Tags

, , ,

Não se sabe ao certo como o apelido “Biscoito” apareceu na vida de Aymoré Moreira, se foi em Miracema ou no tempo em que debutou pelo América.

O certo, é que os produtos da marca de massas “Aymoré” já faziam grande sucesso junto ao público.

E Aymoré Moreira foi um desses “magos” lendários, que elevou o prestígio da nossa jaqueta canarinho e alegrou nossas praças esportivas com seu trabalho sério e sempre dedicado.

Em entrevista para o repórter Washington de Souza Filho da revista Placar, Aymoré Moreira, também chamado pelos amigos de “Biscoito”, revelou alguns segredos de sua contagiante vitalidade.

– Nunca fumei, não bebo e estou sempre me movimentando. Uma das coisas que sempre faço para manter a forma é subir a pé os sete andares até o meu apartamento.

Crédito: revista O Globo Sportivo.

Aymoré, ainda em atividade como treinador do Galícia da Bahia, afirmou que não esperava mais nada da bola, nem mesmo uma suposta e dispensável “imortalidade”, principalmente em razão da conquista do mundial do Chile em 1962.

Estava contente por ter semeado e colhido bons frutos, por ter feito amigos e principalmente por ter feito o que mais gostava.

Como último desejo aos filhos, esperava ser cremado e que suas cinzas fossem espalhadas em um campo de futebol.

Aymoré Moreira nasceu em 24 de abril de 1912 em Miracema no Rio de Janeiro. Família numerosa, além das quatro irmãs, Aymoré cresceu ao lado dos três irmãos, dois deles, Ayrton e Zezé Moreira, que também trilharam com sucesso no mundo da bola.

Aymoré em seus tempos de goleiro. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 96 – 8 de fevereiro de 1940.

A primeira passagem pela Seleção Brasileira em 1953. Crédito: revista Placar – Janeiro de 2008.

E por falar nos irmãos da família Moreira, os três conseguiram algo incomum: Ganharam destaque em uma mesma época desempenhando o mesmo ofício como técnico de futebol.

A carreira como jogador começou oficialmente como ponteiro direito do América do Rio de Janeiro, no início da década de trinta.

Pouco depois, em 1932, apesar de contar com pouco mais de 1;70 de altura, foi parar debaixo dos “três paus”, posição que já o encantava desde os tempos de menino em Miracema e de suas andanças pelo Sport Club Brasil.

Assim como o irmão Zezé Moreira, Aymoré jogou pela Seleção Brasileira e pelo Palestra Itália, hoje Sociedade Esportiva Palmeiras, participando da conquista do título paulista de 1934.

Zezé Moreira e Aymoré Moreira. Crédito: revista O Globo Sportivo.

Deixou o Palestra no Itália no findar de 1935 e voltou ao Rio de Janeiro para defender o Botafogo de Futebol e Regatas até 1946, quando decidiu encerrar a carreira como jogador. *Algumas fontes registram um breve passagem jogando também pelo Fluminense.

Formado em Educação Física, sua caminhada como treinador começou em 1947 no Rio de Janeiro, pelo Olaria Atlético Clube.

Depois, passou bem pelo Bangu e conquistou o Torneio Início do campeonato carioca de 1950. Foi o primeiro treinador que conquistou um título no Estádio do Maracanã.

Depois do Bangu, Aymoré passou rapidamente pelo São Cristóvão antes de chegar ao Santos em 1952. No ano seguinte firmou compromisso na Portuguesa de Desportos, onde conquistou a segunda “Fita Azul” do clube.

Aymoré Moreira e Sylvio Pirillo. Crédito: revista Manchete Esportiva número 66 – Fevereiro de 1957.

Sua primeira experiência como técnico da Seleção Brasileira aconteceu em 1953, em substituição ao irmão Zezé Moreira, que pouco depois reassumiu o cargo e comandou o escrete no mundial de 1954.

Em 1954 assinou como o Palmeiras. Realizou um bom trabalho e foi vice campeão paulista do “Quarto Centenário”. Na temporada seguinte comandou o Esporte Clube Taubaté e quase tirou o título do Santos dentro da Vila Belmiro.

Pelo São Paulo, apesar do grande prestígio, Aymoré viveu uma relação marcada por ressentimentos. Tudo começou depois de receber um convite para dirigir o Brasil na Copa do Mundo do Chile em 1962.

Vicente Feola passava por um sério problema de saúde e dessa forma Aymoré foi o nome escolhido para assumir o escrete.

Crédito: br.financas.yahoo.com.

