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Na pequena e ainda provinciana cidade do Senhor do Bonfim, o pião, bolinhas de gude e principalmente o futebol, eram o passatempo preferido da garotada.

Quando o sol baixava um pouco, lá estava o pequeno e enjoadinho Pedrinho Amorim, com sua bola de borracha debaixo dos braços e uma pequena tesoura de unhas, que pegava escondido da mãe.

Como aquele tipo de bola furava com grande facilidade, Pedrinho pedia para os amiguinhos cortarem as unhas dos pés antes de começar o habitual jogo na então Praça Nova do Congresso.

Pedro Amorim Duarte nasceu no dia 13 de outubro de 1919, em Senhor do Bonfim (BA).

A foto de Ignácio Ferreira, mostra o Doutor Pedro Amorim. Crédito: revista Placar - 26 de dezembro de 1975.

A foto de Ignácio Ferreira, mostra o Doutor Pedro Amorim. Crédito: revista Placar – 26 de dezembro de 1975.

Filho de um rico e próspero fazendeiro, muito respeitado na cidade, Pedrinho cresceu sob rígidos preceitos de educação e comportamento, sempre prometendo ao pai que um dia se formaria em Medicina.

Na adolescência, o velho Laurindo da Silva Duarte colocou em prática suas intenções de enviar o filho para estudar em Salvador, aos cuidados do internato do Liceu Salesiano.

Posteriormente, Pedro Amorim ingressou no Colégio Ipiranga, onde costumeiramente era chamado para jogar por uma equipe amadora chamada São Bento.

Atacante habilidoso, logo ganhou uma vaga na seleção de novos, o que prontamente despertou o interesse dos dirigentes do Esporte Clube Bahia.

Hércules, em grande tarde (ao centro), recebe o reconhecimento de Moraes, Milani e Pedro Amorim (direita). Crédito: revista Esporte Ilustrado número 84 – 16 de novembro de 1939.

Hércules, em grande tarde (ao centro), recebe o reconhecimento de Moraes, Milani e Pedro Amorim (direita). Crédito: revista Esporte Ilustrado número 84 – 16 de novembro de 1939.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 105 – 11 de abril de 1940.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 105 – 11 de abril de 1940.

Nos treinos, seus dribles desmoralizantes no zagueiro Gaia, foram retribuídos com um desleal pontapé. Pedro Amorim desmaiou e foi proibido pelo irmão Mílton de voltar ao futebol.

Mas, sua paixão pela bola foi mais forte e, um ano depois de estrear no Bahia foi emprestado ao Botafogo de Salvador, onde acabou deslocado para atuar na ponta direita.

Na época, os clubes cariocas costumavam realizar alguns amistosos de preparação pelo norte e pelo nordeste antes do início de cada temporada.

Foi dessa forma que Pedro Amorim foi descoberto pelo Fluminense Football Club, que prontamente fez um convite para contar com seu futebol.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 233 – 24 de setembro de 1942.

Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 233 – 24 de setembro de 1942.

A rigor, o convite do clube das Laranjeiras ajustou-se perfeitamente aos planos previamente traçados para estudar medicina no Rio de Janeiro.

O Fluminense daqueles tempos era uma verdadeira máquina de jogar futebol, contando com jogadores experientes como Batatais, Romeu, Russo, Brant, Tim e Hércules, alguns até com passagens pela Seleção Brasileira.

Acanhado e com dificuldades de entrosamento, Amorim não conseguia se soltar.

Fazia bons treinos e no jogo fracassava. Até que um dia, estava triste enquanto fumava um cigarro na barca de Niterói.

Pedro Amorim e Spínelli. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 324 - 22 de junho de 1944.

Pedro Amorim e Spínelli. Crédito: reprodução revista Esporte Ilustrado número 324 – 22 de junho de 1944.

Então, subitamente, um ancião se aproximou e disse que o conhecia desde os tempos em que jogava em Salvador:

– Meu filho, se solte, esqueça os grandes craques do Fluminense… Esqueça esse negócio de torcida… Jogue sua bola!

