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A revista Placar de 7 de maio de 1971 revelou aos leitores um técnico magoado e sem prestígio dentro do Corinthians.

Magro, postura curvada e cabelos em topete proeminente, o falador Sarno era um admirador dos métodos aplicados por Aymoré Moreira, o colega que ele mesmo substituiu no Corinthians.

Sarno chegou ao Corinthians na época do “Esquema 71”, um plano de trabalho que foi montado pelos dirigentes do alvinegro para buscar o título do paulistão de 1971.

Yustrich e Saldanha eram os nomes preferidos dentro do clube e na impossibilidade de trazer um dos dois, o nome de Sarno ganhou força.

Crédito: revista Placar – 7 de maio de 1971.

Crédito: revista Placar – 4 de junho de 1971.

Independente do apoio demonstrado pelo jogadores ao seu trabalho, Francisco Sarno se sentia acuado e sem respaldo. Sabia que seu nome não era uma unanimidade dentro do Parque São Jorge.

Foram duas passagens como treinador do Corinthians. A primeira em 1971, quando foi substituído por Baltazar, o “Cabecinha de Ouro”. A segunda na temporada de 1972, ao substituir o mesmo Baltazar.

Francisco José Sarno Matarazzo nasceu no dia 5 de novembro de 1924, em Niterói (RJ). Iniciou sua carreira no Botafogo de Futebol de Regatas no início dos anos quarenta, recebendo suas primeiras oportunidades no elenco principal em 1945.

Zagueiro de origem, Sarno era dono de um futebol técnico, sendo eventualmente aproveitado também na lateral esquerda.

Avesso aos treinamentos e ao regime de concentrações, sua definitiva efetivação como titular foi um tanto prejudicada enquanto jogou pelo time da “Estrela Solitária”.

Formação do Botafogo em 1947: Em pé: Nilton, Gerson, Ávila, Ary, Sarno e Juvenal. Agachados: Santo Cristo, Geninho, Heleno de Freitas, Octávio e Teixeirinha. Crédito: revista Placar.

Sarno, quase deitado, na goleada de 6×2 que o Botafogo aplicou no Internacional. O encontro amistoso serviu para completar o pagamento do passe de Ávila. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 559 – 23 de dezembro de 1948.

Sarno, que assistiu ao surgimento do grande Nilton Santos, fez parte do elenco campeão carioca de 1948, antes de ser negociado em definitivo com a Sociedade Esportiva Palmeiras.

No alviverde, Sarno formou sistemas defensivos consistentes ao lado de companheiros como Oberdan Cattani, Fabio Crippa, Salvador, Turcão, Juvenal Amarijo, Manuelito, Dema (Ademar Lucazecchi) e Fiume.

Foram grandes momentos no time do Parque Antártica, inclusive participando do período de ouro marcado pela conquista das “Cinco Coroas”:

– 1ª Coroa: Taça Cidade de São Paulo de 1950; 2ª Coroa: Campeonato Paulista de 1950; 3ª Coroa: Torneio Rio-São Paulo de 1951; 4ª Coroa: Taça Cidade de São Paulo de 1951; 5ª Coroa: Copa Rio de 1951.

Partindo da esquerda, Rubinho, Ávila, Newton, Sarno e Juvenal. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 559 – 23 de dezembro de 1948.

Sarno, Oberdan e Fiume. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Emprestado ao Santos e depois ao Vasco da Gama, Sarno voltou ao Palmeiras onde permaneceu até o ano de 1954.

De acordo com os registros publicados pelo site palmeiras.com.br, Sarno disputou ao todo 148 partidas, com 78 vitórias, 35 empates, 35 derrotas e 4 gols marcados.

Sarno ainda retornou ao time da Vila Belmiro para fazer parte do grupo que conquistou o campeonato paulista de 1955.

Em seguida defendeu o Jabaquara Atlético Clube, onde encerrou sua carreira como jogador profissional em 1959, mesmo ano que iniciou sua trajetória como treinador.

