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Diante da portaria do estádio da Ponte Grande, Jurandyr demorou para encontrar no bolso do paletó o precioso cartão com sua recomendação.

A garoa, tipicamente paulistana, castigava seu rosto enquanto batia apressadamente no portão de ferro.

O porteiro abriu a portinhola e logo reconheceu os rabiscos do cartão. Preencheu o fichário de visita e encaminhou o rapaz para um gabinete nos fundos do clube, onde o treinador costumava fazer os preparativos matinais para mais um dia de treinamento.

Foram assim os primeiros passos do goleiro Jurandyr na extinta A.A São Bento em junho de 1930, equipe que defendeu até o início do ano de 1934, quando foi convidado para jogar pelo Fluminense.

Jurandyr, goleiro do Palestra, em partida contra o Santos do atacante Araken. Crédito: Jornal Correio de São Paulo – Segunda feira, 19 de abril de 1937.

Jurandyr, goleiro do Palestra, em partida contra o Santos do atacante Araken. Crédito: Jornal Correio de São Paulo – Segunda feira, 19 de abril de 1937.

Jurandyr Corrêa dos Santos nasceu na capital paulista, em 26 de abril de 1912. Depois de permanecer por pouco tempo nas Laranjeiras, Jurandyr voltou ao futebol paulista e acertou com o São Paulo da Floresta.

No tricolor paulista, ficou o suficiente para ser vice-campeão paulista de 1934, quando foi observado mais atentamente pelos dirigentes do Palestra Itália.

O negócio com o alviverde só foi concretizado em setembro de 1935, apesar dos protestos dos homens do São Paulo da Floresta.

Jogando pelo Palestra Itália, o goleiro Jurandyr assumiu o posto de titular depois da saída de Aymoré Moreira. Sempre com boas atuações, foi campeão paulista de 1936 e chegou ao selecionado paulista principal.

Jurandyr: Sucesso no futebol paulista, carioca e também no escrete.

Jurandyr: Sucesso no futebol paulista, carioca e também no escrete.

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Convocado pelo técnico Adhemar Pimenta para disputar o campeonato Sul-Americano de 1937, Jurandyr realizou boas partidas em gramados argentinos.

Ao lado de Patesko, Carreiro e do jovem Elba de Pádua Lima, o Tim, o goleiro foi considerado um dos destaques daquela formação da Seleção Brasileira.

Apesar do vice-campeonato, com duas derrotas para os argentinos (1×0 e 2×0), Jurandyr deixou uma boa imagem na crônica esportiva local, o que mais tarde favoreceu bastante sua transferência ao futebol portenho.

O Flamengo campeão carioca de 1943. Partindo da esquerda: Jurandyr, Domingos da Guia, Perácio, Newton Canegal, Jaime, Bria, Pirillo, Zizinho, Biguá, Veve e Jacy.

O Flamengo campeão carioca de 1943. Partindo da esquerda: Jurandyr, Domingos da Guia, Perácio, Newton Canegal, Jaime, Bria, Pirillo, Zizinho, Biguá, Veve e Jacy.

Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo número 201 - 26 de junho de 1942.

Crédito: reprodução revista O Globo Sportivo número 201 – 26 de junho de 1942.

Jurandyr deixou o Palestra Itália em novembro de 1939. Ao todo, foram 133 partidas disputadas com 86 vitórias, 26 empates e 21 derrotas.

No futebol argentino jogou no Ferro Carril até 1941. Em seguida aceitou um convite do Giminasia Y Esgrima, onde não ficou por muito tempo.

Em 1942 o Flamengo acenou positivamente para seu retorno ao futebol brasileiro. No time da Gávea o goleiro viveu seu período mais produtivo, conquistando títulos e o retorno nas convocações da Seleção Brasileira.

Jurandyr disputou posição com o grandalhão Yustrich até o início do segundo turno do campeonato carioca, quando conquistou seu lugar de forma definitiva.

Fla x Flu nas Laranjeiras. O goleiro Jurandyr defende com os pés um chute frontal, enquanto Biguá permanece isolado e cercado entre vários jogadores do Fluminense. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Fla x Flu nas Laranjeiras. O goleiro Jurandyr defende com os pés um chute frontal, enquanto Biguá permanece isolado e cercado entre vários jogadores do Fluminense. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

São Paulo e Flamengo no estádio do Pacaembu. Jurandyr e Luizinho Mesquita, em destaque, batem boca enquanto Sastre, no centro da foto, tenta acalmar os ânimos. O árbitro, de calça branca, coloca os brigões para tomar banho mais cedo.

São Paulo e Flamengo no estádio do Pacaembu. Jurandyr e Luizinho Mesquita, em destaque, batem boca enquanto Sastre, no centro da foto, tenta acalmar os ânimos. O árbitro, de calça branca, coloca os brigões para tomar banho mais cedo.

Apelidado de “Rei dos Pênaltis”, alinhou ao lado de Domingos da Guia e Newton Canegal um dos sistemas defensivos mais eficientes do futebol carioca na era Pré-Maracanã.

Em 1945 Jurandyr foi convocado para disputar o Sul-Americano do Chile, como suplente de Oberdan Cattani.

O quadro do Brasil, além do genial zagueiro Domingos da Guia, apresentou um ataque muito forte com Tesourinha, Zizinho, Heleno de Freitas, Jair Rosa Pinto e Ademir.

Mais uma vez, os argentinos ficaram com o primeiro posto da competição, restando aos comandados do técnico Flávio Costa um honroso segundo lugar.

Newton, Jurandir e Quirino. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 342 - 26 de outubro de 1944.

Newton, Jurandir e Quirino. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 342 – 26 de outubro de 1944.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 386 – 30 de agosto de 1945.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 386 – 30 de agosto de 1945.

Tricampeão carioca nas temporadas de 1942, 1943 e 1944, Jurandyr permaneceu no time da Gávea até 1946, quando voltou ao cenário paulista para jogar pelo Corinthians, o único time do “Trio de Ferro” que faltava em seu histórico.

O goleiro ainda teve uma passagem pelo Comercial de Ribeirão Preto antes de pendurar suas chuteiras definitivamente no início de 1949. Fora dos gramados, dedicou atenção para sua Auto Escola, na Rua Barão de Duprat, um negócio bastante promissor na época.

Ainda voltou ao Corinthians, onde trabalhou na comissão técnica, inclusive na preparação do jovem goleiro Cabeção, que depois substituiu o titular Bino.

Jurandyr Corrêa dos Santos faleceu no dia 4 de março de 1972, pouco antes de completar seu sexagésimo aniversário.

Jurandyr, ao lados dos filhos, na porta de seu estabelecimento comercial. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 33 - Sexta Feira, 11 de abril de 1947.

Jurandyr, ao lados dos filhos, na porta de seu estabelecimento comercial. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 33 – Sexta Feira, 11 de abril de 1947.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Esporte Ilustrado, revista O Globo Sportivo, revista El Gráfico, Jornal A Gazeta Esportiva, Jornal Correio de São Paulo, Jornal Mundo Esportivo, campeoesdofutebol.com.br, palmeiras.com.br, heroisdomengao.blogspot.com.br.

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