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André recebe o passe de Iúra na entrada da área. Arranca em velocidade e com o “biquinho” do pé direito solta um tiro reto e forte, sem chances para o goleiro Benitez. Foi o gol solitário que decidiu o Grenal derradeiro de 1977 em favor do Grêmio.

Enlouquecido de emoção, André parte rapidamente para comemorar. Pensa em fazer uma coisa e a perna, enrijecida, não responde. Estatelado no chão e vencido pelas dores, foi substituído por Alcindo.

Desde os tempos do Esporte Clube Vitória, André comemorava seus gols com um salto mortal. No momento em que venceu o goleiro Benitez, André queria dar o salto mais espetacular de sua carreira.

Revelou posteriormente que, quando correu e fincou com força os pés no chão para dar o impulso, sentiu uma fisgada forte na perna, o que tirou sua concentração e causou o “mico” presenciado pelo público e pela imprensa.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

A imagem do salto que marcou o título gremista de 1977. Crédito: revista Placar - 21 de outubro de 1977.

A imagem do salto que marcou o título gremista de 1977. Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Independente da comemoração desastrada e da distensão muscular, André entrou para os livros de história do Grêmio, quebrando uma série de oito títulos consecutivos do Internacional. Um voo para a eternidade!

Abaixo, os dados do jogo histórico que marcou a carreira de André:

25 de setembro de 1977 – Grêmio 1×0 Internacional – Decisão do campeonato gaúcho de 1977 – Jogo Extra – Estádio Olímpico de Porto Alegre – Árbitro: Luiz Torres – Gol: André Catimba aos 42 minutos do primeiro tempo.

Grêmio: Corbo; Eurico, Cassiá, Oberdan e Ladinho; Victor Hugo, Tadeu Ricci, Iúra (Vílson) e Tarciso; André Catimba (Alcindo) e Éder. Técnico: Telê Santana. Internacional: Benitez; Beretta (Jair), Marinho, Gardel e Vacaria; Caçapava, Batista, Escurinho e Valdomiro; Luisinho e Santos (Dario). Técnico: Carlos Gainete. 

Time do Esporte Clube Ypiranga no estádio da Fonte Nova. Em pé: Alvinho, Galo, Gustavo, Dário, Samuel, Ito e Luis Antonio. Agachados: André Catimba, Djalma, Cabo Jorge, Milton e Esquerdinha. Crédito: chiquitinhamaravilha.blogspot.com.br.

Time do Esporte Clube Ypiranga no estádio da Fonte Nova. Em pé: Alvinho, Galo, Gustavo, Dário, Samuel, Ito e Luis Antonio. Agachados: André Catimba, Djalma, Cabo Jorge, Milton e Esquerdinha. Crédito: chiquitinhamaravilha.blogspot.com.br.

André nos tempos do Vitória. Crédito: revista Placar - 30 de março de 1979.

André nos tempos do Vitória. Crédito: revista Placar – 30 de março de 1979.

Carlos André Avelino de Lima, mais conhecido como “André Catimba”, nasceu na cidade de Salvador (BA), no dia 30 de outubro de 1946.

Iniciou sua carreira jogando como ponteiro direito do Esporte Clube Ypiranga (BA) em 1964, lá permanecendo até 1968. Em seguida, foi transferido para o Galícia Esporte Clube.

Rápido, goleador e sem medo de pancadas, André foi aos poucos conquistando seu espaço e ganhando fama de “matador”.

Despertou o interesse do Esporte Clube Vitória em 1971, onde ao lado de Osni e Mário Sérgio, reconquistou o título estadual de 1972, distante do Vitória desde 1965.

Crédito: ecveternamente.blogspot.com.br.

Crédito: ecveternamente.blogspot.com.br.

Crédito: revista Placar número 278 - Julho de 1975. 

Crédito: revista Placar número 278 – Julho de 1975.

