Xaxá), Cabinho, Basílio (Tatá) e Piau.

Ratinho permaneceu na Portuguesa de Desportos até 1972. Sua dispensa aconteceu depois de uma derrota para o Santa Cruz por 1×0 no Parque Antártica, jogo válido pelo campeonato nacional de 1972.

Irritado com o desempenho do time, o presidente Oswaldo Teixeira Duarte afastou 6 jogadores do elenco: Héctor Silva, Lorico, Marinho, Piau, Ratinho e Samarone.

Em 12 de março de 1972, o Santos venceu a Portuguesa de Desportos por 1×0 no Pacaembu, jogo válido pelo campeonato paulista. Partindo da esquerda; Ratinho, Afonsinho e Pelé. Foto de Domício Pinheiro. Crédito: Jornal da Tarde.

Ratinho na ponta-direita do São Paulo. Foto de Édson Pio. Crédito: revista Placar – 5 de outubro de 1973.

Com grande cobertura da imprensa, o episódio ficou conhecido como “A Noite do Galo Bravo”. Dessa forma, o passe de Ratinho foi negociado com o São Paulo Futebol Clube.

Vice campeão brasileiro de 1973, Ratinho disputou a Taça Libertadores da América em 1974, quando o tricolor do Morumbi também ficou com o vice campeonato.

Em 1975 voltou para Joinville e jogou pelo América local e pelo Joinville Esporte Clube. O ponteiro direito jogou ainda pela Sociedade Esportiva Matsubara (PR), antes de deixar os gramados.

Fora do futebol foi proprietário da loja “Ratinho Sports” e depois trabalhou como treinador nas categorias de base do Joinville.

Heitor Martinho de Souza faleceu no dia 11 de fevereiro de 2001, em um acidente automobilístico na rodovia SC-495, nas proximidades do Balneário Barra do Sul.

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 30 de agosto de 1974.

Foto de Lemyr Martins. Crédito: revista Placar – 30 de agosto de 1974.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Arthur Ferreira, Édson Pio, Lemyr Martins e Marcos Nunes), revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, revista do Esporte, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal da Tarde (por Domício Pinheiro), cacellain.com.br, campeoesdofutebol.com.br, gazeta esportiva.net, site do Milton Neves, albumefigurinhas.no.comunidades.net.