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O técnico Jorge Vieira e o presidente do Botafogo Futebol Clube de Ribeirão Preto, Atílio Benedini Neto, estavam mais do que felizes enquanto o garoto Zé Mário arrumava suas malas para se apresentar na Seleção Brasileira do técnico Cláudio Coutinho, em 8 de junho.

Assim, naquele início do mês de junho de 1977, o tímido ponteiro direito do Botafogo desembarcou, ao lado de craques já consagrados, no Hotel das Paineiras no Rio de Janeiro, cercados pela vegetação da floresta da Tijuca.

Orgulho de toda uma cidade, o ponteiro direito Zé Mario foi um dos primeiros na fila do tradicional exame médico.

Afinal, mal tinha conseguido pegar no sono de tanta ansiedade.

Apresentação da Seleção Brasileira. Partindo da esquerda: Oscar, Zé Mário, Reinaldo e Orlando. Crédito: revista Placar - 10 de junho de 1977.

Apresentação da Seleção Brasileira. Partindo da esquerda: Oscar, Zé Mário, Reinaldo e Orlando. Crédito: revista Placar – 10 de junho de 1977.

Crédito: revista Placar - 10 de junho de 1977.

Crédito: revista Placar – 10 de junho de 1977.

José Mário Donizetti Baroni nasceu na cidade de Ribeirão Preto, em primeiro de maio de 1957. Iniciou sua vida no futebol nos primeiros anos da década de setenta no próprio Botafogo, atuando como meia direita.

Dono de um futebol rápido e dribles desconcertantes, foi aproveitado no elenco de profissionais como ponteiro direito em fevereiro de 1976.

Em março de 1977, Zé Mário já era uma das atrações da boa equipe, sensação do campeonato paulista, que contava com jogadores como o doutor Sócrates e os experientes Lorico, o goleiro Aguillera, Wilson Campos e o barbudo Manuel.

Vale registrar que Zé Mário não atuou com o centroavante Geraldão no Botafogo, conforme publicado em alguns sites. Bem antes, em 11 de junho de 1975, Geraldão foi apresentado no Corinthians pelo diretor de futebol Orlando Monteiro Alves.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Reajustado em seus vencimentos, de 5 para 12 mil cruzeiros mensais, Zé Mário vivia um grande momento.

Até que começou a se queixar de dores estranhas pelo corpo e por isso evitava treinar. Então, surgiu sua fama de “indisciplinado” e coisa e tal…

Diziam que ele estava “mascarado”, andando com más companhias e que por certo estava viciado em noitadas, drogas ou qualquer outro tipo de malefício.

Mas naquele mês de maio de 1977, o clima na cidade era de muita festa depois do ótimo resultado contra o Guarani na tarde do dia 14, no estádio do Pacaembu.

Zé Mario, Sócrates e Paulão. Crédito: site do Milton Neves.

Zé Mario, Sócrates e Paulão. Crédito: site do Milton Neves.

O jogo terminou empatado em 0x0 no tempo normal e nos 30 minutos da prorrogação, resultado este que credenciou o Tricolor de Ribeirão Preto para enfrentar o São Paulo na final.

O dia 18 de maio ficou marcado na história do clube.

Naquela noite fria, no estádio do Morumbi, o Botafogo empatou com o São Paulo em 0x0 e garantiu o título inédito da Taça Cidade de São Paulo, equivalente ao primeiro turno do campeonato paulista.

Durante dias, os festejos na cidade pareciam não ter fim. Enquanto isso, Zé Mario sentia incômodos físicos, nada que o impedisse de jogar, apesar da evidente queda de rendimento dentro dos gramados.

Festa em Ribeirão. Crédito: revista Placar - 27 de maio de 1977.

Festa em Ribeirão. Crédito: revista Placar – 27 de maio de 1977.

O forte quadro Botafogo de Ribeirão Preto em 1977. Em pé: Wilson Campos, Nei, Manoel, Aguilera, Mineiro e Mário. Agachados: Zé Mário, Sócrates, Arlindo, Lorico e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

O forte quadro Botafogo de Ribeirão Preto em 1977. Em pé: Wilson Campos, Nei, Manoel, Aguilera, Mineiro e Mário. Agachados: Zé Mário, Sócrates, Arlindo, Lorico e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

Abaixo, os dados do épico confronto entre “tricolores” pela Taça Cidade de São Paulo de 1977:

18 de maio de 1977 – Campeonato Paulista – Partida final da Taça Cidade de São Paulo – São Paulo 0x0 Botafogo – Estádio do Morumbi – Árbitro: Oscar Scolfaro.