Seu primeiro grande momento aconteceu em um confronto contra o Canto do Rio, quando definitivamente encontrou seu lugar no time que conquistou o estadual de 1940.

Todavia, uma grave contusão em uma partida contra o Madureira o afastou dos gramados por um período considerável.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 344 – 9 de novembro de 1944.

Crédito: revista Esporte Ilustrado número 344 – 9 de novembro de 1944.

Seleção Carioca de 1944. Em pé: Biguá, Domingos da Guia, Batatais, Norival, Rui, Flávio Costa e Afonsinho. Agachados: Pedro Amorim, Lelé, João Pinto, Tim e Vevé. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Seleção Carioca de 1944. Em pé: Biguá, Domingos da Guia, Batatais, Norival, Rui, Flávio Costa e Afonsinho. Agachados: Pedro Amorim, Lelé, João Pinto, Tim e Vevé. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

No final de 1941, Pedro Amorim retornou ao time titular e fez um dos gols do famoso empate por 2×2 no “Fla x Flu da Lagoa”, na conquista do bicampeonato, em 1941.

Em 1940 recebeu sua primeira convocação para defender o escrete nacional. Ao todo, foram 4 partidas disputadas com 2 gols marcados. Os dados fazem parte do Livro “Seleção Brasileira – 90 Anos”, dos autores: Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Além das participações na Seleção Brasileira, Pedro Amorim também fez sucesso defendendo o selecionado carioca formando uma grande linha ofensiva ao lado de Zizinho, Heleno de Freitas, Ademir Menezes e Vevé.

Depois do tricampeonato do Flamengo (1942, 1943 e 1944) e do título do Vasco em 1945, o Fluminense levantou o caneco na temporada de 1946.

Crédito: revista Placar – As maiores torcidas do Brasil.

Crédito: revista Placar – As maiores torcidas do Brasil.

O Fluminense Super Campeão Carioca de 1946 depois de disputar um quadrangular com Botafogo, Flamengo e América. Na partida final do quadrangular, os tricolores venceram o Botafogo por 1x0, gol de Ademir. Em pé: Pascoal, Pé de Valsa, Gualter, Robertinho, Haroldo e Bigode. Agachados: Pedro Amorim, Ademir, Rubinho, Orlando e Rodrigues Tatu.

O Fluminense Super Campeão Carioca de 1946 depois de disputar um quadrangular com Botafogo, Flamengo e América. Na partida final do quadrangular, os tricolores venceram o Botafogo por 1×0, gol de Ademir. Em pé: Pascoal, Pé de Valsa, Gualter, Robertinho, Haroldo e Bigode. Agachados: Pedro Amorim, Ademir, Rubinho, Orlando e Rodrigues Tatu.

Mais experiente e próximo de concluir o curso de medicina, Pedro Amorim disputou sua melhor temporada no futebol carioca, quando faturou o campeonato brasileiro de seleções estaduais.

Pedro Amorim permaneceu jogando até o ano de 1948, quando decidiu cumprir o que prometeu ao pai. Abandonou o futebol e deixou o Rio de Janeiro para dedicar-se ao exercício da medicina social na Bahia.

Jogando pelo time das Laranjeiras o ponteiro direito anotou um total de 188 gols em 310 compromissos disputados. *Algumas fontes registram 210 partidas disputadas e 77 gols entre os anos de 1939 e 1947, estabelecendo assim uma diferença considerável!

Pedro Amorim faleceu no dia 25 de setembro de 1989 e foi homenageado com o nome do estádio da cidade de Senhor do Bonfim.

Crédito: revista Placar - 26 de dezembro de 1975.

Crédito: revista Placar – 26 de dezembro de 1975.

Crédito: revista Placar - 26 de dezembro de 1975.

Crédito: revista Placar – 26 de dezembro de 1975.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hideki Takizawa, Fernando Escariz e Fausto Neto), revista Esporte Ilustrado, revista O Globo Sportivo, revista do Fluminense, campeoesdofutebol.com.br, memoriafutebol.com.br, soumaisflu.com.br, fluminense.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antonio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

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