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Sempre a mesma cantilena. Quando as pilhas de louça chegavam ao teto e a fila do caixa estava quase saindo da padaria, o velho Albella, desesperadamente, procurava pelo filho.

Era nos fundos do estabelecimento que o avental do garoto repousava apoiado em uma cadeira. Mais uma vez, o danado do jogo de bola tinha levado o Gustavinho para longe de suas obrigações.

Mas, diferente do que o leitor possa imaginar, esse jogo de bola não era realizado nos gramados. Gustavinho e seus amiguinhos gostavam de jogar basquetebol, ainda que o menino fosse baixinho.

Gustavo Albella nasceu na localidade de Alta Gracia, província de Córdoba, Argentina, no dia 22 de agosto de1925.

Albella, em destaque, na formação do Banfield que ficou conhecida como “Campeão Moral de 1951". O título ficou com o Racing.

Albella, em destaque, na formação do Banfield que ficou conhecida como “Campeão Moral de 1951″. O título ficou com o Racing.

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Depois dos primeiros desencantos com o esporte da “cestinha”, Albella Iniciou sua trajetória no futebol nos primeiros anos da década de quarenta, atuando como centro-médio do Sportivo Alta Gracia.

E naquela faixa do gramado, Albella era criticado por prender a bola em demasia, além dos enormes buracos causados pelas falhas de cobertura e marcação.

Convencido de que jogava no lugar errado, Albella foi aproveitado pela meia direita e se deu muito bem. Em seguida, defendeu o 25 de Mayo e o Colón por um curto período.

Em 1944 chegou ao Club Atlético Talleres. Contrato pequeno e soldo diminuto, Albella encontrou sua verdadeira posição atuando como comandante de ataque.

Crédito: museobanfield.com.

Crédito: museobanfield.com.

Crédito: saopaulofc.net.

Crédito: saopaulofc.net.

Em pouco tempo, sua fama de goleador despertou o interesse do Boca Juniors. Jogou inicialmente pelo quadro de Aspirantes, realizando suas primeiras partidas no elenco principal em razão da contusão de Jaime Sarlanga.

A padaria foi vendida e a família mudou para Buenos Aires. Mas, o serviço militar prejudicou demais sua efetivação no time da “Bombonera”.

Negociado em agosto de 1945 com o Club Atlético Banfield, Albella disputou o campeonato da segunda divisão em 1946, quando marcou incríveis 35 gols em 28 partidas disputadas.

E foi jogando pelo Banfield que Albella se transformou em um grande goleador na linha de ataque que encantou os torcedores: Converti, Sanchez, Albella, Moreno e Huarte.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 411 – Sexta Feira, 26 de dezembro de 1952.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 411 – Sexta Feira, 26 de dezembro de 1952.

Seu melhor momento aconteceu na temporada de 1951, quando o Banfield chegou ao vice-campeonato nacional.

Durante uma excursão do Banfield aos gramados da América Central, Albella recebeu um telefonema internacional que o deixou assustado. Seria alguma notícia funesta ?

Era o presidente do clube perguntando se Albella aceitaria jogar no futebol brasileiro, já que o companheiro Moreno também fazia parte dos planos do São Paulo Futebol Clube.

Conforme matéria assinada pelo jornalista Solange Bibas, publicada pelo Jornal Mundo Esportivo em 15 de agosto de 1952, existiam ainda outros clubes interessados nos gols de Albella.

Nena na marcação de Albella em clássico entre Portuguesa e São Paulo no estádio do Pacaembu. Crédito: revista Tricolor número 26 – Novembro de 1952.

Nena na marcação de Albella em clássico entre Portuguesa e São Paulo no estádio do Pacaembu. Crédito: revista Tricolor número 26 – Novembro de 1952.

Albella e Cláudio Christóvam de Pinho antes de mais um clássico no Pacaembu. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 360 – Primeiro de julho de 1952.

Albella e Cláudio Christóvam de Pinho antes de mais um clássico no Pacaembu. Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 360 – Primeiro de julho de 1952.

O Boca Juniors o queria de volta. Além disso, o Racing também entrou na parada oferecendo uma quantia muito atrativa. Mas o São Paulo trabalhou bem e superou a oferta dos times argentinos.

Assim, Albella e Moreno acabaram fechando um bom acordo financeiro com o tricolor, desembarcando na capital paulista no início do mês de março de 1952.

No futebol paulista Albella viveu bons e maus momentos. Criticado em algumas partidas, Albella sofreu muito em sua adaptação. Mesmo assim, superou o futebol do conterrâneo Moreno e encontrou seu lugar no time.

Albella ganhou o apelido de “El Atômico” e foi aproveitado pela meia direita, já que Gino Orlando vivia um grande momento.

O São Paulo no Pacaembu. Em pé: Alfredo, De Sordi, Pé de Valsa, Poy, Mauro, Bauer e o 'mordomo' Serroni. Agachados: Maurinho, Albella, Gino Orlando, Negri e Teixeirinha.

O São Paulo no Pacaembu. Em pé: Alfredo, De Sordi, Pé de Valsa, Poy, Mauro, Bauer e o ‘mordomo’ Serroni. Agachados: Maurinho, Albella, Gino Orlando, Negri e Teixeirinha.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 373 – Sexta Feira, 15 de agosto de 1952.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 373 – Sexta Feira, 15 de agosto de 1952.

Campeão paulista de 1953, o argentino Albella permaneceu no tricolor até fevereiro de 1954. Ao todo, foram 81 participações com 47 gols marcados.

Depois, retornou ao mesmo Banfield para entrar nos livros de história. É o maior artilheiro da história do clube com 136 gols.

Em 1957 acertou suas bases com o Club de Deportes Green Cross do Chile, onde voltou para o comando de ataque. Permaneceu em gramados chilenos até o ano de 1961, quando pendurou suas chuteiras.

Albella faleceu no dia 13 de junho de 2000.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 473 – Sexta Feira, 31 de julho de 1953.

Crédito: Jornal Mundo Esportivo número 473 – Sexta Feira, 31 de julho de 1953.

Albella quando passou pelo futebol do Chile.

Albella quando passou pelo futebol do Chile.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista Estádio, revista Mundo Deportivo, revista El Gráfico, revista Tricolor, Jornal Mundo Esportivo (por Solange Bibas), Jornal A Gazeta Esportiva, saopaulofc.net, museobanfield.com, campeoesdofutebol.com.br.

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