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A garoa paulistana castigava impiedosamente o rosto do jovem Jurandyr na portaria do Estádio da Ponte Grande.

Molhado e pressionado pelo relógio, o bolso do paletó parecia esconder o precioso cartão com a recomendação para treinar.

Finalmente com o cartão em mãos, o porteiro encaminhou o atrasado goleiro para uma salinha nos fundos do clube, local onde o treinador costumava fazer os preparativos matinais para mais um dia de treinamento.

Foram assim os primeiros passos do goleiro Jurandyr na extinta Associação Atlética São Bento em junho de 1930, equipe que defendeu até o início de 1934, quando recebeu um convite para jogar no futebol carioca pelo Fluminense Football Club.

Jurandyr Corrêa dos Santos nasceu na capital paulista, em 26 de abril de 1912.

Depois de uma curta permanência nas Laranjeiras, Jurandyr voltou ao futebol paulista e acertou com o São Paulo da Floresta.

No São Paulo da Floresta, Jurandyr ficou o suficiente para ser vice-campeão paulista de 1934, quando foi observado mais atentamente pelos dirigentes do Palestra Itália.

O negócio com o Palestra só foi concretizado em setembro de 1935, apesar dos protestos dos homens do São Paulo da Floresta.

Jogando pelo Palestra Itália, o goleiro Jurandyr assumiu a camisa de titular depois da saída de Aymoré Moreira. Foi campeão paulista de 1936 e chegou ao selecionado paulista principal.

Fla x Flu nas Laranjeiras. O goleiro Jurandyr defende com os pés um chute frontal, enquanto Biguá permanece isolado e cercado entre vários jogadores do Fluminense. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

O Flamengo campeão carioca de 1943. Partindo da esquerda: Jurandyr, Domingos da Guia, Perácio, Newton Canegal, Jaime, Bria, Pirillo, Zizinho, Biguá, Veve e Jacy. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Convocado pelo técnico Adhemar Pimenta para disputar o campeonato Sul-Americano de 1937, Jurandyr realizou boas partidas em gramados argentinos.

Ao lado de Patesko, Carreiro e do jovem Elba de Pádua Lima, o Tim, o goleiro foi considerado um dos destaques da Seleção Brasileira.

Apesar do vice-campeonato, com duas derrotas para a Argentina (1×0 e 2×0), Jurandyr deixou uma boa imagem, o que favoreceu sua transferência junto ao Club Ferro Carril Oeste.

Jurandyr deixou o Palestra Itália em novembro de 1939. Ao todo, foram 133 partidas disputadas com 86 vitórias, 26 empates e 21 derrotas.

Na Argentina Jurandyr jogou no Ferro Carril até 1941. Em seguida defendeu o Club de Gimnasia y Esgrima La Plata até 1942, quando o Clube de Regatas do Flamengo acenou positivamente para o seu retorno ao futebol brasileiro.

Newton, Jurandir e Quirino. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 342 – 26 de outubro de 1944.

São Paulo e Flamengo no Pacaembu. Jurandyr e Luizinho Mesquita, em destaque, batem boca enquanto Sastre, no centro da foto, tenta acalmar os ânimos. O árbitro, de calça branca, coloca os brigões para tomar banho mais cedo. Crédito: Jornal A Gazeta Esportiva.

No time da Gávea o goleiro viveu seu período mais produtivo, conquistando títulos e o retorno nas convocações da Seleção Brasileira.

Apelidado de “Rei dos Pênaltis”, Jurandyr disputou posição com o grandalhão Yustrich até o início do segundo turno do campeonato carioca, quando conquistou o lugar de titular de forma definitiva.

Ao lado de Domingos da Guia e Newton Canegal, Jurandyr formou uma das linhas defensivas mais eficientes do futebol carioca na era Pré-Maracanã.

Em 1945 Jurandyr foi convocado para disputar o Sul-Americano do Chile. Naquela edição do Sul-Americano, o Brasil contou com um ataque muito forte com Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair Rosa Pinto e Ademir.

Mesmo assim, mais uma vez, os argentinos ficaram com o título, restando aos comandados do técnico Flávio Costa um honroso segundo lugar.

Crédito: revista Placar.

Tricampeão carioca nas temporadas de 1942, 1943 e 1944, Jurandyr permaneceu no time da Gávea até 1946, quando voltou ao cenário paulista para jogar pelo Sport Club Corinthians Paulista, o único time do “Trio de Ferro” que faltava em seu histórico.

O goleiro encerrou a carreira em 1948 no Comercial Futebol Clube da cidade de Ribeirão Preto (SP). Fora dos gramados abriu uma Auto Escola, na Rua Barão de Duprat, um negócio bastante lucrativo na época.

Jurandyr ainda voltou ao Corinthians para trabalhar na Comissão Técnica, inclusive na preparação do jovem goleiro Cabeção.

Jurandyr Corrêa dos Santos faleceu na cidade de São Paulo (SP), no dia 4 de março de 1972.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 386 – 30 de agosto de 1945.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por João Carlos Rodriguez), revista Esporte Ilustrado, revista O Globo Sportivo, revista El Gráfico, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Correio de São Paulo, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, palmeiras.com.br, heroisdomengao.blogspot.com.br.

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