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Enquanto os torcedores renovavam esperanças na descoberta de grandes revelações, falsas promessas ou mesmo em craques consagrados, Décio Esteves permanecia intocável brilhando em seu pedestal alvirrubro.

No período compreendido entre 1950 e 1967, o Bangu Atlético Clube montou equipes de respeito em várias edições do campeonato carioca e do Torneio Rio São Paulo.

Entre as gestões de Guilherme da Silveira Filho e Euzébio Gonçalves de Andrade e Silva, o Bangu ofereceu ao futebol brasileiro uma safra de jogadores de qualidade inquestionável.

Décio Esteves da Silva nasceu em 21 de maio de 1927, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).

Crédito: revista do Esporte número 42 – 26 de dezembro de 1959.

Trabalhando como funcionário público, Décio Esteves começou no futebol defendendo os quadros amadores do Campo Grande Atlético Clube (RJ).

Sua chegada aos Aspirantes do Bangu aconteceu no início da temporada de 1950. Rapidamente, o meio campista participou de um amistoso pelo time principal em 5 de fevereiro de 1950, na vitória sobre o Flamengo por 3×1.

Campeão carioca de Aspirantes de 1950, Décio Esteves demorou para receber outras oportunidades no elenco de profissionais. Só foi aproveitado novamente pelo técnico Ondino Viera durante o Torneio Rio-São Paulo de 1951.

Depois do Torneio Rio-São Paulo, um “combinado” Bangu/São Paulo embarcou para uma excursão aos gramados da Europa. Sob o comando de Leônidas da Silva, o combinado disputou 13 jogos com 9 vitórias, 2 empates e 2 derrotas.

Crédito: revista do Esporte.

Time do Bangu que disputou o Torneio Rio São Paulo 1951 e foi vice campeão carioca. Em pé: Mendonça, Mirim, Pinguela, Luiz Borracha, Rafagnelli e Sula. Agachados: Menezes, Zizinho, Joel, Décio Esteves e Teixeirinha. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Meia atacante de grande mobilidade, Décio Esteves foi determinante na boa campanha que culminou com o vice-campeonato carioca de 1951. Abaixo, os dados do confronto decisivo contra o Fluminense:

20 de janeiro de 1952 – Partida final do campeonato carioca de 1951 – Fluminense 2×0 Bangu – Local: Estádio do Maracanã – Árbitro: Mário Vianna – Renda: Cr$ 1.333.752,70 – Gols: Telê (2) – Expulsão: Nívio.  

Fluminense: Castilho, Píndaro e Pinheiro; Vítor, Édson e Lafaiete; Lino, Didi, Telê, Orlando e Robson. Bangu: Oswaldo, Djalma e Salvador; Rui, Irani e Alaíne; Moacir Bueno, Zizinho, Joel, Décio Esteves e Nívio.

Após o vice-campeonato carioca de 1951, o desempenho do Bangu despencou. Mesmo assim, o técnico Ondino Viera se manteve no cargo até o final do campeonato carioca de 1952.

Zizinho, Décio Esteves e Nívio. Crédito: revista Esporte Ilustrado.

Linha de ataque do selecionado carioca em 1959. Partindo da esquerda; Sabará, Almir Albuquerque, Henrique, Décio Esteves e Pinga. Crédito: revista Placar – 25 de outubro de 1985.

O Bangu só voltou aos seus melhores dias quando Elba de Pádua Lima, o famoso Tim, assumiu o comando em 1953.

Com Tim no banco, o Bangu esteve perto de fazer história. O quadro de “Moça Bonita” chegou ao terceiro lugar no campeonato carioca nas edições de 1954 e 1959, mesmo ano em que Décio Esteves foi convocado para o selecionado carioca.

Mesmo sem conquistar títulos estaduais pelo Bangu, Décio Esteves participou da conquista do Torneio Início do campeonato carioca de 1955.

Paralelamente, o quadro de “Moça Bonita” também se apresentou em inúmeros torneios nacionais e internacionais, sendo o mais significativo o Torneio Internacional de Nova York, conquistado pelo clube em 1960.

Antes de firmar compromisso com o Campo Grande, Décio Esteves afirmava ser apenas um rapazinho de 34 anos. Crédito: revista do Esporte número 148 – 6 de janeiro de 1962.

Pela Seleção Brasileira, o “multifuncional” Décio Esteves realizou três partidas entre os anos de 1959 e 1960. Os dados fazem parte do Livro “Seleção Brasileira 90 Anos”, dos autores Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.

Conforme registros publicados pelo site bangu.net, Décio Esteves disputou 379 partidas pelo Bangu. Foram 199 vitórias, 85 empates, 95 derrotas e 96 gols marcados, o oitavo maior artilheiro da história do clube.

O jogador continuou no Bangu até o final da temporada de 1961, quando firmou compromisso com o Campo Grande em 1962.

Ao lado de outros veteranos como Dequinha e o goleiro Barbosa, o incansável Décio Esteves continuou apresentando a mesma disposição e realizou boas partidas.

Dequinha, Décio Esteves e Paulinho no Campo Grande. Crédito: revista do Esporte número 158 – Março de 1962.

Décio Esteves, em destaque, em partida entre Campo Grande e Fluminense no Maracanã em 1962. Crédito: blogdogersonnogueira.com.

Permaneceu no Campo Grande até 1964, quando foi transferido para o Olaria Atlético Clube. Encerrou sua carreira em 1965 para em seguida iniciar seu ciclo como treinador.

Na direção do Campo Grande, Décio Esteves conquistou o título do campeonato brasileiro da Segunda Divisão em 1982, ao dar continuidade ao trabalho de Jair Pereira durante a competição.

Décio Esteves da Silva faleceu no Rio de Janeiro (RJ), em 25 de dezembro de 2.000.

Conforme publicado no site do Milton Neves, o restaurante popular de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, recebeu seu nome em 2007, após projeto de Lei aprovado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro.

Barbosa, Décio Esteves e Dequinha. Crédito: revista do Esporte número 187 – 6 de outubro de 1962.

O time do Campo Grande no gramado do Maracanã. Em destaque, o goleiro Barbosa, Dequinha e Décio Esteves. Crédito: revista do Esporte número 202 – 19 de janeiro de 1963.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar, revista do Esporte, revista Esporte Ilustrado, Jornal Mundo Esportivo, bangu.net, cacellain.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, blogdogersonnogueira.com, site do Milton Neves, Livro: Seleção Brasileira 90 Anos – Antônio Carlos Napoleão e Roberto Assaf.