Foi de André o gol que inaugurou o marcador na segunda partida que decidiu o título baiano de 1972, iniciando a festa que tomou conta da torcida rubro negra:

17 de dezembro de 1972 – Vitória 3×1 Bahia – Estádio da Fonte Nova, Salvador (BA) – Árbitro: Garibaldo Matos – Renda: Cr$ 255.589,00 – Gols: André, 5; Osni, 36 e 49; Natal, 70 – Expulsões: Eliseu e Osni aos 90′.

Vitória: Agnaldo, Roberto, Leleu, Válter e França; Luciano e Juarez; Osni, Gibira, André (Marcílio) e Mário Sérgio (Almiro). Bahia: Buttice, Paulo Henrique, Onça, Amorim e Sousa; Baiaco e Eliseu; Natal, Douglas, João Daniel (Ricardo) e Alberto. 

Nos anos seguintes o Bahia retomou o domínio regional e André foi negociado com o Guarani de Campinas em 1976. No “Bugre”, André fez parte do grande time que faturou o primeiro turno do Paulistão naquela temporada.

André teve uma boa passagem pelo Guarani de Campinas. Crédito: revista Placar – 25 de fevereiro de 1977.

André teve uma boa passagem pelo Guarani de Campinas. Crédito: revista Placar – 25 de fevereiro de 1977.

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André foi convocado apenas uma vez para jogar na Seleção Brasileira. Foi no estádio do Maracanã em 19 de dezembro de 1973, no chamado “Jogo da Gratidão”, uma partida contra um combinado de estrangeiros em homenagem ao imortal Mané Garrincha.

Essa única oportunidade na Seleção Brasileira seria um reflexo de sua fama de catimbeiro?

Cabelos crespos e amarelados, olhos gateados e pele queimada, André nunca se preocupou em provar que era um menino bonzinho, seu negócio era fazer gols!

Tão logo seu nome era lembrado para o escrete, prontamente emergia uma imagem de jogador “esquentadinho”, criador de casos e brigão.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Crédito: revista Placar – 21 de outubro de 1977.

Poucos eram os que deixavam de lado esse rótulo de “jogador problema” para fazer um balanço sensato, baseado na frieza de suas finalizações e no posicionamento inteligente para tabelar e sair na cara do gol.

O gaúcho de Alegrete João Saldanha era um desses poucos “sensatos”. Quando o Grêmio contratou André em 1977, o fanático gremista João logo emendou: “Dessa vez finalmente eles acertaram”.

E mais, João Saldanha acrescentou que André era um centroavante diferenciado e pronto para vestir o manto amarelinho.

Campeão gaúcho de 1977 sob o comando do técnico Telê Santana, André permaneceu nas fileiras do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense até 1979.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net. 

Crédito: albumefigurinhas.no.comunidades.net.

André perdeu sua posição para o novato Baltazar Maria de Morais Júnior, contratado junto ao Atlético Clube Goianiense.

Depois, defendeu o Bahia, Argentino Juniors, ao lado de Diego Maradona, Pinheiros (PR), Náutico Capibaribe, Comercial de Ribeirão Preto (SP), novamente o Ypiranga (BA) e finalmente o Fast Club (AM), onde encerrou sua carreira em 1985.

André trabalhou também como treinador do Vitória no final da década de oitenta.

Participou da conquista do bicampeonato baiano de 1989/1990, o que o coloca no seleto grupo de rubro-negros que foram campeões como atleta e como técnico.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar.

Crédito: revista Placar - 19 de outubro de 1979.

Crédito: revista Placar – 19 de outubro de 1979.

Créditos de imagens e informações para a criação do texto: revista Placar (por Divino Fonseca, Emannuel Matos, José Maria de Aquino e Roberto José da Silva), revista Manchete Esportiva, revista do Grêmio, chiquitinhamaravilha.blogspot.com.br, ecveternamente.blogspot.com.br, campeoesdofutebol.com.br, albumefigurinhas.no.comunidades.net.

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