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..Minha dor é perceber que apesar de termos feito tudo o que fizemos… Ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais…

“Como nossos pais” é uma composição de 1976, escrita pelo cantor e compositor Belchior. A canção foi lançada no álbum “Alucinação” e fez muito sucesso na inesquecível interpretação da cantora Elis Regina.

E Jayme, zagueiro do Flamengo campeão carioca de 1974, não poderia imaginar que o popular refrão da música “Como nossos pais” seria tão fielmente retratado ao longo de sua trajetória profissional.

Jayme de Almeida Filho nasceu na cidade do Rio de Janeiro, em 17 de março de 1953.

Revelado nas categorias amadoras do Flamengo, Jayme era um zagueiro clássico que acompanhou o estilo de jogo do pai, que também defendeu o Flamengo nos anos 40.

Doval e Jayme em mais um disputado Fla x Flu. Crédito: revista Placar.

O pai, Jayme de Almeida, notabilizou-se na famosa linha média do Flamengo tricampeão carioca em 1942, 1943 e 1944, ao lado do guerreiro Biguá e do paraguaio Modesto Bria.

Também trabalhou na Gávea como técnico e auxiliar-técnico nos anos 50, quando foi reconhecido por sua importante participação na conquista do Torneio Quadrangular da Argentina em 1953.

20 anos depois da façanha do pai como treinador, Jayme de Almeida Filho recebeu suas primeiras oportunidades no quadro principal do Flamengo, em 1973.

Em 1974 ganhou credibilidade junto ao técnico Joubert. Conquistou seu primeiro título carioca após um empate sem abertura de contagem contra o Vasco da Gama.

Na barreira, partindo da esquerda; Zico, Liminha, Luisinho Lemos, Júnior, Jayme e Luís Carlos Galter. Ao fundo vemos Manfrini do Fluminense. Crédito: revista Placar.

Abaixo, os registros do jogo que garantiu ao Flamengo o título carioca de 1974:

22 de dezembro de 1974 – Campeonato carioca – Flamengo 0x0 Vasco da Gama – Local – Estádio do Maracanã – Árbitro: Arnaldo Cezar Coelho.

Flamengo: Renato, Júnior, Jayme, Luís Carlos e Rodrigues Neto; Zé Mário, Geraldo e Zico; Paulinho, Édson e Julinho (Ivanir). Técnico: Joubert. Vasco da Gama: Andrada, Fidélis, Miguel, Moisés e Alfinete; Alcir, Zanata e Luís Carlos (Jair Pereira); Jorginho Carvoeiro, Roberto Dinamite e Galdino (Bill). Técnico: Mário Travaglini.

Os anos seguintes foram marcados pelo domínio da “Máquina” do Fluminense, montada pelo presidente Francisco Horta. Mesmo assim, Jayme teve seu nome lembrado para defender o escrete canarinho em 1976.

Pelo Flamengo, Jayme disputou um total de 194 partidas com 110 vitórias, 49 empates, 35 derrotas e apenas 1 gol marcado. Os números foram publicados pelo Almanaque do Flamengo, dos autores Clóvis Martins e Roberto Assaf.

Em 1977 seu passe foi negociado com o São Paulo Futebol Clube, onde passou por altos e baixos causados por contusões e até uma fratura.

O lance que causou a fratura no perônio aconteceu em uma partida contra o Corinthians pelo campeonato paulista, o que o afastou dos gramados por seis meses.

Recuperado, Jayme teve uma rápida passagem pelo Botafogo de Futebol e Regatas. De volta ao Morumbi, o zagueiro participou do elenco campeão paulista de 1980.

Foto de Manoel Motta. Crédito: revista Placar – 22 de outubro de 1976.

O Flamengo no gramado do Maracanã em 1976. Em pé Cantarelli, Toninho, Rondinelli, Jayme, Júnior e Merica. Agachados: Caio, Geraldo, Tadeu, Zico e Zé Roberto. Crédito: revista Mengão número 1 – Editora Publitour.

Ao todo, foram 55 jogos pelo São Paulo com 23 vitórias, 17 empates, 15 derrotas e nenhum gol marcado. Os registros foram publicados pelo Almanaque do São Paulo, de autoria de Alexandre da Costa.

Em 1980 foi transferido para o Sport Club do Recife e conquistou o título pernambucano. Em seguida acertou suas bases financeiras com o Guarani de Campinas em 1981.

No “Bugre”, Jayme voltou aos melhores dias. Fez parte do time que foi eliminado nas semifinais do campeonato brasileiro de 1982 para o Flamengo por 3×2, confronto realizado no Estádio Brinco de Ouro.

Jayme encerrou sua carreira como jogador no próprio Guarani. Continuou por algum tempo jogando pelo time de estrelas do Milionários e pela Seleção Brasileira de Masters, organizada pelo saudoso jornalista Luciano do Valle.

Jayme viveu um drama no Morumbi. Crédito: revista Placar – 2 de setembro de 1977.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Depois de trabalhar no futebol do Espírito Santo e do Paraná, Jayme voltou ao Flamengo, onde desenvolveu seu trabalho como auxiliar técnico e no comando das categorias amadoras.

Orientou o time principal em algumas oportunidades como interino até assumir o comando definitivo do Rubro Negro, em setembro de 2013, após um pedido de demissão de Mano Menezes.

Conquistou a Copa do Brasil de 2013 e o campeonato carioca na temporada seguinte. No entanto, uma desclassificação prematura do Flamengo na Libertadores de 2014 acabou custando sua dispensa.

Jayme ainda assumiu interinamente o comando técnico do Flamengo em 25 de maio de 2015, após a demissão de Vanderlei Luxemburgo.

O Sport Recife em 1980. Em pé: País, Antenor, Cícero, Jaime, Romero e Merica. Agachados: Edu, Jorge Campos, Edson, João Carlos e Givanildo. Crédito: museudosesportes.blogspot.com.br.

Formação do Guarani no campeonato brasileiro de 1982. Em pé: Wendell, Jayme, Julio César, Ariovaldo, Edson e Almeida. Agachados: Lúcio, Hernani Banana, Careca, Jorge Mendonça e Capitão. Crédito: site do Milton Neves.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto:  revista Placar (por Fausto Neto, Manoel Motta e Mauro Pinheiro), revista Manchete Esportiva, revista Mengão, campeoesdofutebol.com.br, Jornal O Globo, oglobo.globo.com, flamengo.com.br, museudosesportes.blogspot.com.br, site do Milton Neves, Almanaque do Flamengo – Clóvis Martins e Roberto Assaf, Almanaque do São Paulo – Alexandre da Costa, albumefigurinhas.no.comunidades.net.