São Paulo: Waldir Perez, Antenor, Jaime, Arlindo e Gilberto; Tecão, Teodoro (Muricy) e Pedro Rocha (Frazão); Terto, Serginho e Zé Sérgio. Técnico: Rubens Minelli. Botafogo: Aguillera (Leonetti), Wilson Campos, Miro, Manoel e Mineiro; Mário e Lorico; Zé Mário, Sócrates, Osmarzinho (João Carlos Traina) e João Carlos Motoca. Técnico: Jorge Vieira.

Crédito: revista Placar - 4 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1977.

Depois do término do campeonato paulista, Zé Mário foi pretendido pelo Palmeiras e pelo Cruzeiro. Será que isso aconteceu mesmo depois do seu afastamento, por problemas de saúde, divulgados em outubro de 1977?

Antes da partida de estréia do campeonato brasileiro contra o Remo, Zé Mario alegou falta de condições para jogar. Se sentia cansado e tinha tonturas.

Obrigado, sentou no banco de reservas e assinou os registros da súmula, detalhe este que o impedia de ser negociado com outro clube. Dores pelo corpo e ausência nos treinamentos. Noitadas, estrelismo, indisciplina, indisposição? Como veremos, não era nada disso….

Mas algo continuava mal explicado nessa história.

Clássico "Come-Fogo". Crédito: revista Placar - 21 de outubro de 1977.

Clássico “Come-Fogo”. Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

O "Tabelão" da revista Placar confirma que Zé Mário atuou em agosto e setembro de 1977, inclusive anotando um dos gols na vitória sobre o Santos em setembro.

O “Tabelão” da revista Placar confirma que Zé Mário atuou em agosto e setembro de 1977, inclusive anotando um dos gols na vitória sobre o Santos em setembro.

Algumas fontes divulgam que essa doença foi descoberta muito antes, nos exames de rotina da Seleção Brasileira, realizados em junho de 1977.

Entretanto, conforme matérias publicadas com súmulas da época e no famoso “Tabelão”, coluna habitualmente publicada pela revista Placar, Zé Mário continuou escalado em compromissos do Botafogo pelo campeonato paulista nos meses seguintes.

Além disso, a revista Placar em sua edição de 4 de novembro de 1977, publicou uma matéria especial com depoimentos do técnico Rubens Minelli sobre o momento ruim do jogador no Botafogo.

Alguns meses depois, com o diagnóstico confirmado de leucemia, Zé Mário foi internado no dia 22 de maio de 1978. Afinal, quando esse diagnóstico de leucemia foi descoberto ou mesmo confirmado?

Crédito: revista Placar - 4 de novembro de 1977.

Crédito: revista Placar – 4 de novembro de 1977.

No dia 7 de junho, mesmo dia do dramático empate da Seleção Brasileira contra os espanhóis em 0x0, pela Copa do Mundo da Argentina, Zé Mario faleceu.

Ele estava sendo acompanhado no leito de internação do hospital da Beneficência Portuguesa de Ribeirão Preto.

Por volta das 22h30 seu falecimento foi anunciado e estremeceu os habitantes de Ribeirão Preto. Muitos ainda mantinham esperanças em sua recuperação. Apesar da forte chuva, cerca de 10 mil pessoas compareceram ao sepultamento do jogador.

Nota: Em áudio divulgado pelos arquivos da jovempan.uol.com.br (por Flávio Prado), apontam o seu falecimento no dia 11 de fevereiro de 1978, o que também não justifica, ou mesmo explica, sua presença em jogos do Botafogo nos meses de agosto, setembro e outubro de 1977.

Crédito: site do Milton Neves.

Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por José Maria de Aquino, Carlos Maranhão e Maurício Azêdo), Jornal A Gazeta Esportiva, wanderleynogueira.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net, botafogosp.blogspot.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), campeoesdofutebol.com.br, jovempan.uol.com.br (por Flávio Prado), jogosdaselecaobrasileira.wordpress.com.

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