Por um breve período na década de sessenta, Sarno trabalhou como comentarista esportivo na Radio Tupi de São Paulo, função que também ocupou nos anos setenta, quando estava sem contrato como treinador.

Sarno, de roupão, abraça Liminha depois do empate em 0x0 com o Vasco, partida que deu a classificação ao Palmeiras para o encontro final da primeira Copa Rio em 1951. Crédito: revista Esporte Ilustrado número 693 – 19 de julho de 1951.

Como treinador, Francisco Sarno foi um técnico exigente e também muito discutido, principalmente depois da publicação do polêmico livro de sua autoria “Futebol, a Dança do Diabo” (1965).

Nas páginas do referido livro, entre tantos assuntos, Sarno escreveu que o cargo de treinador era um perfeito “Rabo de Foguete”, bem diferente do comodismo da função de Supervisor de Futebol.

Ainda em sua faceta literária, Sarno escreveu “Coquetel de Verdades”, obra lançada em 1971, sem o mesmo sucesso do anterior.

No interior paulista, Sarno fez sucesso no comando do Noroeste, Ponte Preta, XV de Piracicaba, Guarani e Ferroviária de Araraquara em 1962 e 1963.

Um de seus grandes momentos treinando o Corinthians aconteceu na histórica virada por 4×3 sobre o Palmeiras, em clássico válido pelo campeonato paulista.

Crédito: revista Placar – 2 de julho de 1971.

Abaixo, os dados do histórico “Derby”:

25 de abril de 1971 – Campeonato paulista – Corinthians 4×3 Palmeiras – Estádio do Morumbi – Árbitro: Armando Marques – Gols: César aos vinte e sete segundos e novamente César aos 8’ do primeiro tempo; Mirandinha aos 4’, Adãozinho aos 24’, Leivinha aos 25’, Tião aos 26’ e Mirandinha aos 42’ do segundo tempo.

Corinthians: Ado; Zé Maria, Sadi, Luis Carlos e Pedrinho; Tião e Rivellino; Lindóia (Natal), Samarone (Adãozinho), Mirandinha e Peri. Técnico: Francisco Sarno. Palmeiras: Leão; Eurico, Baldochi, Luis Pereira e ; Dudu e Ademir da Guia; Fedato, Héctor Silva (Leivinha), César e Pio. Técnico: Rubens Minelli.

Ao todo, em suas duas passagens, Sarno comandou o Corinthians em 28 jogos com 10 vitórias, 10 empates e 8 derrotas. Os números foram publicados pelo Almanaque do Corinthians, de autoria de Celso Dario Unzelte.

Crédito: revista Placar – 6 de julho de 1973.

Crédito: revista Placar – 5 de outubro de 1973.

Francisco Sarno também trabalhou no futebol paranaense comandando o Coritiba e o Atlético Paranaense, clube em que também exerceu funções como supervisor de futebol até outubro de 1973.

Conforme registros do site coritiba.com.br, Sarno comandou o “Coxa” em 61 compromissos oficiais com 31 vitórias, 19 empates e apenas 11 derrotas.

Foi bicampeão paranaense em 1968 e 1969 e campeão do Torneio Internacional de Verão de 1968, além de comandar o time na excursão internacional de 1969.

Sarno, que aprendeu a conviver com o fantasma do desemprego no futebol, costumeiramente aparecia em artigos da revista Placar, além do reconhecido trabalho como comentarista de rádio.

O ex-treinador faleceu no dia 17 de janeiro de 2010, na capital paulista, em decorrência do Mal de Alzheimer.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Hélio Teixeira e Narciso James), revista Manchete Esportiva, revista O Globo Sportivo, revista Esporte Ilustrado (por Charles Guimarães), revista do Esporte, Jornal Mundo Esportivo, gazetadopovo.com.br, palmeiras.com.br, coritiba.com.br, site do Milton Neves (por Rogério Micheletti), museudosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, Almanaque do Corinthians – Celso Dario Unzelte.

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