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Craques do empolgante cenário do futebol carioca na década de 1950, Maneca e Maneco tem muito mais em comum do que apenas uma curiosa semelhança em seus apelidos.

Começamos por Manoel Marinho Alves – o famoso Maneca – grande destaque do Bahia, Bangu, Vasco da Gama e Seleção Brasileira.

Longe da bola, o prestígio e o gosto pela vida desapareceram por completo. Assim, o espírito de Maneca foi se apagando, primeiro que seu próprio corpo!

Em dia de absoluto e profundo desespero, Maneca se trancou em casa e tomou uma dose violenta de veneno. Agonizou durante dias no hospital e faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 28 de junho de 1961.

Já o baixinho e talentoso Maneco resolveu dar um fim na própria vida em razão de uma ordem de despejo, uma ação ocasionada pela falta de pagamento nas prestações de um imóvel que comprou de presente para os pais.

Craques do futebol carioca, os caminhos de Maneca e Maneco cruzaram pela mesma linha que terminou em tragédia! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 669 – 1 de fevereiro de 1951.

Mais conhecido no mundo da bola como “Maneco”, Manuel Anselmo Domingues da Silva nasceu no município de Cachoeiras de Macacu (RJ), em 20 de agosto de 1922.

O pai de Maneco – o neto de escravos Etelvino Anselmo – durante muitos anos trabalhou na propriedade da tradicional família Guinle.

Na infância, o pequeno Maneco foi morar na cidade do Rio de Janeiro, no bairro do Catete. Mais tarde mudou para Irajá, enquanto o pai continuou trabalhando no imponente palacete da família Guinle, no bairro das Laranjeiras.

Além dos estudos no Externato São José, Maneco ajudava o pai na entrega de jornais. Nas horas vagas, o rapazola costumava jogar “peladas” na Rua Gago Coutinho.

Admirador do lendário Leônidas da Silva, Maneco sempre acompanhou o pai nas praças esportivas do futebol carioca. Sonhava em ser uma grande craque, como aqueles que tanto o encantavam nos populares álbuns de figurinhas.

Linha de ataque do América em 1946. Em pé: Wilton e Jorginho. Agachados: Maneco, Maxwell e Lima. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 416 – 28 de março de 1946.

Partindo da esquerda; Maneco, César e Lima. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 504.

Maneco debutou no futebol defendendo o Futurista Futebol Clube. Mais tarde passou pelo Rio D’ouro e finalmente pelo Irajá Atlético Clube, times populares do subúrbio carioca.

Observado atentamente por olheiros do América, Maneco foi encaminhado para treinar nas equipes amadoras do clube.

Sua primeira participação no quadro de Aspirantes aconteceu na temporada de 1942, em uma preliminar realizada no Estádio de General Severiano.

Apelidado pelos torcedores como “Saci de Irajá”, Maneco logo fez suas primeiras participações no elenco principal do América.

Dono de rara habilidade, Maneco costumava aplicar dribles desmoralizantes em seus marcadores; especialmente contra os defensores do Vasco da Gama, o time mais badalado da época!

Conhecido como “Saci de Irajá”, Maneco era dono de uma habilidade única. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 536 – 15 de julho de 1948.

Linha de ataque do América em 1951. Partindo da esquerda em pé: Maneco, Dimas e Ranulfo. Agachados na mesma ordem: Walter e Natalino. Crédito: revista O Globo Sportivo número 652 – 2 de agosto de 1951.

Famosa pelos passes de primeira, em 1946 a linha ofensiva do América ficou conhecida como “Tico-Tico no Fubá” e contava com jogadores de grande qualidade; como China, Maneco, César, Lima e Jorginho.

Com o passe bastante valorizado, Maneco nunca manifestou interesse em deixar o América, apesar de boas ofertas dos grandes clubes do eixo Rio-São Paulo.

Sua melhor temporada aconteceu em 1947, quando seu nome foi lembrado no selecionado carioca e na Seleção Brasileira para os compromissos da Copa Rio Branco.

Vice-campeão carioca nas edições de 1950, 1954 e 1955, Maneco foi o terceiro maior goleador do América em todos os tempos, com 187 gols marcados entre os anos de 1942 e 1956.

Com o peso da idade, Maneco já não era mais o desconcertante “Saci de Irajá”. Os contratos foram aos poucos depreciando e sua caminhada como jogador profissional foi encerrada em abril de 1956.

Linha ofensiva do América no gramado do Maracanã em 1951. Partindo da esquerda; Walter, Maneco, Dimas, Ranulfo e Jorginho. Crédito: revista O Globo Sportivo número 667.

Em duelo contra o Flamengo, Maneco (em destaque) sobe para afastar o perigo da área americana. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 895 – 2 de junho de 1955.

Dessa forma, Maneco assumiu como treinador do juvenil do América. Sem o alto salário e sem premiações, sua vida financeira entrou em franco declínio!

Então, Maneco procurou os dirigentes do América, que na ocasião prometeram estudar o caso com o devido cuidado.

A maior dor de cabeça era um imóvel financiado em Irajá, que comprou quando ainda estava em atividade para oferecer de presente aos pais.

Mas o dinheiro foi acabando e o enorme carnê das prestações ficou de lado. Com o passar do tempo, o débito foi transformado em uma ordem de despejo.

Desesperado, o ex-jogador do América misturou veneno com cachaça e cometeu suicídio. Quando foi encontrado trancado no banheiro, Maneco já estava morto! Assim, a angústia e a vergonha da dívida de 40 Contos finalmente terminou!

No América ou no selecionado carioca, Maneco sempre foi garantia de um bom espetáculo! Crédito: revista O Globo Sportivo.

A notícia da morte de Maneco chocou o meio esportivo! Crédito: revista Esporte Ilustrado número 947 – 31 de maio de 1956.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Aristélio Andrade e José Maria de Aquino), revista Esporte Ilustrado (por Gagliano Neto), revista O Globo Sportivo, revista O Cruzeiro, Jornal dos Sports, Jornal O Globo, acervo.oglobo.globo.com, campeoesdofutebol.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Maurício Sabará), albumefigurinhas.no.comunidades.net.