Já na seleção, poucos meses antes do mundial, o meio campista Benê foi reprovado no exame médico com um surpreendente diagnóstico de sopro no coração.

Logo Benê, que esbanjava saúde com uma vitalidade acima da média.

O resultado final do exame foi comunicado ao técnico Aymoré Moreira, que precisou convocar Mengálvio, jogador do Santos, para integrar o grupo enquanto o corte de Benê era anunciado.

Os médicos do São Paulo repetiram o exame em Benê em pelo menos duas oportunidades e nada encontraram. Porém, o estrago já estava feito!

Quando Aymoré Moreira voltou do Chile seu nome já estava marcado negativamente dentro do São Paulo. Nem mesmo o grande triunfo na Copa de 1962 poupou o treinador de uma demissão manchada por um tremendo mal estar.

Crédito: revista Manchete.

Aymoré Moreira e Bellini no Estádio do Morumbi. Crédito: revista Manchete Esportiva número 683.

Depois de comandar o selecionado paulista e a Portuguesa de Desportos, clube onde trabalhou em várias oportunidades, Aymoré Moreira ainda voltou ao São Paulo em 1966, sem no entanto conseguir resultados expressivos.

Deixou o Morumbi para ser campeão pelo Palmeiras no Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o “Robertão” de 1967. Em seguida partiu para o Rio de janeiro para dirigir o “Rubro-Negro” da Gávea.

Então, o presidente do Corinthians Wadih Helu tentou resolver o vácuo provocado pelo longo jejum de títulos paulistas.

Antes de assinar com o Corinthians, Aymoré Moreira comandou o escrete na Copa Rio Branco e depois encerrou o contrato com o Flamengo em março de 1968.

Aymoré Moreira, Edílson e Ditão, em treino da Portuguesa de Desportos. Crédito: revista do Esporte número 278 – 1964.

Olheiro de Zagallo e coluna semanal para a revista Placar. Crédito: revista Placar – 29 de maio de 1970.

Essa primeira empreitada no Corinthians, Aymoré Moreira não apresentou os resultados esperados. Assim, o treinador foi para mais uma, de suas quase incontáveis passagens pela Portuguesa de Desportos.

Mas Aymoré retornou ao Corinthians em 1970 e finalmente em 1971 conquistou um título, que não foi o tão esperado campeonato paulista e sim o popular e relativamente satisfatório Torneio do Povo.

Ao todo, Aymoré dirigiu o alvinegro em 55 compromissos nas duas oportunidades em que esteve no Parque São Jorge, deixando seu lugar para o colega Francisco Sarno.

Pela Seleção Brasileira, além da Copa do Mundo de 1962, o treinador conquistou duas Taças Oswaldo Cruz (1961 e 1962), duas Taças Bernardo O’Higgins (1961 e 1966), uma Copa Roca (1963) e Copa Rio Branco (1967).

Crédito: revista Placar – 1 de abril de 1977.

Foto de Carlos Catela. Crédito: revista Placar – 9 de setembro de 1983.

Na Copa do Mundo de 1970, no México, além de escrever uma coluna semanal para a revista Placar, Aymoré trabalhou como olheiro do técnico Mário Jorge Lobo Zagallo.

No exterior, entre 1971 e 1977, também fez sucesso dirigindo equipes de Portugal (Boavista e Porto) e da Grécia (Panathinaikos).

No retorno ao Brasil, mais maleável e tolerante, Aymoré desenvolveu seu trabalho na Ferroviária de Araraquara (SP), Galícia (BA), Bahia (BA), Vitória (BA), Botafogo (RJ) e outros tantos clubes até precisar ser afastado do futebol.

Em 1986, após uma cirurgia para implantação de quatro pontes de safena e duas mamárias, Aymoré precisou parar. Então, ocupou seu tempo escrevendo artigos para jornais de Salvador e também como comentarista esportivo de rádio.

Muito querido pelo povo da Bahia, Aymoré Moreira faleceu em Salvador (BA) no dia 26 de julho de 1998.

Em foto de Cláudio Edinger, Aymoré Moreira em uma de suas últimas aparições. Crédito: revista Placar – Novembro de 1997.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Carlos Catela, Cláudio Edinger, Dagomir Marquezi, Lemyr Martins, Sérgio A. Carvalho e Washington de Souza Filho), revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, revista Manchete, revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, revista A Gazeta Esportiva Ilustrada, Jornal Mundo Esportivo, Jornal do Brasil, campeoesdofutebol.com.br, ferroviariasa.com.br, palmeiras.com.br, bangu.net, br.financas.yahoo.com, site do Milton Neves (por Gustavo Grohmann).