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Fim de tarde. Na janela entreaberta, uma motoneta Vespa quebra o sossego. Augusto liga sua Vitrola Eltron enquanto se prepara para ouvir Dalva de Oliveira cantar “Copacabana Beach”. Então, percebe o amigo Evanil no portão.

Mais uma vez, era preciso manter o jeito de interessado diante da mesma cantilena:

– Já falei com todo mundo lá em São Januário. Vou te levar para o Vasco! Tenho certeza que você vai dar certo….

O autor do insistente, e quase inquisitivo convite, era Antônio Evanil Silva, o conhecido lateral esquerdo Coronel que marcou época jogando pelo Vasco da Gama.

Crédito: revista do Esporte número 199 – Dezembro de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 199 – Dezembro de 1962.

Os dois eram grandes amigos antes mesmo que Coronel deixasse Quatis, então distrito de Barra Mansa, para iniciar sua trajetória no time da “Colina” em 1952.

O carioca de Barra Mansa José Augusto Rodrigues nasceu no dia 25 de julho de 1940. Esperto e com boa desenvoltura com o couro nos pés, acabou aceitando o convite do insistente do amigo Coronel.

Depois de alguns treinos em São Januário, o serviço militar interrompeu o sonho “Cruzmaltino” de Augusto e também de seu amigo Coronel.

Crédito: revista do Esporte número 199 – Dezembro de 1962.

Crédito: revista do Esporte número 199 – Dezembro de 1962.

No final de 1959, olheiros do Esporte Clube Taubaté encaminharam Augusto para realizar um teste.

Aprovado, iniciou sua carreira profissional enquanto que Coronel, ainda mais uma vez, tentou levá-lo para o Vasco.

Augusto agradeceu e explicou que já tinha empenhado sua palavra junto aos diretores do simpático “Burro da Central” (O apelido de “Burro da Central” foi adotado pelo Taubaté durante o campeonato paulista da segunda divisão de 1954).

Depois de pouco mais de uma temporada, o esforçado e bom marcador Augusto foi surpreendido por uma proposta do Corinthians. Um pouco temeroso, aceitou colaborar nas negociações, já que o Taubaté precisava reforçar seu caixa.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 211 – 1962.

Crédito: revista A Gazeta Esportiva Ilustrada número 211 – 1962.

Assim, em 1961, o promissor lateral direito recebeu 300.000 cruzeiros de luvas e acertou salários mensais de 30.000 cruzeiros. Além disso, recebeu como prêmio de cooperação uma vultosa quantia dos dirigentes do clube interiorano.

Tão logo o amigo Coronel tomou conhecimento dos fatos, telefonou imediatamente para Augusto, que preparava sua mala para deixar Taubaté:

–  Que beleza hein? Boa sorte em São Paulo. Quem sabe em pouco tempo você não acerta de vez com o Vasco…

Durante quatro temporadas e 144 compromissos disputados, Augusto viveu uma montanha russa de emoções dentro do Parque São Jorge.

Augusto, Eduardo e Toni no Parque São Jorge. Crédito: site do Milton Neves.

Augusto, Eduardo e Toni no Parque São Jorge. Crédito: site do Milton Neves.

O Corinthians que chegou ao vice estadual de 1962 sob orientação do técnico Fleitas Solich. Em pé: Augusto, Aldo, Oreco, Amaro, Eduardo e Cássio. Agachados: Felício, Nei, Rafael, Silva e Lima. Crédito: revista do Esporte número 201 – Janeiro de 1963.

O Corinthians que chegou ao vice estadual de 1962 sob orientação do técnico Fleitas Solich. Em pé: Augusto, Aldo, Oreco, Amaro, Eduardo e Cássio. Agachados: Felício, Nei, Rafael, Silva e Lima. Crédito: revista do Esporte número 201 – Janeiro de 1963.

Inicialmente, Augusto também sofreu em razão dos péssimos números no primeiro turno do paulistão de 1961, quando o time recebeu o apelido de “Faz Me Rir”.

Em 1962 chegou ao vice estadual, na boa campanha do time comandado pelo técnico Fleitas Solich.

Mais tarde, em 1965, o técnico da Lusa Aymoré Moreira buscava um bom substituto para o carioca Jair Marinho, que tinha acertado sua transferência para o Corinthians.

Dessa forma, os dirigentes do alvinegro aceitaram os termos financeiros oferecidos pelos dirigentes da Portuguesa e liberaram o passe de Augusto. Na transação, a Lusa recebeu também o volante Amaro, ex-América-RJ.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Augusto permaneceu no time do Canindé até 1969. Em seguida, teve passagens pelo Clube do Remo e pelo Paysandu, onde encerrou sua carreira profissional em 1975.

Algumas fontes registram também uma rápida permanência defendendo o Coritiba Foot Ball Club em 1969.

Desde que deixou os gramados, Augusto fixou residência em Belém do Pará.
Atualmente está aposentado, continuando sua ligação com o futebol na revelação de novos jogadores. 

*Nota: Apesar do esforço do amigo Coronel, Augusto não jogou pelo Vasco.

No estádio do Pacaembu, partindo da esquerda: Augusto, Vilela, Felix, Ulisses, Wilson Pereira e Edílson. Crédito: site do Milton Neves.

No estádio do Pacaembu, partindo da esquerda: Augusto, Vilela, Felix, Ulisses, Wilson Pereira e Edílson. Crédito: site do Milton Neves.

Forte formação da Portuguesa de Desportos na metade dos anos sessenta. Em pé: Augusto, Vilela, Ditão, Felix, Amaro e Edílson. Agachados: Mário Américo (massagista), Almir, Nair, Aloísio Mulato, Ademar e Ivair. Crédito: site do Milton Neves.

Forte formação da Portuguesa de Desportos na metade dos anos sessenta. Em pé: Augusto, Vilela, Ditão, Felix, Amaro e Edílson. Agachados: Mário Américo (massagista), Almir, Nair, Aloísio Mulato, Ademar e Ivair. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, site do Milton Neves (por Túlio Nassif), cacellain.com.br, scratchcorinthiano.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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